domingo, 12 de dezembro de 2010

Erlon Chaves - Sabadabada - 1965



Músicos
Erlon Chaves - piano e arranjo
José Lídio Cordeiro (Papudinho) - piston
João José Pereira de Souza (Raulzinho) - trombone
Hector Bisignani (Costita) – sax
Renato Augusto Menconi - sax
Kuntz Adalberto Naegele - sax
Carlos Castilho – violão
José Antônio Alves (Zezinho) – Baixo
Clineu Golçalves (Pirituba) – bateria
Apostolo Secco – barítono

Músicas
01 - Balanço Zona Sul (Tito Madi)
02 – Você (Menescal - Boscoli)
03 – Deixa isso pra lá (Alberto Paz – Edson Menezes)
04 – Reza (Edu Lobo – Ruy Guerra)
05 – Batucada (Murilo a. Pessoa)
06 – Deixa (Baden Powell – Vinícius de Moraes)
07 – Opinião (Zé Keti)
08 – Primavera (Carlos Lyra – Vinicius de Moares)
09 – Na Base do Improviso (Erlon chaves)
10 – Sabadabada (Erlon Chaves)
11 – Inútil Paisagem (Antonio C. Jobim e Aloysio de Oliveira)
12 – Bafafá (Alfredo Borba – Jota Costa)

Neste excelente disco (1965) o maestro Erlon Chaves tinha apenas 32 anos. Não foi seu primeiro disco como maestro e arranjador. O primeiro data de 1959, então com 26 anos (Em Tempo de Samba – Erlon Chaves e Sua Orquestra). Foi mais um menino prodígio, tal Eumir Deodato e Luizinho Eça, mas teve sua brilhante carreira abreviada por um infarto fulminante em 1974. Em 1968 Erlon já era arranjador, regente e pianista de Elis Regina em sua excursão a Paris, onde apresentam-se no Olympia.

Depois deste brilhante disco Erlon Chaves se dedicou a trilhas de novelas da “Globo” que estavam no auge na época. Em 1966 fez a música tema da novela o “Sheik de Agadir” e “Eu Compro Esta Mulher”. Em 1970 participou como arranjador e compositor da novela ”Pigmaleão 70”. Todo esse sucesso trouxe graves transtornos para Erlon. Em 1970, no auge da ditadura militar, no Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, a música “Eu Também Quero É Mocotó", de Jorge Bem, chegou a final. Era um som samba-black-porra-louca meio Motown, com 40 crioulos de batas vermelhas curtindo aquele batidão no palco. Passada a eliminatória, na final Erlon botou pra quebrar. Diríamos que baixou o nível. Na realidade era uma forma de provocação a tudo que rolava na época: ditadura, preconceito, racismo, amor livre, etc. Sem que ninguém soubesse, Erlon coloca duas louras lindíssimas de biquínis sumários exibindo uma coreografia erótica para apimentar o mocotó da música. Erlon sai do festival direto para a delegacia. Erlon Chaves ainda formaria a Banda Veneno com a maioria destes componentes do festival, mas os tempos eram outros. Assim como Simonal, seu grande amigo, o preconceito era grande nessa época. Os dois se ferraram, praticamente no mesmo ano. Erlon tinha outro agravante, era namorado de Vera Ficher, louraça, ex-miss Brasil. Aí era demais para as cabecinhas da época. Imagina.

* Uma curiosida. Algumas pessoas podem estar estranhando o nome João José Pereira de Souza (Raulzinho) – trombone. É isso mesmo, o nome está correto. O rebatismo ocorreu num programa de calouros do Ary Barroso. Raulzinho levou alguns prêmios e o Ary, na bucha, falou que ele tocava bem, mas trombonista com nome de João José não tinha nada a ver e o rebatizou de Raulito. Mais tarde Raulito passou pra Raulzinho. Depois escrevo mais sobre esse grande músico.

* Esse disco já saiu em CD pela Warner. É difícil achar. Como acho que vale a pena, vou dar uma dica. Procurar no google por Erlon_Chaves_Sabadabada - 1965. Por enquanto.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Laurindo Almeida e Bud Shank - Brazilliance - 1953



Músicos
Laurindo Almeida (violão)
Chuck Flores (bateria)
Gary Peacock (baixo)
Bud Shank (sax alto)
Harry Babasin (baixo)


Músicas
01 – Atabaque
02 - Amor Flamengo
03 - Stairway To The Stars
04 - Acertate Mas
05 - Terra Seca
06 - Speak Low
07 - Speak Low (Alternate Take)
08 – Inquietacao
09 - Baa-Too-Kee
10 – Carinoso
11 – Tocata
12 – Hazardous
13 – Nono
14 – Noctambulism
15 - Blue Baião

* Que eu saiba, esse CD só saiu lá fora. Procurar na WEB por Laurindo Almeida Shank Brazilliance-1953.


sábado, 27 de novembro de 2010

A História do Samba Jazz

Já tinha pensado em escrever sobre o assunto, mas achei esse texto do Raffaelli muito melhor do que o meu.

A História do Samba Jazz
Por José Domingos Raffaelli
Crítico de jazz e música brasileira, escritor, produtor e professor


A princípio aparentemente distantes e separados, o jazz e a música brasileira têm muito em comum, a começar pelas próprias origens africanas. O que aconteceu após a chegada dos escravos no Brasil e nos Estados Unidos, seu desenvolvimento e onde suas origens musicais se reencontraram são aspectos históricos importantes.

O que existe relacionando a música brasileira com o jazz? Nossa música foi influenciada pelo jazz e pela música americana? E nossos músicos influenciaram os jazzmen americanos?

Uma abordagem sobre esse palpitante e fascinante assunto, sob diversos ângulos, permite observações e esclarecimentos sobre as ocorrências que se verificaram através dos tempos, as preferências dos brasileiros em relação aos músicos americanos, nossos músicos que brilham ou brilharam no exterior e outros aspectos ligados ao desenvolvimento das duas linguagens chegando à amálgama que resultou no estilo denominado samba-jazz, jazz-samba, como preferem os americanos, ou jazz brasileiro.

As relações entre o jazz e a música brasileira são muito mais íntimas do que possam aparentar. É uma intimidade que surpreende após a sua constatação. Suas origens são exatamente as mesmas, provenientes da cultura negra trazida pelos escravos africanos originários das mesmas regiões da costa ocidental do continente africano. Entregues à própria sorte, os escravos trabalhavam exaustivamente de sol a sol sem qualquer descanso e, freqüentemente, sob a chibata implacável dos feitores. O único lenitivo que lhes amenizava o sofrimento era o canto que entoavam durante o trabalho, os lamentos à noite, os cânticos religiosos e a música de ninar das mães escravas. O destino separou os irmãos africanos pelos hemisférios das duas Américas, porém suas raízes foram as mesmas.

Os processos que alteraram progressivamente suas vertentes musicais foram fundamentalmente distintos. Os portugueses (em alguns estados, em menor escala franceses e holandeses) colonizaram o Brasil introduzindo seus hábitos, costumes, religião e cultura. Nos Estados Unidos, a influência francesa, principalmente na Louisiana, modificou a música africana primitiva. As primeiras mudanças dessa influência nos EUA foram observadas com a popularização da quadrilha, uma dança regional francesa.

No Brasil, foram os ritmos da música folclórica portuguesa os primeiros sintomas alienígenas a influenciarem as raízes africanas. Essas mudanças processaram-se lentamente e possivelmente muita coisa perdeu-se na poeira do tempo.

No lado americano, o ragtime, de caráter fortemente sincopado, foi um prolongamento natural da amálgama entre a música dos escravos, a quadrilha francesa e a música de uma dança conhecida como cakewalk.

O pianista Scott Joplin (1868-1917) foi o mais famoso compositor de ragtime, influenciando incontáveis músicos. Por alguma razão aparentemente misteriosa até hoje não detectada, a música de Ernesto Nazareth (1863-1934), um dos precursores do chorinho, da polca e da valsa em nosso país, soa como parente muito próximo do ragtime. Essa constatação levou alguns musicólogos e tentarem desvendar o vínculo entre o ragtime e o chorinho, antecessores legítimos do jazz e da música popular brasileira, porém foram baldados os esforços nesse sentido. .

Afinal, como o jazz influenciou a música brasileira ? No início dos anos 20 do século passado, o fox-trot chegou ao Brasil interpretado por conjuntos americanos que tocavam no Teatro Assyrio, na época a principal casa noturna do Rio de Janeiro. Os músicos brasileiros acotovelavam-se para ouvir os americanos, aprendendo as melodias, assimilando os ritmos, o fraseado e os maneirismos da execução do fox-trot, absorvendo uma influência que se acentuaria nas décadas seguintes.

Quando chegaram ao Brasil os primeiros discos das orquestras de Paul Whiteman, Jean Goldkette, Fred Waring e Eugene Ormandy, nossos músicos buscavam emular o estilo dessas formações, que ocorreram principalmente nas orquestras de Fon-Fon, Romeu Silva, Simon Boutman e Francisco Marti, entre outras.

O cinema sonoro popularizou e música americana em todo o mundo e no Brasil não foi diferente, principalmente a partir dos anos 40 com as presenças em filmes musicais das orquestras de Glenn Miller, Artie Shaw, Tommy Dorsey, Benny Goodman e Harry James. Foi quando surgiram as orquestras de Napoleão Tavares, Silvio Mazzuca, Zaccarias e os Mid-Nighters, Peruzzi e a famosa Tabajara, cujo líder e clarinetista Severino Araújo foi influenciado por Benny Goodman.

A influência do jazz acentuou-se cada vez mais. Nossos instrumentistas - com exceção dos intérpretes de choro, da música tradicional e dos ritmos nordestinos – foram influenciados pelos músicos de jazz.

Afinal, quando, como e onde começou a mistura do jazz com o samba que resultou na música instrumental brasileira moderna?

A semente que germinou essa fusão foi plantada em abril de 1953 pelo violonista Laurindo Almeida e o saxofonista Bud Shank quando gravaram o seminal disco "Brazilliance", em Los Angeles. Nesse disco experimental, o violonista brasileiro e o saxofonista de jazz apresentaram uma novidade revolucionária: as improvisações de Shank tocando repertório brasileiro em linguagem jazzística. Em grande forma, Shank adaptou-se inteiramente ao contexto, assentando as bases do que na década seguinte chamariam de jazz-samba, mas no Brasil ficou conhecido por samba-jazz. O impacto daquele disco em nosso meio musical foi extraordinário, abrindo as portas para um estilo até então inimaginável. Curiosamente, na época um conhecido saxofonista brasileiro declarou enfaticamente que era impossível improvisar sobre música brasileira, porém, posteriormente, ele adotou a improvisação jazzística na temática brasileira dos seus discos.

"Brazilliance" foi editado no Brasil pela gravadora Musidisc e conquistou imediatamente uma nova geração de músicos que vieram a ser figuras de relevo na bossa nova e, posteriormente, no samba-jazz.

Outro fator importante precursor do samba-jazz no Brasil foi o revolucionário disco "Turma da Gafieira", com Altamiro Carrilho (flauta), Zé Bodega e Maestro Cipó (saxes-tenor), Raul de Souza (trombone), Sivuca (acordeão), Baden Powell (violão), José Marinho (baixo) e Edison Machado (bateria). Além das improvisações nos solos, a atuação de Edison Machado incorporou uma inovação que causou surpresa, desagrado e controvérsia entre os renitentes cultores do samba: ele utilizou os pratos da bateria em seus estimulantes acompanhamentos, algo totalmente inédito e inconcebível para os músicos da época.

Mas, o que é improvisação jazzística? Para um músico, improvisar significa criar novas melodias sobre a estrutura harmônica de uma composição ao sabor da sua imaginação. Em outras palavras, ter total liberdade para expressar sua própria concepção explorando suas idéias melódicas num clima prevalecendo a espontaneidade e a originalidade, injetando variações de coloridos tonais, nuances rítmicas e inflexões. Por isso o jazz é a música do indivíduo e a improvisação é um elemento essencial da sua linguagem.

Para avaliar esses elementos inseridos pelos solistas, é suficiente comparar as inúmeras gravações das mesmas músicas por diversos músicos, constatando que todas diferem das demais porque cada músico improvisa à sua própria maneira.

A prova que a maioria dos instrumentistas brasileiros foi influenciada pelo jazz era evidenciada nas jam sessions que se realizavam no Rio de Janeiro nos anos 50 e 60. Essas sessões informais aconteceram nos auditórios da Associação Brasileira de Imprensa, Associação Cristã de Moços, Clube Mackenzie, Fluminense Futebol Clube e Associação Atlética Banco do Brasil, entre outros locais, atraindo numeroso público. Entre seus habituais participantes contavam-se Julio Barbosa, Clélio Ribeiro, Santos e Wagner Naegele (trompetes), Paulo Moura, Jorginho, Zé Bodega, Moacir Santos, Maestro Cipó, Aurino Ferreira, Moacir Silva e Hélio Marinho (saxofones), K-Ximbinho (clarinete), Nelson dos Santos, Norato, Astor, Macaxeira e Duba (trombones), Dinarte Rodrigues e Bola Sete (guitarra), Hugo Lima, Chaim Lewak e Fats Elpidio (piano), Vidal, Luiz Marinho e José Marinho (baixo), Anestaldo, Paulinho Magalhães e Sutti, (bateria).

Nos anos 50, o radialista Paulo Santos promoveu dois concertos de jazz no teatro Muncipal do Rio de Janeiro, com amplo sucesso.

A partir de 1958, a bossa nova conquistou imediatamente a juventude brasileira ocasionando uma radical transformação melódico-harmônico-rítmica na nossa música popular, inaugurando o período moderno da MPB.

Dois acontecimentos importantes ocorridos em 1961 deram um impulso extraordinário à música brasileira moderna quando tocaram no Brasil os conjuntos American Jazz Festival e o quinteto do trompetista Dizzy Gillespie. Seus músicos ficaram encantados ao ouvirem bossa nova pela primeira vez, cuja existência desconheciam. Ao regressarem, Dizzy Gillespie, o trombonista Curtis Fuller, os saxofonistas Coleman Hawkins e Zoot Sims, o flautista Herbie Mann e o pianista Lalo Schifrin gravaram discos com temas de bossa nova. Em março de 1962, o saxofonista Stan Getz gravou o disco "Jazz Samba" com o quarteto do guitarrista Charlie Byrd; seu sucesso imediato e estrondoso traduziu-se na venda de 1 milhão e 600 mil cópias na primeira semana. .

Motivado pelo sucesso fulminante da nova música brasileira, em novembro de 1962, Sidney Frey, presidente da gravadora Áudio Fidelity, organizou um concerto de bossa nova no Carnegie Hall, o templo da música americana, em Nova Iorque. Vários músicos, cantores e conjuntos brasileiros apresentaram-se no evento, aumentando o interesse dos americanos pela bossa nova. O concerto foi gravado pela Áudio Fidelity no disco "Bossa Nova at Carnegie Hall".

As emissoras de rádio americanas tocavam discos de bossa nova sem parar. Foi a abertura não oficial de um mercado internacional de trabalho para nossos músicos e cantores.
Paralelamente, músicos e cantores americanos gravaram uma enxurrada de discos de bossa nova, vários com participações de artistas brasileiras, incluindo Sérgio Mendes, Tião Neto, Hélcio Milito e Chico Batera.

Enquanto isso, as noites no lendário Beco das Garrafas, em Copacabana, atraíam platéias de jovens ávidos em ouvir a nova música. Os quatro clubes daquele logradouro (Little Club, Bottle's, Bacará e Ma Griffe) lotavam todas as noites. Nesse particular, o Beco das Garrafas foi a versão nacional da Rua 52, em Nova Iorque, que nos anos 40 foi o pólo efervescente onde tocavam os grandes jazzmen da época. Todas as noites acontecia algo novo no Beco, fosse uma nova composição, um arranjo mais elaborado, o aparecimento de um músico ou cantor de talento, e o ambiente fervilhava até alta madrugada. Apresentaram-se nos clubes do Beco, entre inúmeros outros, Sérgio Mendes, Dom Salvador, Luiz Eça, Raul de Souza, J. T. Meirelles, Agostinho dos Santos, Baden Powell, Mauricio Einhorn, Milton Banana, Claudette Soares, Alaíde Costa, Marisa Gata Mansa, Leny Andrade (com 17 anos, sendo menor de idade era acompanha pelo pai), Pery Ribeiro, Julio Barbosa, Maestro Cipó, Hugo Marotta, Silvio Cesar, Orlann Divo, Tenório Junior, Jorginho Ferreira da Silva, Edson Maciel, João Luiz Maciel, Durval Ferreira, Dom Um Romão, Chico Batera, Victor Manga, Tião Neto, Rosinha de Valença, Manuel Gusmão, Luiz Carlos Vinhas, Hélcio Milito, Bebeto Castilho, Sylvinha Telles, Dóris Monteiro, Wanda Sá, Tito Madi, Sergio Ricardo, Candinho, Mario Castro Neves, Osmar Milito, Aurino Ferreira, Sérgio Barrozo, Roberto Menescal, Alberto Castilho, Ronaldo Vilela, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Toninho Oliveira, Sérgio Augusto, Marcos Valle, Lúcio Alves, Antonio Adolfo, Chico Feitosa, Mario Telles, Moacir Marques, Juarez Araújo e Odette Lara.

Nesse período surgiram os trios de piano-baixo-bateria que fariam história tocando temas brasileiros com improvisação jazzística, o que germinou e cristalizou definitivamente o samba-jazz. Entre dezenas deles, despontaram Tamba Trio (LPs "Tamba Trio", "Avanço" e "Tempo"), Sambalanço Trio (LP "Sambalanço Trio"), Milton Banana Trio (LPs "Samba é isso - vol. 4", "Balançando" e "Vê"), Salvador Trio (LPs "Salvador Trio" e "Rio 65 Trio"), Tenório Junior Trio (LP "Embalo"), Bossa Três (LP "Bossa Três em Forma"), Jorge Autuori Trio (LPs "Vols. 1 & 2"), Primo Trio (LP "Sambossa"), além do Embalo Trio, Bossa Jazz Trio e Trio 3-D.

Outras formações que brilharam no Beco foram o sexteto Sérgio Mendes & Bossa Rio (LP "Você Ainda não Ouviu Nada!"), Meirelles e Os Copa Cinco (LPs "O Som" e "O Novo Som"), os conjuntos de Raul de Souza (LPs "Impacto" e "À Vontade Mesmo"), Baden Powell (LPs "À Vontade" e "Tempo Feliz", com Maurício Einhorn), Edison Machado (LP "Edison Machado é Samba Novo"), Paulo Moura (LPs "Quarteto" e Hepteto"), Luiz Henrique (LP "A Bossa Moderna de Luiz Henrique"), Julinho Barbosa (LP "100% Bossa"), Luiz Carlos Vinhas (LP "Novas Estruturas"), Moacir Marques (LP "Jazz e Bossa Nova"), Os Catedráticos (LP "Ataque"), Fats Elpidio (LP "Piano Bossa Nova"), Sete de Ouros (LP "Impacto"), Victor Assis Brasil (LP "Desenhos"), Waltel Branco (LP "Mancini Também É Samba), Nelson dos Santos (LP "Brasil Bossa Nova").

Na mesma época surgiram em São Paulo dezenas de músicos e conjuntos que aderiram ao samba-jazz, entre os quais Zimbo Trio, com Amilton Godoy, Luiz Chaves e Rubens Barsotti (LPs "Zimbo", "Zimbo convida Sonny Stitt" e "Caminhos Cruzados"), Breno Sauer (LP "4 na Bossa"), Luiz Loy Quinteto, Conjunto Som 4, Jongo Trio (LP "Jongo Trio"), Quarteto Novo, Manfred Fest Trio (LPs "Bossa Nova, Nova bossa", "Evolução" e "Alma Brasileira"), Pedrinho Mattar Quarteto, Guilherme Vergueiro (LPs "Naturalmente" e "Live in Copenhagen"), Erlon Chaves (LP "Sabadabada"), Sambrasa Trio, Som 3, Os Cinco-Pados, Sansa Trio, Octeto de Cesar Camargo Mariano, Casé (LP "Samba Irresistível"), Luiz Chaves (LP "Projecão"), Paulinho Nogueira, André Geraissati (fundador do emblemático Grupo D"Alma) e muitos mais.

Abrindo um parêntesis, no final dos anos 50, antes de afirmação da bossa nova, dois músicos brasileiros foram para os Estados Unidos em busca de novas oportunidades: o guitarrista e violonista Bola Sete e o pianista e compositor João Donato, sendo bem-sucedidos. Bola Sete tocou com Dizzy Gillespie e Vince Guaraldi.além de gravar vários discos; Donato atuou com Mongo Santamaría, Bud Shank, Tito Puente, Astrud Gilberto e outros.

Durante suas férias no Rio de Janeiro, em 1963, Donato gravou dois dos melhores discos da sua carreira: "Muito à Vontade" e "A Bossa Muito Moderna de Donato". Regressando ao Brasil em 1973, retomou sua carreira, mas depois sofreu uma paralisação; a partir dos anos 80 trabalhou intensamente e continua até hoje apresentando-se em inúmeros países do mundo, incluindo Estados Unidos, Europa e Japão, onde granjeou um grande público cativo, além de gravar abundantemente.

Com o sucesso do rock & roll em todo o mundo nos anos 60, a bossa nova e o samba-jazz deixaram de ser a música da juventude brasileira porque ganhava força e popularidade a Jovem Guarda, invadindo como um tsunami os meios de comunicação do pais. Foi quando Mauricio Einhorn declarou sua famosa frase: "A saída para o músico brasileiro é o Aeroporto do Galeão", que alguns mal-informados atribuem a Tom Jobim. Muitos deixaram o país em busca de outras paragens para tentar a sorte. Alguns foram bem-sucedidos, outros nem tanto. Daqui partiram Sergio Mendes, Dom Salvador, Oscar Castro Neves, Eumir Deodato, Manfredo Fest, Luiz Bonfá, Guilherme Vergueiro, Edison Machado, Julio Barbosa, Raul de Souza, J. T. Meirelles, Hélcio Milito, Rosinha de Valença, Wanda Sá, Luiz Henrique, Fernando Martins, Cláudio Queiroz (Cacau), Romero Lubambo, Nilson Matta, Hélio Alves, Duduka da Fonseca, Portinho, Mario Castro Neves, Raul Mascarenhas, Claudio Roditi, Marcos Resende, Alfredo Cardim, Paulo Braga, Ion Muniz, Edson Lobo, Tita, Rodrigo Botter Maio, Hélio Celso, Haroldo Mauro Junior, Irio de Paula, Nenê, Flavio Goulart, Cleber Alves, Nico Assumpção, Tania Maria e outros. Vale ressaltar que vários desses músicos tocam com freqüência em festivais de jazz europeus e americanos.

Enquanto no Brasil a bossa nova e o samba-jazz estavam em recesso forçado devido às preferências do público roqueiro, em outros países continuavam sendo apreciados e cultuados, valorizando nossos artistas, que ganharam novos mercados internacionais solidificando suas carreiras.

Essa valorização no exterior, inclusive com a edição de centenas de discos de bossa nova e samba-jazz nos Estados Unidos, Europa e, principalmente, Japão, ocasionou uma reviravolta no Brasil com o retorno do samba-jazz no repertório dos músicos mais jovens.

Deve-se mencionar que a realização dos dois Festivais de Jazz de São Paulo, em 1978 e 1980, Rio Jazz Monterey Festival, no Rio de Janeiro, em 1980, despertaram o interesse de milhares de pessoas, que passaram a dar maior atenção à nossa música instrumental. Em decorrência desses três eventos, que movimentaram as duas maiores cidades do país, as novas gerações de músicos surgidas a partir dos anos 80/90 trouxeram uma injeção de sangue novo ao samba-jazz.

Entre os que firmaram-se citamos os pianistas Hamleto Stamato, Kiko Continentino, David Feldman, Marcio Hallack, Itamar Assiere, André Dequech, Jota Moraes, Delia Fischer, Silvia Góes, Rique Pantoja, Rafael Vernet, Adriano Souza e André Mehmari, baixistas Paulo Russo, Dôdo Ferreira, Célio de Barros, Augusto Mattoso, Rodolfo Stroeter, Arismar do Espírito Santo, Sizão Machado, Zeca Assumpção, Kiko Mire, Dudu Lima, Adriano Giffoni, Zé Luiz Maia e Enéias Xavier; bateristas Rafael Barata, Duda Neves, Esdras "Nenem" Ferreira, André "Limão" Queiroz, Carlos Bala, Lincoln Cheib, Erivelton Silva, João Cortez, Ivan Conti, Edu Ribeiro, Edvaldo Ilzo e Magno Bissoli; guitarristas Magno Alexandre, Felipe Poli; Hélio Delmiro, Lula Galvão, Cláudio Guimarães, Juarez Moreira, Geraldo Vianna, Tabajara Melo, Weber Lopes e Gilvan de Oliveira; trompetistas Daniel D'Alcantara, Paulinho Trompete, Altair Martins, Nilton Rodrigues e Jessé Sadoc, saxofonistas Nailor Proveta, Teco Cardoso, Marcelo Martins, Eduardo Neves, Zé Canuto, Daniel Garcia, Chico Amaral, Fernando Trocado, Widor Santiago, Cacá Malaquias, Cleber Alves e Vinicius Dorin; trombonistas Vittor Santos, Bocato, Valdivia Ayres e Roberto Marques..A lista é virtualmente interminável.

O samba-jazz chegou para ficar conquistando uma relevante posição na música brasileira. Apesar de combatido pelos renitentes xenófobos de plantão, que desdenhosamente insistem em afirmar tratar-se de música americana, continua conquistando novos talentos e adeptos no Brasil e em vários países do mundo.

A despeito desses handicaps, o samba-jazz resiste bravamente, nossos músicos prosseguem espargindo sua música em concertos, casas noturnas, bares, quiosques, espaços oficiais e alternativos, com boa afluência de público, além de continuar sendo grande atração no Japão, onde tem público cativo, nos festivais europeus e americanos.

Julinho - 100% Bossa - 1963



* Visite o site oficial de Julio Barbosa em http://www.juliobarbosa.com/

Músicos
Julinho (piston)
Dom Salvador (piano)
Robertinho Silva (bateria)
Luiz (baixo)
Neco (guitarra)
Oberdan (sax)

Músicas
01 - Influência do Jazz (Carlos Lyra)
02 - Moeda Quebrada (Luis Reis / Haroldo Barbosa)
03 - Você e Eu (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
04 - Alô Doçura (Julio Barbosa)
05 - Água Com Areia (Jair Amorim / Jacobina)
06 - É Bossa Mesmo (Julio Barbosa)
07 - Desafinado (Tom Jobim / Newton Mendonça)
08 - Olhou Pra Mim (Ed Lincoln / Silvio César)
09 - Só Quero Sambar (Cyro Monteiro)
10 - Corcovado (Tom Jobim)
11 - Não Há Razão (Orlando Costa ''Maestro Cipó'')
12 - Questão de Moral (Paulo Tito / Roberto Faissal)

*Acho que esse disco não foi lançado em CD. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Myrzo Barroso - 1965




Este é o único disco do Myrzo que menciono abaixo. Não foi lançado em CD. Você pode achar no google procurando por Myrzo_Barroso_1965

sábado, 30 de outubro de 2010

Os Sete de Ouros - Impacto - 1964



* Vou escrever mais tarde sobre esse disco e esses grandes músicos.


Músicos
José Marinho (piano, arranjo)
Maestro Cipó (sax tenor, arranjo)
K-Ximbinho (sax alto, arranjo)
Gennaldo (sax baritono)
Ed. Maciel (trombone)
Julinho (piston, arranjo)
Papão (bateria)
Vidal (baixo)
Myrzo Barroso (vocal - 10)


Músicas
01 - West Samba (Orlando Costa ''Maestro Cipó'')
02 - O Amor Que Acabou (Chico Feitosa / Luis Fernando Freire)
03 - Todo Dia É Dia de Chorar (Romeo Nunes / Carlito)
04 - O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
05 - Vagamente (Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli)
06 - Vou de Samba Com Você (João Mello)
07 - Só Balanço (Julinho)
08 - Samba Day (Maciel)
09 - Jambete (Hélton Menezes)
10 - Meu Pranto (Baden Powell / Mário Telles) com Myrzo Barroso
11 - Serenata Africana (K-Ximbinho)
12 - Balanço do Coração (José Marinho)

Conforme prometido, o que descobri da turma é o seguinte:

Julinho (Júlio Barbosa)
Um dos grandes trompetistas brasileiros, e são muitos, além de compositor e arranjador. Tocou na Orquestra do Maestro Cipó, Peruzzi e Severino Araújo. Parece que os maiores músicos do Brasil passaram pela Orquestra Tabajaras. Aliás, Julinho fez muitos arranjos para a Tabajaras no período de gravações e concertos na antiga TV Rio, no Posto 6, no Rio de Janeiro. No local hoje é um hotel de luxo. Foi nesta época que ele ficou conhecido como Julinho do Trompete.

Dois discos de Julinho: “O som do Julinho” e “100% Bossa”. Os músicos que tocam nesses discos são nada menos que Dom Salvador (piano), Oberdan Magalhães (sax), Robertinho Silva (bateria), Neco (guitarra) e Luiz Carlos (baixo).

Na Alemanha integrou a big-band do maestro Max Greger, considerada uma das melhores da Europa. Depois formou sua própria banda e se estabeleceu em Munique.

Em 1999 lançou o disco “Embalo” com seu grupo Embalo (Mamão – bateria, Hermeto Pascoal – teclados, Don Chacal – percussão e Paulo Russo – baixo)

Em 2005 formou o grupo “Julio Barbosa Septeto” (Fernando Merlino - teclados, Daniel Garcia - sax e flautas, Bruno Migliari - baixo, Pascoal Meireles - bateria, Altair Martins - trompete e Jonson Nogueira - trombone). Tá na pista.

Maestro Cipó (Orlando Silva de Oliveira Costa)
Instrumentista, arranjador, compositor e maestro. E gente boa.
Nasceu em Itapira, SP em 1922 e faleceu no Rio em 1992.

Cipó foi um dos grandes arranjadores e orquestrador brasileiro dos anos 60 e 70, reconhecido internacionalmente. Na Inglaterra lançou vários discos de bossa nova. Trabalhou por muitos anos na televisão como diretor musical, criando trilhas, orquestração e arranjos para diversos artistas. Cipó foi adotado por uma família inglesa e ganhou esse apelido por ser muito bagunceiro e magricela. Era chamado de Orlando Cipó.

As primeiras menções ao trabalho de Cipó como arranjador datam do início da década de 1950, quando escreveu arranjos para o programa “Batida de Samba”, da Rádio Tupi.

Cipó começou na carreira na Rádio Tupi. Chegou a ser diretor musical da extinta TV Tupi. Trabalhou também na Rede Globo como maestro e arranjador. Formou a Orquestra do Maestro Cipó, que ficou mais de 20 anos na pista. Sempre com arranjo voltado para a autêntica música brasileira. Com muito balanço e sofisticação. Um bom exemplo é o arranjo para a música Berimbau de Baden e Vinícius. Um naipe de metais brincando com as variações da Capoeira. Vale conferir.

Cipó tocou muito na Europa e Estados Unidos com sua orquestra. Lançou aqueles discos tipo exportação muito comuns na época de divulgação da música brasileira pré e pós Bossa Nova. Mas não me lembro de ter feito concessões. Era música brasileira com arranjo brasileiro ou nada. Um bom disco dessa fase é o Cipó and His Authentic Rhithm Group – Brazilian Beat – (1965). Tem outro também de 1964 – A Fantástica Orquestra de Stúdio de Cipó. Só não gostei do Stúdio. Poderia ser Estúdio mesmo. Taí uma bobeira que talvez Cipó não tenha gostado.

Cipó fez arranjos e acompanhou muitos cantores famosos e em início de carreira. Um bom exemplo do estilo Cipó é o disco de estréia de Bethânia (1965). Cipó é o autor de maioria dos arranjos, e ainda participa com seu saxofone em diversas faixas. Se fosse americano seria um Nelson Riddle, que se celebrizou por fazer o acompanhamento de cantores famosos.

K-Ximbinho (Sebastião de Barros)
Foi um dos grandes arranjadores do Brasil, embora não seja tão badalado como Moacir Santos e Deodato, que tiveram suas carreiras reconhecidas no EUA. Foi um músico muito importante para o desenvolvimento do arranjo moderno no Brasil. Introduziu a trompa, o violoncelo e o oboé no Choro brasileiro. Começou tocando clarinete na infância e depois passou para o sax, ganhando assim o apelido de K-Ximbinho. Aos 21 anos já era membro da Orquestra Tabajaras do exigente Severino Araújo. Embora fosse também grande compositor foi como arranjador que ele se destacou. O número de orquestras para os quais fez arranjos é um absurdo. Entre elas estão: Tabajaras, Odeon, Polydor e TV Globo. Faleceu em 1980. Só lembrado por músicos e amigos. Se fosse americano seria um monstro consagrado. Triste Brasil.

Papão – (não sei qual o nome verdadeiro dele)
Tocou no disco Meus Caros Amigos do Chico Buarque de Holanda na música “Olhos nos Olhos”. Tocou com Jorginho do Império no disco “Viva Meu Samba", tocou com os Sete de Ouros e muito mais. Vou me lembrando aos poucos. É pouca informação para um músico desse quilate. Papão também tocou no LP de Walmir Lima de 1980.

Papão sempre esteve cercado de grandes músicos: Dino (violão de 7 cordas), Neco (cavaco), Aldo (baixo), Freitas (violão), Jorginho (flauta), Netinho (sax e clarinete), Edi Maciel (trombone), Hélio Capucci (viola de 12 cordas) e Chiquinho (acordeon). Quem tem discos de samba dessa época certamente encontrará esta turma. No ritmo um time de primeira: Ubirani, Almir Guinetto, Bolão, Pirulito, Juca (já falecido, tocava surdo no grupo da Beth Carvalho) e Pesão entre outras feras.

No Google não tem muita coisa. Procure por Papão (bateria), Gennaldo (sax barítono), Vidal (baixo). Vai cair nesses discos, e fim de papo. Se for procurar por José Marinho, grande pianista e arranjador, aí ... Volto já.

Gennaldo – Gennaldo Medeiros dos Santos
Tocou na Orquestra Tabajaras de Severino Araújo nos anos 50 e fez outros bicos por aí. Lógico que ele é muito rodado.

Em 1960 tocou no disco “Os Sax Sambistas Brasileiros”. Olha só a turma: Jayme Araujo de Oliveira, Laerte Gomes, Giuseppe Sergi, Jorge Ferreira da Silva (sax alto), Moacir Marques da Silva, Zé Bodega (José Araujo de Oliveira), Juarez Assiz de Araujo, Lourival Clementino de Souza (sax tenor), Aderbal Moreira, Genaldo Medeiros dos Santos (sax barítono), José Claudio das Neves (vibrafone), Tião Marinho (Sebastião Marinho) (contra baixo), Waltel Branco (guitarra), Plínio Araujo de Oliveira (bateria), Milton Marçal, Alcebíades Barcelos ("Bide"), Pedro Melo dos Santos (percussão).

Estou procurando mais informação sobre ele. Se alguém souber, é só avisar que eu coloco aqui.

A finalidade do blog é essa mesmo. Preservar a memória da boa música brasileira. Conto com a ajuda de todos. Nada aqui é exclusivo, só meu. É de todos que me ajudam na pesquisa e de todos que lêem e dão palpite.

Vidal (também não sei o seu nome)
A primeira vez que ouvi falar de Vidal foi no disco “Na batida do samba - Risadinha com Orquestra de Vadico”. Risadinha (Francisco Ferraz Netto) e a orquestra de Vadico era: Coruja, Walter e Monteiro saxes, Canuto e Laerte no trompete, Meirelles na flauta, Raul de Barros e Capilé no trombone, Vivi e João Batista na clarineta, Maestro Chiquinho no acordeon, Menezes na guitarra, Vidal no baixo, Trinca e Dom Um Romão na bateria e Mestre Bide e Sebastião na percussão. Já sentiu o nível da turma. Isso aí é antes da Bossa.

Aparece também com a Orquestra de Radames Gnattali – 1954, que era: Radamés Gnattali no piano, Chiquinho no acordeon, Zé Menezes na guitarra, Vidal no baixo e Luciano Perrone na bateria.

Myrzo Barroso
Cantor de técnica apurada gravou apenas um disco solo em 1965. Vou disponibilizar aqui. Participou como cantor em outros discos. Um deles é este aí com o Conjunto 7 de Ouros de 1966. No Youtube você encontra vídeo dele cantando com Elis Regina músicas de Cole Poter - George Gershwin. Sinceramente não sei por onde anda, nem se ainda está vivo.

Ed Maciel (Edmundo Maciel Palmeira)
Músico, arranjador, compositor e maestro.
Edmundo Maciel nasceu numa família de trombonistas. Seu pai e seus irmãos tocaram trombone, sendo que Edson (conhecido no Beco das Garras como Maciel Maluco), também seguiu carreira. Os irmãos chegaram a tocar juntos em alguns grupos.
Ed Maciel teve formação erudita. Chegou a tocar na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal. Tocou em orquestras de baile, muito comum nos idos de 50 e 60. Excursionou com essas orquestras por um tempo, depois formou seu próprio grupo os “Cariocas Serenaders” (Júlio Barbosa – piston, Moacir Marques da Silva - sax tenor, Paulinho Magalhães – bateria, Paulo Moura – clarinete, Chaim Lewak – piano e Aderbal Moreira – sax barítono. Depois formou o Conjunto 7 de Ouros.

Em 1966 formou a Edson Maciel e Sua Orquestra. Lançou 11 discos de baile.

Além dessas funções, ainda tinha tempo para participar de outros grupos, como: Os Gatos, de Eumir Deodato e Durval Ferreira, Os Cobras de Moacyr Silva e Waltel Branco, etc. Também fez arranjos e participou de discos de estúdios da nata da MPB.

Tudo isso ao mesmo tempo, junto. Haja fôlego.

* Esse disco acho que não saiu em CD.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sérgio Mendes e Bossa Rio - Você Ainda Não Ouviu Nada - 1963

Músicos
Sérgio Mendes (piano, arranjo)
Edison Machado (bateria)
Tião Neto (baixo)
Aurino Ferreira (sax tenor)
Edson Maciel (trombone de vara)
Raul de Souza (trombone de válvula)
Hector Costita (sax tenor)
*Tom Jobim (arranjo)

Músicas
01 - Ela é carioca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
02 - O amor em paz (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
03 - Coisa nº 2 (Moacir Santos)
04 - Desafinado (Newtom Mendonça e Tom Jobim)
05 - Primitivo (Sérgio Mendes)
06 - Nanã (Moacir Santos)
07 - Corcovado (Tom Jobim)
08 - Nôa... Nôa... (Sérgio Mendes)
09 - Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
10 - Neurótico (J.T. Meirelles)

Rio de Janeiro, início da década de 60. Copacabana e suas casas noturnas, os clubes de jazz e suas jam sessions. O Beco das Garrafas, lugar onde se tocava e criava música - a música brasileira em transformação. A Bossa Nova a conquistar o mundo. Este foi o cenário em meio ao qual surgiram infinidades de trios, quartetos, quintetos, sextetos e, entre eles, o time de músicos brilhantes liderados por Sérgio Mendes: o Sexteto Bossa Rio. A primeira formação apresentou-se no Festival de Bossa Nova realizado em novembro de 1962, em Nova York no Carnegie Hall, com Pedro Paulo (trompete), Paulo Moura (sax), Durval Ferreira (guitarra), dom Um Romão (bateria) e Octávio Bailly (baixo). O conjunto impressionou o saxofonista norte-americano Cannoball Adderrley, que os convidou a gravar o disco Cannoball's Bossa Nova naquele mesmo ano. (texto do CD)

Em 1963, já de volta ao Brasil, Sérgio Mendes reuniu-se a Tião Neto, Edison Machado, Raul de Souza, Edson Maciel e Hector Costita, e gravou esse histórico LP.

Tenho muito para falar deste grande disco. Por enquanto vão curtindo essa paulada aí.
Antes de mais nada vou falar um pouco da turma:

Sérgio Mendes – nasceu em Niterói - RJ - 1941. Começou no piano clássico e se apaixonou pelo jazz como muitos outros garotos da época. Seu primeiro LP foi “ Dance Moderno” (vai sair aqui, mais tarde) com Tião Neto e Victor Manga (também tenho que falar dele). Com a morte do baterista Victor Manga, chamou Edson Machado pra bateria e Tião Neto (baixo) e foram para os EUA. Embora não seja um pianista virtuose como Luizinho Eça, sempre foi um grande empresário e farejador de sucesso. Sejamos honestos: toca bem e faz uns arranjos originais.

Tião Neto – também de Niterói – foi ele que levou Sérgio Mendes pro Beco das Garrafas no Rio de Janeiro (reduto da Bossa Instrumental). Fundou o “Bossa Três” com Luiz Carlos Vinhas e Edson Machado. Olha que time. Tião Neto é aquele baixo que se ouve no famoso disco “Stan Getz e João Gilberto”. Em 1993 lançou seu único disco solo “Carrossel” (ninguém conhece, ninguém ouviu). Tocou com todo mundo, tanto em estúdio como ao vivo. Mas a vida de baixista é ingrata, nunca é o centro das atenções. Faleceu em 2001, quase esquecido.

Edison Machado – queria tocar piano, mas acabou na bateria. Acho que foi um bom negócio. Foi o inventor da Hard Bossa, ou seja, samba no prato e a batida nos aros da caixa. Tocava nas gafieiras dos subúrbios cariocas e caiu também no Beco das Garrafas. Lançou em 1963 “Edson Machado é Samba Novo”. Grande disco (já rolou por aqui). Integrou o Rio 65 Trio e o Bossa Três. Foi para os EUA e tocou com todo mundo. Em 70 foi para Europa e tocou com Chet Baker e Ron Carter. Eu pagaria tudo pra ver esse trio. Faleceu em 1990, depois de voltar ao Brasil e fazer uma apresentação histórica na antiga boate People, no Leblon. Depois falo sobre essa apresentação.

Raul de Souza – Raulzinho pros mais chegados. O cara começou tocando Tuba, passando por outros instrumentos até chegar ao trombone. Trombone de válvula, que fique aqui a observação. Assim como Edson Machado, entre outros, sua grande escola foi as gafieiras do Rio. Em algum momento ainda vou falar sobre essas gafieiras do Rio da década de 50 e 60. Eram muitas. Em 1965 lançou o grande disco “A Vontade Mesmo”. Neste disco todo mundo deita e rola na harmonia, a vontade mesmo, como diz o nome do disco. Também já coloquei na pista. Em 70 foi morar nos EUA, mais um, a convite de Airton Moreira. Aí tocou com Sonny Rollins, George Duke, Chick Corea e o que viesse. Foi considerado, na época, um dos melhores do mundo em seu instrumento. Para quem tinha começado com a Tuba... Sinceramente, não é minha especialidade, mas o que o cara toca é assustador.

Edson Maciel – mineiro de BH. Aos 15 anos já estava tocando em orquestras de baile e rádio (olha outro prodígio aí). Aos 25 anos já excursionava com Ary Barroso. Foi um dos pioneiros do Beco das Garrafas, apresentando-se com Leny Andrade e Johnny Alfy. Era conhecido como Maluco Maciel para diferenciar do outro Maciel. Foi um dos maiores trombones do Brasil. Que o digam João Donato, João Gilberto e Milton Banana. Os solos do cara deixavam Quincy Jones de boca aberta. Era só improviso pauleira. Infelizmente faleceu em 1992.

Hector Costita – argentino. Começou aos 13 e já com 18 anos tocava numa big band de Lalo Schifrin. Veio para o Brasil em 1959 e conheceu um maluco chamado João Donato. Formaram um trio. No Brasil tocou e gravou com muita gente. Participou de diversos grupos. Sempre com uma sonoridade melódica e sofisticada. Foi para a Europa no começo da década de 70. Sempre apaixonado pela música brasileira. Taí um argentino gente boa. Na década de 90 foi pra São Paulo e se tornou professor do Conservatório de Música de Tatuí. Onde está? Não sei. Vou pesquisar.

Aurino Ferreira – bahiano de Feira de Santana – Também começou a tocar em bailes, pra variar. Deixou o curso de odontologia, Graças a Deus, e pegou o sax tenor. Foi músico da Rádio e TV Tupi e freqüentador assíduo das jams do Beco das Garrafas no final dos anos 50. Formou o Quinteto Jazz e Bossa com o ainda garoto Sérgio Mendes. Formaram o Bossa Rio. Depois de gravar com todo mundo, foi tocar com Roberto Carlos. Acho que ainda está lá. Vou conferir.

O que se ouve neste disco não é comercial e está longe de ser alienado. Ao contrário, acrescentou ao lirismo da já velhinha Bossa Nova uma nova estruturação harmônica, densa, com um embalo contagiante e sensual. Sem sombra de dúvida, é outro momento da história da Bossa.

*Sobre Sérgio Mendes vou falando aos poucos.

* Esse disco já foi lançado em CD. Procurar nas melhores lojas do ramo. Saraiva, Americanas. Até no Mercado Livre. Vou tirar daqui. Mas você também encontra no google procurando por Sergio_Mendes_Bossa_Rio_1963 


Bom som pra vocês.

domingo, 17 de outubro de 2010

Os Biribaboys - Biribalanco - 1965


Músicos
Wilson Benedetti (sax tenor, clarinete)
J. B. Alves (pistom)
Sidney Jacobino (guitarra)
Domingos Machado (órgão)
Tiao Santos (baixo)
Fernando Costa (bateria)
Olavo Batista (vocal)
Roberto Friggi (percussão)
Jurandir Pereira (percussão)

Músicas
01 - Samba de Verão (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
02 - O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
03 - Ela É Carioca (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
04 - Quitessência (J. T. Meirelles)
05 - Sambach (Domingos Machado)
06 - The Blues Walk (C. Brow)
07 - Consolação (Vinicius de Moraes / Baden Powell)
08 - Don't Blame Me (J. Mc Hugh / D. Fields)
09 - Ainda Mais Lindo (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
10 - Biribalanço (Wilson Benedetti)

Banda criada pelo grande pianista e arranjador Sérgio Weiss (Sérgio Adelchi Bonádio Weiss - neste disco ele é apenas o supervisor) lá pelos anos 50. Era uma banda de baile (animou mais de 6 mil), como rolava muito nessa época. Ainda não havia os tais DJ´s. Era tudo na paleta, bateria, teclado e no gogó. Tudo ao vivo. Era festa de formatura, 15 anos, sábados e domingueiras. A galera curtia só ao vivo. Tenho saudades dessa época. Daí surgiu Os Biriba Boys. O nome é dedicado ao cachorro Biriba, mascote do Botafogo. Só não me pergunte como surgiu o nome, embora a banda seja paulista (São José dos Campos). Poderia ter um mascote do Palmeiras que arrebentava nessa época. Bom, isso é outra história.

Os músicos no palco tocando só sucesso: mambos, chá-chá-chás, boleros, sambas e até rock'n'roll, e os casais dançando "dois-pra-lá, dois-pra-cá”, de rostinho colado. Nas décadas de 50 e 60 era isso que nos dava tesão. Antes do primeiro acorde já estávamos apaixonados.

Esse disco eles dedicaram a Bossa Nova, isto é o que interessa. Som na caixa.
Eles gravaram outros discos. Depois eu ponho na pista.
Estou impressionado como tem informação sobre Os Biriba Boys na Internet. Conferindo...

* Esse disco não saiu em CD. Por enquanto você acha no google procurando por Os_Biribaboys_Biribalanco_1965.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

J.T. Meirelles - Fotos de 1963 e 1964


Aponte para imagem para ampliar.

J.T. Meirelles e os Copa 5 - O Som - 1964



Músicos
J.T. Meirelles (sax e flauta)
Manoel Gusmão (baixo)
Pedro Paulo (trompete)
Luiz Carlos Vinhas (piano)
Dom Um Romão (bateria)

* As 3 faixas bônus (O Novo Som, Solo e Serelepe) são do disco de 1965 "O Novo Som” de Meirelles e os Copa 5, só que com outra formação:

J.T. Meirelles (sax e flauta)
Manoel Gusmão (baixo)
Roberto Menescal (violão)
Waltel branco (guitarra)
Eumir Deodato (piano)
Edson Machado (bateria)

Músicas
01 – Quintessência
02 – Solitude
03 – Blue Bottle´s
04 – Nordeste
05 – Comtemplação
06 – Tânia
07 – O Novo Som
08 – Solo
09 – Serelepe

* Todas as músicas são de Meirelles.
O site http://www.meirelleseoscopa5.cjb.net/ tem muita informação sobre Meirrelles, inclusive partituras para quem queira se aventurar.

* Esse disco já saiu em CD. Procurar nas melhores lojas do ramo.



domingo, 10 de outubro de 2010

Quintessência - J.T. Meirelles

video
Grupo paulista formado por Daniel Nogueira (sax) e Vinicius Pereira (baixo) presta homenagem ao grande músico com Quintessência, música de J.T. Meirelles.

João And His Bossa Kings - Cool Samba - 1962


Músicos
JT Meirelles (sax e flauta)
Silvio Lopez (trumpete)
Antonio Oliveira (piano)
Manoel Gusmão (baixo)
Jayme Storino (bateria)
Amauri Rodrigues (percussão)

Músicas
01 - Só danço samba (Tom Jobim)
02 - Samba sem nome (Fred Marshall)
03 - Se teus olhos falassem (Jose Domingos)
04 - Batucada ( Luiz Bonfá)
05 - Conselho a quem quiser (Silvio Cezar)
06 - Solução (Ivo e Raul Santis)
07 - Carnival Medley - Eu agora sou feliz (Cosata e Bispo), Piri Piri ( Ivo Santos e Nato)
08 - Gostoso é sambar (João Mello)
09 - Nação Nagô (Capiba)
10 - Samba Toff (Orlandivo)
11 - Essa nega sem sandália (Caco Velho)
12 - Ilha do amor (Fred Marshall)
13 - Ritmos carnavalescos improvisados (Fred Marshall)

J.T. Meirelles (João Theodoro Meirelles)

Neste disco João And His Bossa Kings “Cool Samba” de 1962, Meirelles só tinha 22 anos e já era essa fera. Se não me engano é o único disco dele com o nome João. É um disco para o mercado americano. É pouco conhecido no Brasil.

Meirelles começou a tocar aos 8 anos e com 17 já era o saxofonista preferido de João Donato. Estudou composição e arranjo na Berklee School of Music (Boston, Massachusetts).

Em 1963 formou o grupo Copa 5 com Manuel Gusmão (baixo), Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria) e Pedro Paulo (baixo) e caíram na noite do Bottle's Bar do Beco das Garrafas (RJ). O Copa 5 é o grupo responsável pelo som incrível na gravação original de "Mais Que Nada" de Jorge Ben (Benjor). O início de carreira de Jorge Ben se deve muito aos arranjos de Meirelles. No disco de Jorge Ben “Samba Esquema Novo”, além do som dos Copa 5, os arranjos são de Meirelles.

Entre 1965 e 1967 escreveu diversos arranjos para diferentes edições do histórico Festival Internacional da Canção da TV Globo. Em 1966 participou do Berlin Jazz Festival, com Edu Lobo, Rosinha de Valença, Dom Salvador Trio e Sérgio Barroso. Tem um filme desta apresentação no blog (veja Edu Lobo).

Lançou, em 1965, o LP "O Novo Som", com nova formação do Copa 5 integrada por Roberto Menescal (violão), Waltel Branco (guitarra), Edson Machado (bateria), Eumir Deodato (piano) e Manoel Gusmão (contrabaixo). Olha o Waltel Branco aí de novo. É aquele do disco "Mancini Também é Samba", onde Meirelles toca Sax Alto e Sax Tenor. No disco aí de cima Eumir Deodato só tinha 23 anos.

Nesta mesma época participou do conjunto Os Cobras, com o qual lançou o álbum “O LP” (1964), e do conjunto Os Gatos (dividindo os arranjos com Durval Ferreira), com o qual lançou os LPs “Os Gatos” (1964) e “Aquele Som dos Gatos” (1966). Mais tarde vou disponibilizar esses discos aqui. São grandes discos.

No início dos anos 70 viveu durante três anos no exterior (França, Suécia e Monte Carlo), integrando várias orquestras. Apresentou-se no Mikonos Jazz Club, como integrante do grupo Stress com Márcio Montarroyos, Laércio de Freitas, Luizão Maia e Pascoal Meirelles.Em 1980, participou, como arranjador, do Festival da Canção da TV Tupi. Em 1982 atuou no MPB Shell da TV Globo.

Como instrumentista, arranjador ou maestro, no Brasil, tocou com quase toda a MPB. Formou alguns dos melhores sopros do Brasil como Mauro Senise, Cacau, Raul Mascarenhas, Zé Nogueira e Nilson Matta e muitos outros.

Nos anos 90, meio desiludido, ficou fora de apresentações. Se dedicou a programação musical computadorizada, edição gráfica, impressão musical e arranjos midi. Acho que nem tinha mais instrumento. Era visto nas bancas de disco usado da Pedro Lessa, famoso sebo, ao lado da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Foi então que os freqüentadores e donos de barraca fizeram uma ”rachucha” e compraram um sax novo para ele. A partir de então, com esse renascimento, passou a tocar na loja de discos Modern Sound em Copacabana. A sua presença levou muita gente boa que estava esquecida a voltar a se apresentar. A Modern Sound acabou se tornando um grande centro irradiador da boa música no Rio de Janeiro, se não me engano, graças a volta deste excepcional músico J.T. Meirelles. Infelizmente faleceu em 2008.
O arquivo abaixo aparece 1966, mas na realidade é de 1962.

* Esse disco acho que não saiu no Brasil em CD. Procurar no google por Joao_His_Bossa_Kings_1966

domingo, 3 de outubro de 2010

Bola Sete - Diversos


Bola Sete - Bossa Nova - 1962

Músicos
Bola Sete (violão)
Tião Neto (Baixo)
Chico Batera (bateria)

Músicas
01 - Tô de sinuca (Bola Sete)
02 - Meu Mundo Diferente (Konrad - Bola Sete)
03 - Dilema (O. Guilherme - Jacques)
04 - Piteuzinho (Bola Sete)
05 - Se Acaso Voce Chegasse (Lupcinio Rodrigues)
06 - Samba do Perrotoquei (Djalma Ferreira)
07 - Manha de Carnaval (Antonio Maria - Luiz Bonfa)
08 - Muita Bossa Brasileira (Bola Sete)
09 - Por Causa de Voce (Dolores Duran - Tom Jobim)
10 - Cingandinho (Bola Sete)
11 - Agora é Cinzas (Marcal - Bide)
12 - Sem Voce (Konrad - Bola Sete)

Bola Sete, Djalma Andrade, nasceu em 12 de julho de 1923 no Rio de Janeiro e faleceu em 13 de fevereiro de 1987. Santana, ao receber um de seus primeiros "Grammy", afirmara que uma de suas grandes influências tinha sido Bola Sete. A partir daí ele retornou ao centro do sucesso mundial. Todos queriam saber quem era Bola sete. Este não é seu melhor disco. Depois apresento outros.

Muitos músicos brasileiros em diferentes épocas, por diversos motivos, foram tentar a sorte nos Estados Unidos. No final dos anos 40 e início dos 50 foram Carmem Miranda, Bando da Lua e Ary Barroso. Mais ou menos por ordem de chegada: Laurindo de Almeida, Luiz Bonfá, Bola Sete, os instrumentistas Moacir Santos, Eumir Deodato, Sérgio Mendes, Oscar Castro Neves, Airto Moreira, João Gilberto, Tom Jobim, e muitos outros. Alguns passaram um tempo e depois ficaram na ponte-aérea, como foi o caso de João Gilberto e Tom Jobim. Embora tenham se tornado ícones nos EUA, nem todos tiveram reconhecimento no Brasil. Bola Sete ficou por lá tocando com cobras do Jazz e ficou esquecido no Brasil.

Em 1954 formou uma orquestra que correu América Latina e Espanha. Mudou-se para os Estados Unidos em 1959. A partir de 1960, Bolsa Sete começou a tocar com todo mundo. A partir daí, ninguém mais segurou Bola Sete. Em 1962, participou do Festival de Monterey, na Califórnia, E.U.A., como integrante do conjunto de Dizzie Gillespie. Esteve na Noite da Bossa Nova, no Carnegie Hall. Montou seu trio com os impecáveis Tião Neto no baixo, e Chico Batera na percussão.

Deixou dez LPs gravados nos Estados Unidos, o mais procurado dos quais, com Vince Guaraldi. Ao lado de Oscar Aleman e Paquito D´ Rivera, Bola Sete foi um dos criadores do jazz latino, unindo a sofisticação harmônica do jazz com a improvisação do choro, da bossa e dos ritmos caribenhos.

Bola Sete tem um site oficial onde se pode obter muita informação http://www.bolasete.com/

* Nunca ouvi falar que este disco fora lançado em CD. Procurar no google por Bola_Sete_Bossa_Nova_1962

sábado, 2 de outubro de 2010

Edgar Gianulo - Jazz Brasil - 1990 - TV Cultura SP



Programa Jazz Brasil, da TV Cultura (SP), 1990, apresentado pelo Zuza Homem de Mello, estrelando o grande Maurício Einhorn, na gaita de boca, acompanhado por Edgard Gianulo (guitarra), Arismar do Espírito Santo (Baixo) e Roberto Sion (sax).

Edgard Gianullo - O Assunto é Edgard - 1964


Músicos
Edgar Gianullo (guitarra)
Arrudinha (bateria)
Capacete, Azeitona (baixo)
Bolao (sax)
Maguinho (piston)
Caçulinha (vibrafone)


Músicas
01 - Balanco Zona Sul (Tito Madi)
02 - Incerteza (Tasso Bangel)
03 - Rio (Roberto Menescal / Ronaldo Boscoli)
04 - Lamentos do Morro (Garoto)
05 - Nana (Moacir Santos / Mario Telles)
06 - Corcovado (Antonio Carlos Jobim)
07 - Deus Brasileiro (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
08 - Favela (Heckel Tavares / Joracy Camargo)
09 - Amanha (Walter Santos)
10 - Primo (Edgar)
11 - Ela e Carioca (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
12 - Eco em Fuga (Ely Arcoverde)

Músicos e publicitário Edgar Gianullo é o recordista brasileiro de gravação de comerciais. (jingle). Também é humorista (trabalhou na Família Trapo) e um músico de primeira qualidade, tendo liderado vários conjuntos com clara influência do jazz e da Bossa Nova. O mais recente dos quais o Quatro por Quatro. Participou da orquestra de Simonetti e acompanhou inúmeros cantores da MPB.

Agora o que mais me impressiona é que um músico como Edgard Gianullo não conste no dicionário Cravo Albin.

* Esse disco acho que não saiu em CD. Procurar no Google por Edgar_Gianulo_1964. Por enquanto.

domingo, 26 de setembro de 2010

Luiz Eça e Bill Evans - Chico´s Bar - 1979


Músicas
01 – Noell´s Theme
02 – Who Can I Turn To
03 – Letter to Evan
04 – Laurie
05 – Five
06 – Wave
07 – Chorinho Pra Ele
08 – Letter To Evan
09 – Laurie
10 – Bill´s Hit Tune
11 – Corcovado
12 – One Note Samba-Stella By Stalight
13 – E nada mais

Pessoal, este disco foi gravado ao vivo no antigo Chiko’s Bar na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Quando digo ao vivo é ao vivo mesmo. Todo mundo conversando, comendo, bebendo e alguns ouvindo o que ali se passava. Para vocês terem uma idéia a gravação foi feita numa fita K7 e com o microfone no piano. Mas vale o registro e a curiosidade. Mais tarde esse disco foi lançado como Piano Four Hands: Bill Evans&Luiz Eça. O artigo abaixo do Muggiati explica melhor o que realmente rolou.

“20/09/2010 - Roberto Muggiati, Estado de São Paulo, 11/09/2010
A última vez que Bill Evans tocou no Brasil foi em 29 de setembro de 1979, na Sala Cecília Meireles, no Rio. Na verdade, foi a penúltima. Mal terminou o concerto, Bill foi abduzido para uma boate da Lagoa, o Chiko’s Bar, reduto do pianista Luizinho Eça. A empatia entre Evans e Eça era enorme. Em 1970, no álbum "From Left To Right" – em que tocava piano acústico com a mão esquerda e elétrico coma direita – Evans gravou um tema do brasileiro, "The Dolphin", o golfinho imaginário de um crepúsculo na Lagoa que exaltou a inspiração de Eça. Como a canção foi parar nas mãos de Evans é uma destas típicas anedotas do destino. Uma figura anônima – como aquele estranho que bateu uma noite à porta de Mozart e encomendou o Réquiem – entregou a Bill num estúdio de gravação em Los Angeles uma pasta cheia de partituras. Um dia, Bill deu uma espiada na pasta e apaixonou-se por "The Dolphin". Gravou oito takes; um deles, acrescido da orquestração de Mickey Leonard, foi batizado de "The Dolphin-After". (A integral do golfinho está em The Complete Bill Evans on Verve, caixa de 18 CDs.)

Apesar de pressões dos fãs, Bill nunca mais tocou "The Dolphin", nem na noite do Chiko’s Bar, na presença do seu autor. Evans já tinha gravado piano a seis mãos (todas suas, dubladas) em "Conversations With Myself", e a quatro mãos (também suas) em "Further Conversations With Myself", além de um álbum de duetos de piano com Bob Brookmeyer, "Ivory Hunters". O que ouvimos agora "Piano Four Hands – Live in Rio 1979" é um dueto informal no mesmo piano, Evans geralmente no registro agudo e Eça no grave, todo mundo solto e relax na madrugada de domingo, 30 de setembro de 1979. Um advogado boa praça pediu ao discotecário do Chiko’s para gravar o que rolasse e saiu da boate com uma hora de gravação numa fita K7 Basf. Como, 30 anos depois, a fita virou cd pela Jazz Lips Music,um obscuro selo britânico, é outra anedota.Entre as 14 faixas do cd, estão clássicos do próprio Evans ("Bill’s Hit Tune", "Laurie", "Five", "Letter to Evan") e favoritos seus como "Noelle’s Theme" (Legrand) e "Who Can I Turn To" (Bricuse-Newley). Além de "The Dolphin", Evans só gravou de brasileiros dois Jobins ("All That’s Left Is To Say Goodbye" e "Chora Coração"), um Francis Hime ("Minha/All Mine") e um Baden Powell não creditado ("Deve ser amor/It Must Be Love").

Na noite do Chiko’s ele e Eça trocam figurinhas em "Corcovado", que dura 3:57, e arriscam "One Note Samba", abortado em poucos segundos, que serve de trampolim para "Stella by Starlight". O famoso standard começa como um samba e então Luizinho o traz de volta ao 4/4, acompanhado por Bill, que a seguir retoma a melodia em grande estilo – ao todo 8:26 de puro jazz. O baixista Marc Johnson participa de seis faixas; Joe La Barbera comparece apenas como ouvinte – não há bateria nestas gravações.Além de Evans e Eça, Leny Andrade canta "Wave", acompanhada pelo pianista Cidinho Teixeira, que contribui ainda com "Chorinho Pra Ele" (Hermeto Pascoal) e encerra com "E nada mais" (Durval Ferreira-Lula Freire) em duo com Luizinho. Grande mistério da noite, resta um "Untitled" original (2:14) de Bill Evans, com aquela beleza introspectiva que era sua assinatura pessoal.

O advogado jazzófilo Arthur Lins lembra: “O Evans estava no auge da fama e da piração, muito sensível, tocando com um feeling extremado. Tinha a cabeleira caída no rosto, cabeça curvada, a testa quase tocando o teclado. Os dois fizeram uma apresentação maravilhosa que atingiu o clímax às 4 horas da madrugada.” Bill seguia célere na sua descida no Maelstrom. O suicida era ele, mas quem se matou (com um tiro) foi seu irmão, Harry, três meses antes. (Seis anos antes, a namorada de Bill por 12 anos, Ellaine, se jogou debaixo de um trem do metrô de NY.) Quem o visse de perto no Rio, notaria as mãos do pianista, antigamente longilíneas, gordas e inchadas pelo uso de drogas. Bill sangrou até morrer em 15 de setembro, aos 51 anos, num hospital de Nova York, de úlcera hemorrágica e pneumonia bronquial. Segundo sua mulher, “Bill planejou ativamente uma fuga da dor.” E o biógrafo, Peter Pettinger: “Seu suicídio lento carregava sua própria dor, mas a agonia foi desafiada por seu êxtase artístico.”

Luizinho Eça morreu de enfarte, aos 56 anos, em 1992. Mas, aqui, eles estão lado a lado, brincando nas 88 teclas de um piano mais iluminados do que nunca.

Poderia acrescentar outras histórias nessa história. Freqüentei muitas noites o Chiko’s Bar. Mas acho que já está de bom tamanho. O texto não é meu. Conhecia alguns detalhes, mas não tanto. O importante é que vocês saibam qual a importância de Luizinho Eça.


Será que Luizinho ganhou algum com esse "outro" disco?

* Esse disco nunca saiu no Brasil com créditos para Luizinho. Você pode achar procurando por Luiz_Eca_Bill_Evans_Chikos_Bar_1979.