domingo, 10 de janeiro de 2016

Tom Jobim - Tide - 1970


Outro discão de Tom Jobim.

Músicos
Antonio Carlos Jobim (violão, piano, piano elétrico)
Urbie Green (trombone)
Garnett Brown (trombone)
Jerry Dodgion (flauta, sax alto)
Joe Farrell (flauta, flauta baixo, sax soprano)
Hubert Laws (flauta)
Romeo Penque (flauta)
Hermeto Pascoal (flauta)
Ray Alonge (trompa)
Joe De Angelis (trompa)
Burt Collins (trompete)
Marvin Stamm (trompete)
Ron Carter (baixo)
Airto Moreira (percussão)
Everaldo Ferreira (congas)
João Palma (bateria)
Eumir Deodato (piano)
Frederick Buldrini (violino)
Paul Gershman (violino)
Emanuel Green (violino)
Harry Katzman (violino)
David Nadien (violino)
Max Polikoff (violino)
Matthew Raimondi (violino)
Harry Lookofsky (violino tenor)
Al Brown (viola )
Harold Coletta (viola)
Charles McCracken (cello)

George Ricci (cello)

* Simples assim.

Músicas
01 - The Girl From Ipanema (Tom Jobim/Vinícius de Moraes)
02 - Carinhoso (Pixinguinha)
03 - Tema Jazz (Tom Jobim)
04 - Sue Ann (Tom Jobim)
05 - Remember (Tom Jobim)
06 - Tide (Tom Jobim)
07 - Takatanga (Tom Jobim)
08 - Caribe (Tom Jobim)
09 - Rockanalia (Tom Jobim)

Fim de Inverno, temporada de patinação no Central Park. Naquela primavera fria de Nova York (1970), Tom, com a mala cheia de partituras e com saudades do mormaço do Leblon, grava dois discos antológicos: "Stone Flower"e "Tide". O segundo é um prolongamento do primeiro. Ambos com Eumir Deodato nos arranjos. Uma dupla infernal.

* Já vou falar sobre esse grande disco.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Tom Jobim - Stone Flower - 1970


Para mim, é o melhor disco que já ouvi.
É o "Kind Of Blue" de Jobim.

Músicos
Antônio Carlos Jobim (piano, piano Hammond, vocal e apito)
Eumir Deodato (guitarra e piano Hammond)
Ron Carter (contrabaixo)
João Palma (bateria)
Airto Moreira e Everaldo Ferreira (percussão)
Hermeto Pascoal, Jerry Dodgion, Romero Penque (flauta)
Joe Farrell (flauta baixo)
Burt Collins, Marvim Stamm (trompete)
Garnett Brown (trombone)
Ray Alonge, Joe de Angelis (trompa)
Urbie Green (trombone)
Joe Farrell (sax soprano em "God and the Devil")
Hubert Laws (solo de flauta em "Amparo")
Harry Lookofsky (solo de violino em "Stone Flower")

* Arranjos e Regência: Eumir Deodato.

Músicas
01 - Tereza My Love (Tom Jobim)
02 - Children's Games (Tom Jobim)
03 - Choro (Tom Jobim)
04 - Brazil ("Aquarela do Brasil" - Ary Barroso)
05 - Stone Flower (Tom Jobim)
06 - Amparo (Tom Jobim)
07 - Andorinha (Tom Jobim)
08 - God And The Devil In The Land Of The Sun (Tomm Jobim)
09 - Sabiá (Tom Jobim de Chico B.H.)
10 - Brazil ("Aquarela do Brasil" - Ary Barroso)

* Só um músico de grande prestígio poderia arregimentar um time dessa categoria. Assim era Tom Jobim. Dois anos após a grande vaia de "Sabia",  no Maracanãzinho, Tom volta a Nova York para gravar dois grandes discos: "Stone Flower" e "Tide", ambos instrumentais, com arranjos e regências de Eumir Deodato. Deodato, para mim, é o maior arranjador da obra de Jobim.

É impressionante como esses dois grandes discos foram gravados em um mesmo ano. "Stone Flower" em 23, 24 e 29 de abril de 1970. "Tide", em 20 e 22 de maio (reparem: dois dias). É mole?

Em "Stone Flower", Jobim quebra toda ligação com a Bossa Nova, assim como, em 1959, Miles quebrara o vínculo com o Bebop em "Kind Of Blue".

"Garota de Ipanema" e "Desafinado" já eram um grande sucesso nos EUA, Jobim não precisava mais disso. Era figura obrigatória em diversos programas de TV. Mas, ele lançou "Children's Games", "Stone Flower", "Andorinha" e 'Amparo" no mesmo disco. Esqueci de "Tereza My Love".

Quando subo a Serra, vou pra Itaipava, coloco esse disco pra tocar e me sinto bem.

01 - "Tereza My Love". É um tema em 2/2, lento e gostoso. Uma singela homenagem a sua esposa.

02 -  "Children's Games" ("Chovendo Na Roseira"). O título da música também aparece como "Double Raimbow" em algumas versões americanas.  Uma introdução marota, meio jazzística (4/4), que se desenvolve numa valsinha 3/4. Um clássico. "Você é de ninguém"

03 - "Choro" ("Garoto"). Não é um choro convencional, com pandeiro, flauta e cavaquinho. É um choro de orquestra, meio Radamés, com andamento mais lento. Belíssimo tema. Compasso 2/2, mais uma vez.

04 - "Brazil" ("Aquarela do Brasil"). É uma das músicas mais famosas do mundo. Não gosto da letra "Ah, esse Brasil lindo e trigueiro, É o meu Brasil brasileiro, Terra de samba e pandeiro". Salve Ary Barroso! Tom não inventa muito, mantém o sacolejo das primeiras gravações dessa obra prima. Resolve até cantar. Não ficou ruim. Claro que é uma homenagem a Ary. Tom também presta homenagem a outro dos seus ídolos, em "Tide", com a música "Carinhoso" de Pixinguinha.

05 - "Stone Flower" ("Quebra Pedra"). Uma das maiores músicas de Tom Jobim. É de arrepiar. O arranjo de Deodato é algo de pura inspiração. Ele cria o clima perfeito para o tema. A introdução já começa com reco-reco, apito, bateria, agogô (Airto Moreira e Everaldo Ferreira), violão e a nota Dó segurando um baixo pedal para o trombone de Urbie Gree e Harry Lookofsky no violino. A música é um baião em 2/2 sofisticado. Carlos Santana, que esteve no Brasil em 1971, para tocar no "Montreux Jazz Festival", no teatro Municipal, levou muita coisa com ele. Em 1973, no LP "Caravanserai", grava "Stone Flower": Uma paulada. Recomendo.

06 - "Amparo" ("Olha Maria"). Tema criado por Tom para uma personagem do filme americano "The Adventurers" ("Os Aventureiros"), dirigido pelo inglês Lewis Gilbert ("Alfie"). Mais tarde Chico Buarque colocou letra e passou a se chamar "Olha Maria". É um tema longo, em 2/4. belíssimo, cheio de variações. Não tem nada com Bossa Nova nem com "Stone Flower". Tom Jobim estava criando uma obra prima atrás da outra.

07 - "Andorinha" ("Andorinha"). É uma música tão bonita que ninguém se atreveu a mexer nem no nome. Quando você abre a partitura e vê aqueles 5 bemóis na armadura (Re Bemol-Db) pensa logo em transpor para meio tom abaixo, Dó Maior (C). Esqueça. Não funciona. A simplicidade e a beleza da música é contagiante, só funciona assim. Só ouvindo.

08 - "God And The Devil In The Land Of The Sun" ("Entre A Cruz E a Caldeirinha"). Uma homenagem a Glauber Rocha ("Deus E O Diabo Na Terra do Sol"), com show de Joe Farrell no sax soprano. Mais um baião, só que agora em 4/4.

09 - "Sabiá" ("Sabia"). Assim como "Andorinha", não tem o que mexer. O mais difícil nesse tema é acompanhar o andamento e cantar a melodia sem "atravessar".  Introdução em 2/2 e 6/4, e melodia em 2/2. Também dá para tocar em 4/4. Essa é aquela musica da histórica vaia que Tom Jobim recebeu no III Festival Internacional da Canção, em 29/09/1968 (Fase Nacional) ao derrotar "Para Não Dizer Que Não Falei De Flores, de Geraldo Vandré. No mesmo local, Maracanãzinho, 06/10/1968, Tom Jobim, foi aplaudido de pé, com a mesma música, Sabiá, ao derrotar Paul Anka, representante do Canadá com a música "This Crazy World Is Comming Undone". 1968 não foi um ano normal.

Tom volta ao Brasil, com a sua bermuda esculhambada, seu carro velho e o seu chinelo Rider para beber alguns chopps gelados com seus amigos do Leblon. Tom Jobim ainda não sabia que ele era Tom Jobim.


Miucha & Tom - 1979


Outro disco gostoso. Sinal que a fórmula deu certo. 
"Tudo tão bom quanto o primeiro disco" da dupla.



Já vou falar sobre esse disco.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Miucha & Tom - 1977



É muito difícil definir o que é um disco gostoso.
Se é que vocês me entendem.

É o tipo de gravação quase doméstica. "Aperta o Play". Mas muito bem gravado. 
Um uisquinho aqui, outro ali e todos rindo de montão.

Delicioso esse disco.

P.S. Tom adorava gravar com Miucha. Vocês vão ver. 
Miucha já tinha feito Mestrado com João Gilberto, irmã de Chico Buarque de Holanda, foi fazer Doutorado com Tom Jobim. Não é pouca coisa não.

Canta muto!

Nesse disco Tom arrebenta no piano.

O disquinho foi feito depois do "Urubu". Tom estava de bermudão, sem fazer porra nenhuma, bebendo o seu shop na Plataforma, quando Miucha o chamou pra gravar algumas musiquinhas. Sem compromisso. Eles já tinham feito isso milhões de vezes. Essa, deu certo. Gerou esse disquinho.

Gostoso!

















As fotos falam por si. Como eu disse: Um disco gostoso de se ouvir.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Tom Jobim - Urubu - 1975


Já vou falar muito sobre esse disco.

Como havia prometido:

Músicos
Tom (piano, piano elétrico e violão)
Harry Lookofsky (violino)
Joe Farrell (sax soprano)
Urbie Green (trombone)
Hubert Laws (flauta)
Ron Carter (contrabaixo)
João Palma (bateria)
Airto Moreira (percussão)
Everaldo Ferreira (congas)

Arranjos do Claus Ogerman.


Urubu
Em 1975, Tom foi para os Estados Unidos gravar um disco. Queria fazer um disco sem nenhuma intervenção, sem pressa, disposto a bancar todas as despesas. Esperava vender a fita a uma gravadora, até pelo preço de custo. Seria um disco totalmente seu. O nome do disco seria “O Boto”. No Brasil se chamaria “Urubu”.

Chegando aos EUA, procurou Claus Ogerman para fazer os arranjos. João Palma assumiu a bateria, Ron Carter no contrabaixo, Ray Armand na percussão, e orquestra.

Em  “O Boto”, Jobim se apropria da música de Jararaca, Zé do Bambo e Augusto Calheiros, “Do Pilá”, para compor  o clima da música, cheia de pios de pássaros e berimbau (Ray Armand). No vinil, aparece apenas a parceria com Jararaca. Augusto Calheiros, fora um cantor e compositor famoso na década de 50, e, mesmo assim, a família não reclamou. Devem ter ficado lisonjeadas com a deferência.

“Lígia”. Tom Jobim cantando. Não está mal. A versão mais conhecida é do Chico Buarque de Holanda, que também não canta bem, mas ficou mais conhecida na sua voz, no disco “Chico Canta”.

“Correnteza”. Grande música. Parceria com Luís Bonfá. Djavan há pouco tempo regravou, mas não tem o mesmo clima. Aí, o “buraco é mais embaixo”.

“Ângela”.  Um clássico. Música belíssima. Sem comentários.

“Saudades do Brasil”. O arranjo de cordas na introdução é de arrepiar. Tom abre os dedos no piano, inverte alguns acordes, coloca o naipe como ele quer: “agora os pássaros”, “atenção para o silêncio das matas”. Sublime. Claus Ogerman escreve na pauta. Um grande entendimento, admiração e respeito. Uma paixão do alemão por Tom Jobim. Nem precisa ensaio. Segundo Sérgio Cabral, a ideia da música surgiu quando Tom estava no hotel e pegou uma faca para cortar carne. Era uma faca muito afiada e que trazia a expressão “Made in Brazil”. Daí a inspiração. Com um whisky a mais saia uma sinfonia.

“Valse”. Tema instrumental em 3/4 carregado de certa melancolia. Impregnado de Villa Lobos e Guimarães Rosa. A formação musical de todo pianista brasileiro está contaminada de valsa, choro, samba e tango. O jazz não tem nada a ver com o piano brasileiro. É outra onda. Assunto pra mais tarde.

“Arquitetura de Morar”. Outra valsinha, agora em 6/8. Mesma ideia de “Valse”.

“O Homem”. Villa Lobos do começo ao fim. Acho chata.

Após a gravação do disco, Tom procurou um médico, pois sentia muitas dores nas pernas. Fumava quatro maços de cigarro por dia. Diagnóstico: “inadequate perfusion of the lower limps”. Resumindo: trombose e outros babados.

Terminada a gravação, Tom volta ao Brasil. Quero-porque-quero que a capa do meu disco no Brasil tenha a foto de um urubu-jereba.

Atendendo ao pedido do nosso amigo Assis, amigo do fotógrafo do urubu, vamos ao fatos. 

Onde encontrar um urubu-jereba para fotografar? Um amigo, oficial da Marinha, levou Tom ao bairro do Grajaú, onde morava o almirante Sílvio de Camargo, um estudioso do mundo animal, assinante da revista Zoo News e especialista em urubus. O almirante falou, entre outras coisas, de uma experiência feita recentemente com o objetivo de entender por que as aves, que vinham distantes 50, 100 metros uma das outras, juntavam-se num determinado local: soltou balões numa manhã de sol e descobriu, junto à montanha, uma chaminé, ou seja, a termal que subia no Grajaú verticalmente. quando atingiam a uma determinada altura, embicavam para o Caju. As fêmeas voltavam para o morro, onde tinham seus ninhos. Enfim, foi uma aula sobre urubu e as suas manias. Devidamente instruído, Tom convidou o fotógrafo Januário Garcia para a difícil missão de fazer a foto do jereba. Durante duas semanas, Januário, Tom e Paulinho Jobim acordavam às quatro da madrugada e saiam em busca do urubu, sempre seguindo as recomendações do almirante Sílvio de Camargo. Até que um dia foram para Vargem Grande e pararam num posto de gasolina, onde Tom perguntou ao frentista se tinha visto algum "urubu diferente". O empregado do posto disse que não e fez uma cara de quem desconfiava da saúde mental do compositor. Dirigiram-se ao pé da serra, onde sobem os ventos quentes do dia e onde os urubus se concentram. Ali foi feita a foto. Aliás, uma bonita foto.

*Dados do livro de Sérgio Cabral.


Descanso.

Estive fora, mas estou de volta.


Bossa Nova Combo - 1963



Músicos
L. Urbanska (vocal)
W. Kruszynski (sax)
J. Sidorenko (sax)
K. Sadowsku (piano)
A. Skorupka (contrabaixo)
J. Gawrich e J. Bartz (bateria)

Músicas
01 - Desafinado
02 - W Samo Poludnie
03 - Bossa Nova Blues
04 - Suliman

* Grupo polonês, como tantos amantes da Bossa Nova, andou gravando alguns discos com a nova onda. Não é ruim, apenas, é mais um.