quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Luiz Chaves - Contrabaixo Brasil

Luiz Chaves (1931-2007)
Luíz Chaves Oliveira da Paz, nasceu em Belém-PA, em 27 de agosto de 1931. Irmão de outro grande contrabaixistra, Sabá (Sebastião de Oliveira Paz 1927-2010), Luiz Chaves, foi criado em meio musical; tanto seu pai, mãe e irmãos se dedicaram a algum instrumento.

Em 1953 mudou-se para São Paulo com a finalidade de estudar engenharia, mas a paixão pelo contrabaixo falou mais forte.

Depois de percorrer a frenética noite de São Paulo dos anos 50 e 60 grava o excelente disco “Projeção” com um time de primeira do samba-jazz da época. Nesse disco já aparecem os músicos, que em 1964, formariam o Zimbo Trio (Hamilton Godoy – piano e Rubens Barsotti – bateria).

A partir de 1964, sua biografia se confunde com a história do Zimbo Trio. Foram 37 anos tocando juntos. Em 2001, teve que se afastar do Trio devido ao agravamento da doença que o levou a morte em 2007 (Mal de Azheimer). Infelizmente a mesma doença que levaria três anos depois (2010) seu irmão Sabá (vide abaixo). Em 1964, o Trio estréia na Boate Oásis, São Paulo, acompanhando Norma Bengell.

Em 1965, o Zimbo Trio passa a ser o grupo de apoio para Elis Regina e Jair Rodrigues no programa “O Fino da Bossa” da TV Record de São Paulo. O programa transmitido ao vivo, produzido por Manoel Carlos e Nilton Travesso, foi líder de audiência por três anos (1965-1967) e recebeu grandes nomes da música popular brasileira como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Os Cariocas. Alguns novos talentos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Bethânia, Nara Leão, Baden Powell se consolidaram durante essas apresentações inesquecíveis. Além de Adoniran Barbosa, Sérgio Mendes, antes de partir definitivamente para os EUA, Hermerto Pascoal, Taiguara e muitos outros. A partir dessas apresentações foram gravados três disco antológicos, com o nome "O Fino da Bossa 1, 2 e 3". Inicialmente lançados em vinil, já podemos ouvi-los em CD e fazem parte da história da melhor música que o Brasil já produziu. Vale a pena conferir. No Youtube podemos assistir algumas apresentações desse programa. Com destaque para o dueto entre Elis e Simonal em 1966, em “Vem Balançar” de Walter Santos e Tereza Souza.

Em 1968, o Zimbo Trio grava dois discos ao vivo reunindo Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e o conjunto de choro Época de Ouro no Teatro João Caetano no Rio de Janeiro. Outro disco antológico.

A partir daí o Trio se consolida, não mais como um grupo de apoio e sim como um dos mais respeitados grupos de música instrumental do Brasil. Os arranjos se tornam cada vez mais sofisticados e precisos, passam a tocar com orquestras e com grandes nomes do cenário internacional. Muito dessa evolução musical se deve a Luiz Chaves.

Além da sua participação no Zimbo, Luiz Chaves tinha como atividade paralela a formação de novos músicos. Desenvolveu método de ensino do contrabaixo, deu aulas e compôs para conjunto e orquestra. Fundou a “Casa de Música Luiz Chaves” onde transmitia toda a sua experiência adquirida pela longa convivência com músicos e intérpretes.

Luiz Chaves faleceu em 22 de fevereiro de 2007, aos 75 anos de idade e foi sepultado no Cemitério Memorial Park, em Embu, em São Paulo. Ainda temos muito a escrever sobre esse grande mestre do contrabaixo.


Programa Ensaio - TV Cultura - 1994

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Luiz Chaves - Projeção - 1963

Esse é o irmão de Sabá. Já vou falar sobre ele.

Músicos
Luiz Chaves (baixo)
Rubens Barsotti (bateria)
Hamilton Godoy (piano)
Luis De Andrade "Boneca" (guitarra)
Demétrio (flauta)
Hector Costita (sax alto)
Magno D'Alcântara (trompete)
Carlos Alberto D'Alcantana (sax tenor)
Músicas  
01 - Berimbau (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
02 - Pra Que Chorar (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
03 - Dan Chá Chá Chá (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli
04 - Tim Dom Dom (João Mello/Codó)
05 - Miss Balanço (Helton Menezes/Ed Lincoln)
06 - Tormenta (Luiz Chaves)
07 - Influência do Jazz (Carlos Lyra)
08 - Nós e o Mar (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)
09 - O Samblues (César Camargo Mariano)
10 - Heloisa (Luiz Chaves)
11 - Estamos Aí (Durval Ferreira/Mauricio Einhorn)
12 - Telefone (Roberto Menescal/Ronaldo Bóscoli)

* Esse disco foi lançado originalmente em vinil pela RGE em 1963 e relançado em 2006, em CD, pela Som Livre. Por uns R$17,00 você encontra nas melhores lojas.
Se não encontrarem, procurar no Google por Luiz_Chaves_e_Seu_Conjunto

Chú Viana (Xu, Shu Viana) - Contrabaixo Brasil

Chú Viana (Manoel Luiz Lameira Viana)

No início dos 50, Chú Viana era considerado o melhor baixista nacional. Admirado por todos os iniciantes nesse instrumento, era o nosso Scott La Faro. Poderia ter tido um reconhecimento maior, não fosse o descompromisso com a carreira; chegava sempre atrasado aos ensaios, quando aparecia. Zé Rodrix que o conheceu bem dizia que era um gênio, absolutamente exótico, incontrolável e engraçadíssimo.

De 1960 a 1962 trabalhou no programa da TV Excelsior – Brasil 60, comandado por Bibi Ferreira, junto com Rubinho Barsotti e Pedrinho Mattar.

Em 1969 participa do disco Resala´s Band (do José Resala o Turquinho, baterista).

Frequentador do Ponto dos Músicos, na esquina da Avenida São João com Avenida Ipiranga em São Paulo, Chú apadrinhou Bira (baixista do Jô Soares). Sabendo que o Chacrinha procurava um contrabaixista, Chú indicou Bira. A partir desse impulso, a carreira desse outro grande músico iria mudar definitivamente.

Em 29 de novembro de 1959, Shu toca com Dick Farney, Ed Lincoln, Paulo Moura, Rubinho Barsot e outros no auditótio da Globo. Virou capa de jornal e capa de disco. O disco é Dick Farney E Seu Jazz Moderno. Tem por aí. Se não acharem posso dar uma dica. Discão. A turma esstá afinada.

Após uma apresentação da banda de Woody Herman no Teatro Paramount, em São Paulo, E1958, os músicos saíram para beber e dar uma canja no bar do Hotel Claridge (mais tarde Cambridge), na Avenida Nove de Julho. No local se apresentava o trio formado por Walter Wanderley (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e no contrabaixo revezando Chú Viana e Azeitona (outro grande músico). A noite virou uma grande jam session. Mais sobre o assunto no site do jornalista Fernando L. Barros http://saxofonistacase.blogspot.com/2009/04/capitulo-2.html

Infelizmente, ainda não tenho mais dados sobre esse extraordinário baixista. Como não pretendo escrever sua biografia, à medida que for obtendo mais informações acrescentarei nesse espaço. Os leitores também podem contribuir. A finalidade do blog é manter viva a memória desses músicos.


*A foto acima, a única que achei, foi retirada do blog do Fernando L. Barros.


Músicos
Waldemar Marchetti (Corisco) - percussão
Hamilton Godoy - piano
Manuel Luis Viana "Xu Viana"- contrabaixo
Heraldo do Monte - guitarra
Dirceu Simões de Medeiros - bateria


Sabá - Contrabaixo Brasil

Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) - 1927-2010

Nasceu em Belém do Pará em 1927. Seu pai comandava a orquestra Oliveira Paz que animava festas na cidade. Sua mãe, exímia pianista, era sempre requisitada para acompanhar os artista do rádio provenientes do Rio e São Paulo que se apresentavam em Belém. Tanto a orquestra como os músicos ensaiavam na casa dos pais. Foi nesse ambiente que Sabá e seu irmão Luís Chaves (grande contrabaixista do Zimbo Trio) se desenvolveram. Com ouvido extremamente apurado e convivendo nesse meio musical, é incrível que Sabá nunca tenha aprendido a ler partitura (depoimento para o Clube do Jazz). Eu, particularmente, não acredito, pois era um grande arranjador. Acho que não lia tão rápido como os cobras da época e não via necessidade nisso pois conhecia a maioria das músicas de cabeça.

Na década de 50, já em São Paulo, passa a tocar com o grande pianista Rogério Robledo no Cléride Hotel e percorre as boates da efervescente vida noturna paulista da época. Em 1965 forma o Jongo Trio com Cido (Aparecido Bianchi - piano) e Toninho (Antônio Pinheiro Filho – bateria). O disco de estréia se torna rapidamente um standard do samba-jazz. O reconhecimento do Jongo se consolida quando se torna o grupo de apoio de Jair Rodrigues e Elis Regina no famoso programa O Fino da Bossa da TV Record de São Paulo. Gravaram 3 discos ao vivo nesse período que se tornou um enorme sucesso; 2 na Bossa.

Em 1966 Sabá e Toninho são convidados para tocar no Cesar Camargo Mariano Octeto e gravam um grande disco. Neste mesmo ano, junto com César, formam o Som Três, e lançam o disco Som Três Vol. 1. De 1966 a 1970 o Trio grava cinco discos combinando diversos estilos sempre com enorme sucesso. Nesse período o Som Três se torna o grupo de apoio para Wilson Simonal tanto nos palcos como em diversos discos do cantor. Foi o período de maior sucesso de Simonal.

Em 1971 César Camargo abandona Simonal e passa a acompanhar e fazer arranjos para Elis Regina. Novamente o amigo convida Sabá e Toninho para essa nova empreitada, mas eles preferiam seguir carreira com Dick Farney num som mais jazzístico e gravam excelentes discos. Parece que o problema tinha sido a experiência anterior com a Pimentinha na época do Jongo com o Fino da Bossa. Faz sentido.

Sabá ainda tocou com Alaíde Costa, Elizeth Cardoso, Claudete Soares e muitos outros artistas do primeiro time. Sempre com uma sonoridade elegante e precisa. No final dos anos 70 praticamente abandonou a profissão de baixista e passou a atuar como radialista, apresentando o programa Clube da Música na Rádio Trianon de São Paulo. Nesse período não sei de nenhuma participação de Sabá em discos próprios ou acompanhando outros cantores.

Em 2002 Sabá tenta reviver o Jongo Trio e lança um disco, mas aí, já com 75 anos, o pique era outro. Sabá faleceu em fevereiro de 2010 em decorrência do Mal de Alzheimer, a mesma doença que acometeu seu irmão Luis Chaves, o grande contrabaixista do Zimbo Trio. Uma fatalidade. Dois grandes músicos, irmãos, apaixonados pelo mesmo instrumento.

Quando descobri essa triste coincidência resolvi escrever sobre os grandes contrabaixistas do Brasil, que, geralmente, atuam lá atrás das estrelas e quase sempre são esquecidos.

No vídeo que postei aí em baixo podemos ver Sabá com Toninho e Dick Farney em ação.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Conjunto 707 - Fórmula 707 - 1966


Músicos
Antônio Diniz (orgão, acordeon e arranjo)
Ailton José Roncato (vibrafone)
Waldomiro Lima (guitarra)
Divaldo B. Oliveira (piano, vibrafone)
Victor Batista Lopes (piston)
Pedro Chrispim (sax tenor)
Walter Bento (baixo, guitarra)
Altamyr Sarmento (guitarra)
Geraldo Lamanna (bateria)
Benedito Vilela (vocal)
José Carvalho e Benedito dos Santos (percussão)

Músicas
01 - Você (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)
02 - Amanhecendo (Roberto Menescal/Luis Fernando Freire)
03 - Io Che Non Vivo (Senza Te) (Donaggio/Pallavicini)
04 - Night And Day (Cole Porter)
05 - Vivo Sonhando (Tom Jobim)
06 - Midnight Lace (Lubin/Howard)
07 - Deus Brasileiro (Marcos Valle/Paulo Sergio Valle)
08 - Starway To The Stars (Parish/Malneck/Signorelli)
09 - Midnight On The Cliffs (L. Pennario)
10 - Um Sonho e o Mar (Walter Bento)
11 - Levanta Mangueira (Luis Antônio)
12 - Fotografia (Tom Jobim)

* Esse disco acho que nunca saiu em CD. Procurar por Conjunto_707_1966 no google.

Lennie Dale e Bossa Três - 1964


Músicos
Luiz Carlos Vinhas (piano)
Edison Machado (bateria)
Tião Neto (contrabaixo)

Músicas
01 – Só Danço Samba (Tom Jobim/Vinicius de Moraes), Old Devil Moon (B. Lane), How High The Moon (M. Lewis/N. Hamilton), O Samba Da Minha Terra (Dorival Caymmi), Something Makes Me Wanna Dance With You (D. Rodgers/C. Romoff)
02 - No Dollar Bills (B. Lane), Samba Do Avião (Tom Jobim)
03 – Perdido (Tizon/Duke Ellington), Day In Day Out (J. Mercer/R. Bloom), Samba De Uma Nota Só (Tom Jobim / Newton Mendonça), Improvisação Bossa Três (Luis Carlos Vinhas)
04 – Tamanco no Samba (Orlandivo/Hélton Menezes)
05 – Corcovado (Tom Jobim)
06 – Lover (Rodgers/Hart), Bim Bom (João Gilberto), Dance Bossa Nova (Roberto Menescal/Aloysio de Oliveira), Dance Passarinho (Chico Feitosa), Loose Walk (Stitt/Richards), Não Ponha A Mão (Bucy Moreira/Arnô Canegal/Mutt)
07 – Two Ladies In The Shade Of The Banana Tree (Harold Arlen/T. Capote)

* Esse disco foi gravado ao vivo, em 1963, no Bar e Restaurante “Au Bom Gourmet”, em Copacabana, Rio de Janeiro. Pela data, é um disco bem gravado.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Som Três - Tobogã - 1970


Músicos
César Camargo Mariano (piano)
Sabá (baixo)
Toninho Pinheiro (bateria)

Músicas
1 - Lôla (Lamartine Babo)
2 - Irmãos Coragem (Nonato Buzar/Paulinho Tapajós)
3 - Bajar no México (César Camargo Mariano)
4 - Eu Já Tenho Você (César Camargo Mariano/Sabá)
5 - Eu Só Posso Assim (Pingarilho/Marcos Vasconcellos)
6 - O Telefone Tocou Novamente (Jorge Ben)
7 - Oh Happy Day (Edwin R. Hawkins)
8 - Tobogã (César Camargo Mariano)
9 - Mulher Brasileira (Jorge Ben)
10 - A Volta da Maçã (César Camargo Mariano/Toninho/Sabá)

* Esse disco já foi remasterizado em 2002 e já está na praça.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sambrasa Trio - Em Som Maior - 1965

Músicos
Hermeto Pascoal (piano e flauta)
Humberto Clayber (baixo e harmônica)
Airto Moreira (bateria)
Músicas
1. Sambrasa (Airto Moreira)
2. Aleluia (Edu Lobo/Ruy Guerra)
3. Samba Novo (Durval Ferreira/Newton Chaves)
4. Clerenice (José Neto Costa)
5. Duas Contas (Garoto)
6. Nem o Mar Sabia (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli)
7. Arrastão (Edu Lobo/Vinicius de Moraes)
8. Coalhada (Hermeto Pascoal)
9. João Sem Braço (Humberto Clayber)
10. Lamento Nortista (Humberto Clayber)
11. A Jardineira (Benedito Lacerda/Humberto Porto)

*Esse disco já foi lançado em CD pela Som Livre. O precinho é bem razoável.

Por enquanto ainda se encontra no google, procurando por SambrasaTrio.