domingo, 19 de setembro de 2010

Tamba Trio - Debut - 1962



Músicos
Luiz Eca (piano)
Bebeto Castilho (baixo e flauta)
Hélcio Milito (bateria)
Músicas
1. Tamba (Luiz Eça)
2. Batida Diferente (Durval Ferreira e Maurício)
3. Influência Do Jazz (Carlos Lyra)
4. Samba De Uma Nota Só (Antônio C. Jobim e Newton Mendonça)
5. Alegria De Viver (Luiz Eça)
6. O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli)
7. Minha Saudade (João Donato e João Gilberto) – não sei o que fez João Gilberto
8. Nós e o Mar (Ronaldo Boscoli e Roberto Menescal)
9. Samba Nôvo (Durval Ferreira)
10. O Amor Que Acabou (Chico Feitosa e Luiz F. Freire)
11. Mania De Esnobismo (Durval Ferreira e Chaves)
12. Batucada (Murilo A. Pessoa)
12. Ai, Se Eu Pudesse (Ronaldo Boscoli e Roberto Menescal)
13. Quem Quizer Encontrar O Amor (Carlos Lyra e Geraldo Vandré)

Tamba Trio. Esse conjunto me foi apresentado por um tio ou um primo mais velho. Não me lembro bem. Tinha lá meus 8 ou 10 anos. Na época não tava nem aí para essas bossas. Mas foi um impacto tremendo. Estava começando a curtir Bossa-Nova. Meus ídolos na época eram os Beatles. Totalmente diferente. Estava estudando clássico no piano com minha professora Da. Edna Solon Frantz e ela tocou algo do Tamba. Falei com ela, “já ouvi isso aí”. Ela me disse, “você é um moleque danado, é muito novo, não conhece nada disso”. Resumindo: ela curtia lá seus Chopins, mas depois se deliciava com Luizinho Eça. Mais tarde fiquei sabendo que Luizinho também mandava bem no clássico. Que barato!

O Tamba Trio foi um conjunto formado no Rio na década de 1960. No começo era Luiz Eça no piano, Bebeto Castilho no baixo e Hélcio Milito na bateria. Eles também faziam o vocal. Nunca gostei. Achava chato. Preferia o instrumental, que era muito bom. Cantando, o Tamba era fraco. Alguém falou na época que se o Tamba tocasse e os Cariocas cantassem seria o melhor grupo do mundo. Há controvérsias.

Luiz Mainzi da Cunha Eça nasceu em 3 de Abril e, infelizmente, faleceu em 1992. Fico emocionado. O Google deve ter muita informação. Mas uma coisa não tem no Google, Luizinho tocando com Bill Evans. Bill Evans veio ao Brasil para conhecer Luizinho. Evans sempre achou que Luizinho era o maior pianista que ele já tinha ouvido. Luizinho fazia o que ele fazia, mas ele não fazia o que Luizinho fazia. Entenderam? Gravaram um disco ao vivo no Chicos´Bar. O disco é ruim, os dois estavam totalmente chapados (como sempre). Mas é uma relíquia. Embora chapados, os dois tocavam muito. Uma pena. Podiam ter ido para um estúdio e gravado um disco antológico. Mas isso é outra história.

Além de pianista, Luizinho era um puta arranjador. Se você olhar a contra-capa de alguns discos da MPB verá que tem arranjo de Luizinho Eça. Podem ver, Milton, João Bosco, Joyce, Edu Lobo, Chico, Nara Leão, Vinícius, Elis, etc.

Luizinho nunca se deu o devido valor. Sempre tocou de sacanagem. Era a década de 70. Tudo era uma grande sacanagem, uma grande onda. Não posso dizer tudo o que sei, o que ele ganhou e como gastou. Para falar disso só Márcio Montarroyos, Victor Aassis Brasil e Nico Assunção...

Quando fiz 40 anos voltei a estudar piano. Sem querer, meu professor foi aluno de Luizinho Eça e professor de Ângela Rorô. Tava em casa, depois de tantos anos.

Me lembro, no antigo Jazz Mania, no Arpoador, Luizinho chegava lá pelas tantas. Com aquela cara de quem não sabe onde estou... Ia no bar, uma porrada de amigos, pedia um whiskey, com aquele seu relógio que ganhou da mamãe... Quem tava tocando era Renato Silveira, Cama de Gato, Boca Livre ou Hildo Hora. Não importa, ele chegou, era o cara.

Com todo respeito. Para mim, o maior pianista que já vi e ouvi. Outro garoto-prodígio. Com certeza.

* Esse disco acho que não foi lançado oficialmente em CD  no Brasil e no exterior. Não sei se a família da turma está recebendo algum direito autoral. Tenho que conferir. Você pode achar procurando no google por Tamba_Trio_Debut_1962 



César Camargo Mariano - Octeto - 1966



Músicos
Cesar Camargo Mariano (piano)
Airton Moreira (bateria)
Ditinho (Benedito Pereira dos Santos) – (trombone)
Bolão (Isidoro Longano) – (sax tenor)
Boneca (guitarra) - não sei seu nome
Felfudo (Geraldo Auriani) – (trompete)
Humberto Clayber (baixo)
Maguino de Alcântara (Maguinho) – (trompete)

Em algumas músicas ainda aparecem:
Buda (Geraldo Auriani) – (trompete)
Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) – (baixo)
Toninho Pinheiro (bateria)
Heraldo do Monte (violão)


Músicas
1. Samblues (César Camargo Mariano)
2. Sambinha (César Camargo Mariano e Umberto Clayber)
3. Margarida B (César Camargo Mariano)
4. Desafinado (Antônio C. Jobim e Newton Mendonça)
5. Champagne And Quail (Henri Mancini)
6. Barra Limpa (César Camargo Mariano)
7. Vem (Marcos Valle e Luiz F. Freire)
8. Pra Machucar Meu Coração (Ary barroso)
9. Blues for Mancini (César camargo Mariano)
10. Menina Flor (Luíz Bonfá e Maria Helena Toledo)
11. Triste Amor Impossível (Walter Santos e Carlos Paraná)

Neste excelente disco César Camargo faz uma mistura brilhante de jazz e samba. É um disco referência. Imperdível. Já foi relançado em CD.

César Camargo, aos 14 anos, já era considerado menino-prodígio do jazz tocando de ouvido. Ainda garoto conheceu Johnny Alf que lhe ensinou um pouco de arranjo. Com 16 anos já era músico profissional, mesmo estudando e trabalhando em banco. Nesta época, monta um quarteto com Theo de Barros (baixo), Flavio Abbatepietro (trompete) e José Luis Schiavo (bateria).

Em 1962 forma O "Quarteto Sabá", com Sabá Oliveira (Baixo), Hamilton Pitorre (bateria), Theo de Barros (guitarra) e Cesar (piano) passa a ser, durante vários anos, a principal atração. Firma-se como importante arranjador e pianista da Bossa-Nova. Com Airto Moreira e Humberto Clayber forma o "Sambalanço Trio" e inauguram o novo clube de espetáculos em São Paulo, "João Sebastião Bar", que passa a ser o "Templo da Bossa-Nova".

Em 1966, apesar de não conhecer orquestração, sozinho ele pesquisa e começa escrever. Em seguida, grava o álbum instrumental "Octeto César Camargo Mariano" tendo na base o "Sambalanço Trio". Este que está aí em cima.

Em 1968, Eumir Deodato deixa de produzir e acompanhar Wilson Simonal e indica César Camargo. Foi uma tremedeira danada pois ele ainda não era um arranjador experiente. Mesmo assim segura a onda e passa a ser produtor, arranjador e diretor musical de seus shows. A carreira de Simonal decola de vez. Forma o "Som Três", com Toninho Pinheiro (bateria) e Sabá Oliveira (baixo), o grupo base do trabalho com Simonal, e assina um contrato de músico e arranjador com a TV Record.

Em 1971, é chamado por Elis Regina para dirigir, produzir e fazer os arranjos de seu novo show e álbum, "Elis". Para este trabalho, César monta um novo quarteto com Luisão Maia (baixo), Helio Delmiro (guitarra) e Paulinho Braga (bateria). Daí pra frente foram catorze álbuns com Elis Regina. Até a morte de Elis, com quem se casou, separou, foi, voltou, Cesar se dedicou basicamente ao trabalho de Elis. Um disco histórico de Elis (Elis & Tom) os arranjos são de César. Por exigência dela. Embora Tom Jobim tivesse outras intenções. Quase que esse disco não sai. Seria uma pena.

Em 1978, César produz e dirige o seu primeiro espetáculo de Música Instrumental, e o primeiro no gênero no Brasil: "São Paulo Brasil", com Nathan Marques (guitarra), Wilson Gomes (baixo), Crispin Del Cistia (guitarra), Dudu Portes (bateria e percussão).
Nesta mesma década, especializa-se em música para publicidade, cinema e teatro. Em 1980 compõe e grava a trilha sonora do filme “Eu Te Amo" de Arnaldo Jabor.

Em 1993 grava 2 discos: "Natural", com o quarteto formado pelos músicos Marcelo Mariano (baixo), Pantico Rocha, meu amigo (bateria) e Luis Carlos (percussão), e "Solo Brasileiro", piano-solo, gravado em Los Angeles.

Em 1994, César muda-se para os Estados Unidos. No mesmo ano, é convidado por Sadao Watanabe para produzir e fazer os arranjos de seu novo álbum "In Tempo", gravado em Nova York, com os músicos Marcelo Mariano, Pantico Rocha, Paulinho da Costa, e participação de Leila Pinheiro e Simoninha.

Em 1997 vai para o Rio para fazer os arranjos e a direção do álbum gravado ao vivo, "Casa da Bossa" (PolyGram), com o quarteto acústico formado por Romero Lubambo (violão), Nico Assumpção (baixo) e Theo Lima (bateria).

Em 2000, César co-produz e faz arranjos para o segundo album de seu filho, Pedro Mariano, que posteriormente e' nominado para o Grammy Latino na categoria pop contemporâneo brasileiro. Não gosto muito desse disco.

Em 2001, César faz arranjos para varios artistas como Johny Alf, Blossom Dearie, Carla Visi, Filo' Machado, Kevin Mahogany, Trio da Paz, entre outros.Com o show "Duo" Cesar e Romero Lubambo se apresentam nos Festivais "Punta del Este International Jazz Festival -Punta del Este - Uruguay, "Santa Fe Jazz Festival" -Santa Fe' e "Belleayre Jazz Festival"- New York - USA.

Bom, gente, como o cara nunca ficou parado, muita coisa ficou de fora. Muitos outros trabalhos foram feitos para grandes artistas da MPB e do cenário internacional neste período. E ainda continua a todo vapor. Tanto César Camargo como Eumir Deodato são 2 garotos-prodígio que nunca pararam de produzir. Aliás a carreira de ambos é muito parecida. Depois falo um pouco do Eumir.

* Esse disco já saiu pela Trama em 2006. Está no mercado. É difícil achar. 

Este disco já foi lançado em CD. É raro, mas, se procurar, acha.