sábado, 2 de outubro de 2010

Edgar Gianulo - Jazz Brasil - 1990 - TV Cultura SP



Programa Jazz Brasil, da TV Cultura (SP), 1990, apresentado pelo Zuza Homem de Mello, estrelando o grande Maurício Einhorn, na gaita de boca, acompanhado por Edgard Gianulo (guitarra), Arismar do Espírito Santo (Baixo) e Roberto Sion (sax).

Edgard Gianullo - O Assunto é Edgard - 1964


Músicos
Edgar Gianullo (guitarra)
Arrudinha (bateria)
Capacete, Azeitona (baixo)
Bolao (sax)
Maguinho (piston)
Caçulinha (vibrafone)


Músicas
01 - Balanco Zona Sul (Tito Madi)
02 - Incerteza (Tasso Bangel)
03 - Rio (Roberto Menescal / Ronaldo Boscoli)
04 - Lamentos do Morro (Garoto)
05 - Nana (Moacir Santos / Mario Telles)
06 - Corcovado (Antonio Carlos Jobim)
07 - Deus Brasileiro (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
08 - Favela (Heckel Tavares / Joracy Camargo)
09 - Amanha (Walter Santos)
10 - Primo (Edgar)
11 - Ela e Carioca (Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes)
12 - Eco em Fuga (Ely Arcoverde)

Músicos e publicitário Edgar Gianullo é o recordista brasileiro de gravação de comerciais. (jingle). Também é humorista (trabalhou na Família Trapo) e um músico de primeira qualidade, tendo liderado vários conjuntos com clara influência do jazz e da Bossa Nova. O mais recente dos quais o Quatro por Quatro. Participou da orquestra de Simonetti e acompanhou inúmeros cantores da MPB.

Agora o que mais me impressiona é que um músico como Edgard Gianullo não conste no dicionário Cravo Albin.


domingo, 26 de setembro de 2010

Luiz Eça e Bill Evans - Chico´s Bar - 1979


Músicas
01 – Noell´s Theme
02 – Who Can I Turn To
03 – Letter to Evan
04 – Laurie
05 – Five
06 – Wave
07 – Chorinho Pra Ele
08 – Letter To Evan
09 – Laurie
10 – Bill´s Hit Tune
11 – Corcovado
12 – One Note Samba-Stella By Stalight
13 – E nada mais

Pessoal, este disco foi gravado ao vivo no antigo Chiko’s Bar na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. Quando digo ao vivo é ao vivo mesmo. Todo mundo conversando, comendo, bebendo e alguns ouvindo o que ali se passava. Para vocês terem uma idéia a gravação foi feita numa fita K7 e com o microfone no piano. Mas vale o registro e a curiosidade. Mais tarde esse disco foi lançado como Piano Four Hands: Bill Evans&Luiz Eça. O artigo abaixo do Muggiati explica melhor o que realmente rolou.

“20/09/2010 - Roberto Muggiati, Estado de São Paulo, 11/09/2010
A última vez que Bill Evans tocou no Brasil foi em 29 de setembro de 1979, na Sala Cecília Meireles, no Rio. Na verdade, foi a penúltima. Mal terminou o concerto, Bill foi abduzido para uma boate da Lagoa, o Chiko’s Bar, reduto do pianista Luizinho Eça. A empatia entre Evans e Eça era enorme. Em 1970, no álbum "From Left To Right" – em que tocava piano acústico com a mão esquerda e elétrico coma direita – Evans gravou um tema do brasileiro, "The Dolphin", o golfinho imaginário de um crepúsculo na Lagoa que exaltou a inspiração de Eça. Como a canção foi parar nas mãos de Evans é uma destas típicas anedotas do destino. Uma figura anônima – como aquele estranho que bateu uma noite à porta de Mozart e encomendou o Réquiem – entregou a Bill num estúdio de gravação em Los Angeles uma pasta cheia de partituras. Um dia, Bill deu uma espiada na pasta e apaixonou-se por "The Dolphin". Gravou oito takes; um deles, acrescido da orquestração de Mickey Leonard, foi batizado de "The Dolphin-After". (A integral do golfinho está em The Complete Bill Evans on Verve, caixa de 18 CDs.)

Apesar de pressões dos fãs, Bill nunca mais tocou "The Dolphin", nem na noite do Chiko’s Bar, na presença do seu autor. Evans já tinha gravado piano a seis mãos (todas suas, dubladas) em "Conversations With Myself", e a quatro mãos (também suas) em "Further Conversations With Myself", além de um álbum de duetos de piano com Bob Brookmeyer, "Ivory Hunters". O que ouvimos agora "Piano Four Hands – Live in Rio 1979" é um dueto informal no mesmo piano, Evans geralmente no registro agudo e Eça no grave, todo mundo solto e relax na madrugada de domingo, 30 de setembro de 1979. Um advogado boa praça pediu ao discotecário do Chiko’s para gravar o que rolasse e saiu da boate com uma hora de gravação numa fita K7 Basf. Como, 30 anos depois, a fita virou cd pela Jazz Lips Music,um obscuro selo britânico, é outra anedota.Entre as 14 faixas do cd, estão clássicos do próprio Evans ("Bill’s Hit Tune", "Laurie", "Five", "Letter to Evan") e favoritos seus como "Noelle’s Theme" (Legrand) e "Who Can I Turn To" (Bricuse-Newley). Além de "The Dolphin", Evans só gravou de brasileiros dois Jobins ("All That’s Left Is To Say Goodbye" e "Chora Coração"), um Francis Hime ("Minha/All Mine") e um Baden Powell não creditado ("Deve ser amor/It Must Be Love").

Na noite do Chiko’s ele e Eça trocam figurinhas em "Corcovado", que dura 3:57, e arriscam "One Note Samba", abortado em poucos segundos, que serve de trampolim para "Stella by Starlight". O famoso standard começa como um samba e então Luizinho o traz de volta ao 4/4, acompanhado por Bill, que a seguir retoma a melodia em grande estilo – ao todo 8:26 de puro jazz. O baixista Marc Johnson participa de seis faixas; Joe La Barbera comparece apenas como ouvinte – não há bateria nestas gravações.Além de Evans e Eça, Leny Andrade canta "Wave", acompanhada pelo pianista Cidinho Teixeira, que contribui ainda com "Chorinho Pra Ele" (Hermeto Pascoal) e encerra com "E nada mais" (Durval Ferreira-Lula Freire) em duo com Luizinho. Grande mistério da noite, resta um "Untitled" original (2:14) de Bill Evans, com aquela beleza introspectiva que era sua assinatura pessoal.

O advogado jazzófilo Arthur Lins lembra: “O Evans estava no auge da fama e da piração, muito sensível, tocando com um feeling extremado. Tinha a cabeleira caída no rosto, cabeça curvada, a testa quase tocando o teclado. Os dois fizeram uma apresentação maravilhosa que atingiu o clímax às 4 horas da madrugada.” Bill seguia célere na sua descida no Maelstrom. O suicida era ele, mas quem se matou (com um tiro) foi seu irmão, Harry, três meses antes. (Seis anos antes, a namorada de Bill por 12 anos, Ellaine, se jogou debaixo de um trem do metrô de NY.) Quem o visse de perto no Rio, notaria as mãos do pianista, antigamente longilíneas, gordas e inchadas pelo uso de drogas. Bill sangrou até morrer em 15 de setembro, aos 51 anos, num hospital de Nova York, de úlcera hemorrágica e pneumonia bronquial. Segundo sua mulher, “Bill planejou ativamente uma fuga da dor.” E o biógrafo, Peter Pettinger: “Seu suicídio lento carregava sua própria dor, mas a agonia foi desafiada por seu êxtase artístico.”

Luizinho Eça morreu de enfarte, aos 56 anos, em 1992. Mas, aqui, eles estão lado a lado, brincando nas 88 teclas de um piano mais iluminados do que nunca.

Poderia acrescentar outras histórias nessa história. Freqüentei muitas noites o Chiko’s Bar. Mas acho que já está de bom tamanho. O texto não é meu. Conhecia alguns detalhes, mas não tanto. O importante é que vocês saibam qual a importância de Luizinho Eça.


Será que Luizinho ganhou algum com esse "outro" disco?

* Esse disco nunca saiu no Brasil com créditos para Luizinho. Você pode achar procurando por Luiz_Eca_Bill_Evans_Chikos_Bar_1979.

sábado, 25 de setembro de 2010

Tenório Júnior - Embalo - 1964

Músicos
Tenório Junior (piano)
Sérgio Barroso (baixo)
Milton Banana (bateria)
Rubens Bassini (congas)
Celso Brando (violão)
Neco (guitarra)
Pedro Paulo e Maurílio (trompete)
Edson Maciel e Raul de Souza (trombone)
Paulo Moura (sax alto)
J. T. Meirelles e Hector Costita (sax tenor)

Músicas
01 - Embalo (Tenório Jr.)
02 - Inútil Paisagem (Tom Jobim - Aloysio de Oliveira)
03 - Nebuloso (Tenório Jr.)
04 - Samadhi (Tenório Jr.)
05 - Sambinha (Bud Shank)
06 - Fim de Semana em Eldorado (Johnny Alf)
07 - Néctar (Tenório Jr.)
08 - Nuvens (Durval Ferreira - Maurício Einhorn)
09 - Consolação (Baden Powell - Vinicius de Moraes)
10 - Estou Nessa Agora (Tenório Jr.)
11 - Carnaval Sem Assunto (Zezinho Alves)
Francisco Tenório Cerqueira Júnior, Tenorinho para os amigos, gravou esse belo disco em 1964, quando ainda era um moleque de 23 anos. “Jovem, Tenorinho quase parecia apenas mais um admirador dos raríssimos LPs de jazz que o dinheiro da garotada de Laranjeiras podia comprar. Na antiga Faculdade de Ciências Médicas, onde Tenório trancou o curso, poucos sabiam que era um dos maiores pianistas de sua geração''.

Em 1976, quando excursionava com Toquinho e Vinícius por Buenos Aires, foi confundido com algum esquerdista e desapareceu nos porões da ditadura. Seu desaparecimento ocorreu na véspera do golpe militar contra a presidente Isabelita Perón. Sob a ditadura de general Videla ocorreriam mais de 30 mil casos como este. Isso é outra história. Se entrarem no site Tortura Nunca Mais vão encontrar muita informação sobre esse obscuro episódio. É importante ressaltar que Tenório nunca teve nada a ver com política, nem em seu próprio país. Só pensava em música.

Seu piano pode ser ouvido em discos antológicos da década de 1960, como "É Samba Novo" (Edison Machado – esse que está aí abaixo) e "Vagamente" (Wanda Sá), ambos relançados em CD em 2001. Atuou com vários artistas, como Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Nelson Ângelo, Joyce, Edu Lobo, entre outros.

Tenório Júnior pertence àquela turma que mencionei no disco do Edison Machado “É Samba Novo”. Assim como Cesar Camargo Mariano e Deodato, se vivo, poderia ter se tornado um grande pianista e arranjador reconhecido mundialmente. Infelizmente só a turma do Beco das Garrafas pôde compartilhar sua arte.

Embalo é seu único disco solo. Além de pianista e compositor, ele é o arranjador da maioria das faixas.

Na foto vemos Tenório ao piano com Tião Neto no contrabaixo e Edson Machado na bateria levando um som no Botle's (boate em Copacabana - RJ).

* Já foi lançado pela Som Livre por R$9,90. Procurar na Loja Americana. R$9,90.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Edson Machado - É Samba Novo - 1964

Músicos
Edison Machado (bateria)
Tenorio Jr. (piano)
Sebastiao Neto (baixo)
Paulo Moura (sax alto)
Pedro Paulo (trumpete)
Ed Maciel (trombone)
Raul de Souza (trombone de válvula)
J.T. Meirelles (sax tenor)

Músicas
01 - Nanã (Moacir Santos / Clóvis Mello)
02 - Só Por Amor (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
03 - Aboio (J. T. Meirelles)
04 - Tristeza Vai Embora (Baden Powell / Mário Telles)
05 - Miragem (J. T. Meirelles)
06 - Quintessência (J. T. Meirelles)
07 - Se Você Disser Que Sim (Moacir Santos / Vinicius de Moraes)
08 - Coisa Nº 1 (Moacir Santos / Clóvis Mello)
09 - Solo (J. T. Meirelles)
10 - Você (Rildo Hora / Clóvis Mello)
11 - Menino Travesso (Moacir Santos / Vinicius de Moraes)

Que música era essa?
Era uma mistura de samba e jazz que vinha amadurecendo no Beco das Garrafas em Copacabana nos anos 1950. Só que tinha uma levada mais pesada, basicamente instrumental. Mais tarde foi chamada de hard-bossa. Besteira. Tem que rotular. Coisa de americano. Era 2/4 da pesada. Samba, de alto nível. Samba só é samba se tiver cavaquinho? Na realidade era uma molecada, com os seus vinte e poucos anos que largou seu estudo de música clássica e caiu dentro. Não era uma música simples, era para ser ouvida com atenção. Não sei quem foi que disse que “se a música é boa ninguém conversa, presta atenção. Se a música é ruim todos vão embora” Aí é que João Gilberto se encaixa: sua música não é boa nem ruim. Descobriu a pólvora. Grande sucesso.

O som da turminha era pau puro: base de samba, ataque de trompete, trombone, sax, contrabaixo (ainda não se usava baixo elétrico), piano, bateria. O violão ainda não combinava com o banquinho. Era o instrumento de centro. Durval Ferreira era considerado o melhor violão de centro da época. Esse termo só existia nos EUA. É o meio de campo do futebol. Deixa todo mundo na cara do gol e segura a harmonia. Tinha flauta e vibrafone pra fazer a cama. Como eles aprenderam a tocar assim? Sei lá...

A turma era:
trombone – Raul de Souza, Edson Maciel, Edmundo Maciel,
sax e flauta – Meirelles, Paulo Moura, Cipó e Victor Assis Brasil,
trompete – Pedro Paulo, Hamilton e Maurílio,
violão - Baden Powell, Durval Ferreira, Waltel Branco, Menescal, Rosinha de Valença,
piano – Luizinho Eça, Luiz Carlos Vinha, Dom Salvador, Sérgio Mendes ( o mais fraco), Eumir Deodato (também não era do primeiro time. Era mais arranjador),
gaita – sem concorrente, Mauríco Einhorn,
contrabaixo – é covardia, como deu gente boa. Tião Neto, Octavio Bailly, Zezinho Alves, Manuel Gusmão, Bebeto, Edson Lôbo, Luiz Marinho, Sérgio Barroso,
bateria – também é só cobra criada. Milton Banana, Edison Machado, Dom Um Romão, Chico Batera, João Palma, Hélcio Milito, Ohana, Vitor Manga, Wilson das Neves, Airton Moreira. Devo ter esquecido alguém.
arranjo – Moacir Santos, Lindolfo Gaya, Eumir Deodato, Luizinho Eça, Meirelles e Cipó.

Dessa turma surgiram trios, quartetos, sextetos , octetos, orquestras e gafieira. Por quê não? Com o advento do iê-iê-iê e da música de festival a maioria tirou o passaporte. Todos odiavam ter que acompanhar aqueles analfabetos para sobreviver. Alguns ainda acompanharam cantores talentosos como Simonal, Jorge Ben, Elis, etc. Mas o resto vazou mesmo. Sem chance.

Droga pra turma era mais whisky e alguns comprimidos (não sei a base de quê). A Erva do Norte ainda tava começando a fazer a cabeça da rapaziada. Mas vamos pular essa parte.

Só falei da turma do Rio de Janeiro. Depois falo sobre a turma de São Paulo que também teve a sua turma da pesada. Do mesmo porte. Com certeza. Aliás, São Paulo pode ser o túmulo do samba, mas em termos de Bossa ainda precisa de uma boa biografia. Muito músico do Rio ganhou fama e sucesso em São Paulo. E vice-versa.

Os discos que tiraram essa turma do porão foi esse do Edison Machado "É Samba Novo” e o do Sérgio Mendes “Vocês Ainda Não Ouviram Nada” (palavras do Tom Jobim). Tiveram outros, como “Coisas” do Moacir Santos e o do Tenório Jr “Embalo”. É a mesma turma, vocês vão ver.

* Esse disco já foi lançado em CD no Brasil. Procurar nas melhos lojas do ramo. Se não achar fale comigo.


domingo, 19 de setembro de 2010

Tamba Trio - Debut - 1962



Músicos
Luiz Eca (piano)
Bebeto Castilho (baixo e flauta)
Hélcio Milito (bateria)
Músicas
1. Tamba (Luiz Eça)
2. Batida Diferente (Durval Ferreira e Maurício)
3. Influência Do Jazz (Carlos Lyra)
4. Samba De Uma Nota Só (Antônio C. Jobim e Newton Mendonça)
5. Alegria De Viver (Luiz Eça)
6. O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli)
7. Minha Saudade (João Donato e João Gilberto) – não sei o que fez João Gilberto
8. Nós e o Mar (Ronaldo Boscoli e Roberto Menescal)
9. Samba Nôvo (Durval Ferreira)
10. O Amor Que Acabou (Chico Feitosa e Luiz F. Freire)
11. Mania De Esnobismo (Durval Ferreira e Chaves)
12. Batucada (Murilo A. Pessoa)
12. Ai, Se Eu Pudesse (Ronaldo Boscoli e Roberto Menescal)
13. Quem Quizer Encontrar O Amor (Carlos Lyra e Geraldo Vandré)

Tamba Trio. Esse conjunto me foi apresentado por um tio ou um primo mais velho. Não me lembro bem. Tinha lá meus 8 ou 10 anos. Na época não tava nem aí para essas bossas. Mas foi um impacto tremendo. Estava começando a curtir Bossa-Nova. Meus ídolos na época eram os Beatles. Totalmente diferente. Estava estudando clássico no piano com minha professora Da. Edna Solon Frantz e ela tocou algo do Tamba. Falei com ela, “já ouvi isso aí”. Ela me disse, “você é um moleque danado, é muito novo, não conhece nada disso”. Resumindo: ela curtia lá seus Chopins, mas depois se deliciava com Luizinho Eça. Mais tarde fiquei sabendo que Luizinho também mandava bem no clássico. Que barato!

O Tamba Trio foi um conjunto formado no Rio na década de 1960. No começo era Luiz Eça no piano, Bebeto Castilho no baixo e Hélcio Milito na bateria. Eles também faziam o vocal. Nunca gostei. Achava chato. Preferia o instrumental, que era muito bom. Cantando, o Tamba era fraco. Alguém falou na época que se o Tamba tocasse e os Cariocas cantassem seria o melhor grupo do mundo. Há controvérsias.

Luiz Mainzi da Cunha Eça nasceu em 3 de Abril e, infelizmente, faleceu em 1992. Fico emocionado. O Google deve ter muita informação. Mas uma coisa não tem no Google, Luizinho tocando com Bill Evans. Bill Evans veio ao Brasil para conhecer Luizinho. Evans sempre achou que Luizinho era o maior pianista que ele já tinha ouvido. Luizinho fazia o que ele fazia, mas ele não fazia o que Luizinho fazia. Entenderam? Gravaram um disco ao vivo no Chicos´Bar. O disco é ruim, os dois estavam totalmente chapados (como sempre). Mas é uma relíquia. Embora chapados, os dois tocavam muito. Uma pena. Podiam ter ido para um estúdio e gravado um disco antológico. Mas isso é outra história.

Além de pianista, Luizinho era um puta arranjador. Se você olhar a contra-capa de alguns discos da MPB verá que tem arranjo de Luizinho Eça. Podem ver, Milton, João Bosco, Joyce, Edu Lobo, Chico, Nara Leão, Vinícius, Elis, etc.

Luizinho nunca se deu o devido valor. Sempre tocou de sacanagem. Era a década de 70. Tudo era uma grande sacanagem, uma grande onda. Não posso dizer tudo o que sei, o que ele ganhou e como gastou. Para falar disso só Márcio Montarroyos, Victor Aassis Brasil e Nico Assunção...

Quando fiz 40 anos voltei a estudar piano. Sem querer, meu professor foi aluno de Luizinho Eça e professor de Ângela Rorô. Tava em casa, depois de tantos anos.

Me lembro, no antigo Jazz Mania, no Arpoador, Luizinho chegava lá pelas tantas. Com aquela cara de quem não sabe onde estou... Ia no bar, uma porrada de amigos, pedia um whiskey, com aquele seu relógio que ganhou da mamãe... Quem tava tocando era Renato Silveira, Cama de Gato, Boca Livre ou Hildo Hora. Não importa, ele chegou, era o cara.

Com todo respeito. Para mim, o maior pianista que já vi e ouvi. Outro garoto-prodígio. Com certeza.

* Esse disco acho que não foi lançado oficialmente em CD  no Brasil e no exterior. Não sei se a família da turma está recebendo algum direito autoral. Tenho que conferir. Você pode achar procurando no google por Tamba_Trio_Debut_1962 


César Camargo Mariano - Octeto - 1966



Músicos
Cesar Camargo Mariano (piano)
Airton Moreira (bateria)
Ditinho (Benedito Pereira dos Santos) – (trombone)
Bolão (Isidoro Longano) – (sax tenor)
Boneca (guitarra) - não sei seu nome
Felfudo (Geraldo Auriani) – (trompete)
Humberto Clayber (baixo)
Maguino de Alcântara (Maguinho) – (trompete)

Em algumas músicas ainda aparecem:
Buda (Geraldo Auriani) – (trompete)
Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) – (baixo)
Toninho Pinheiro (bateria)
Heraldo do Monte (violão)


Músicas
1. Samblues (César Camargo Mariano)
2. Sambinha (César Camargo Mariano e Umberto Clayber)
3. Margarida B (César Camargo Mariano)
4. Desafinado (Antônio C. Jobim e Newton Mendonça)
5. Champagne And Quail (Henri Mancini)
6. Barra Limpa (César Camargo Mariano)
7. Vem (Marcos Valle e Luiz F. Freire)
8. Pra Machucar Meu Coração (Ary barroso)
9. Blues for Mancini (César camargo Mariano)
10. Menina Flor (Luíz Bonfá e Maria Helena Toledo)
11. Triste Amor Impossível (Walter Santos e Carlos Paraná)

Neste excelente disco César Camargo faz uma mistura brilhante de jazz e samba. É um disco referência. Imperdível. Já foi relançado em CD.

César Camargo, aos 14 anos, já era considerado menino-prodígio do jazz tocando de ouvido. Ainda garoto conheceu Johnny Alf que lhe ensinou um pouco de arranjo. Com 16 anos já era músico profissional, mesmo estudando e trabalhando em banco. Nesta época, monta um quarteto com Theo de Barros (baixo), Flavio Abbatepietro (trompete) e José Luis Schiavo (bateria).

Em 1962 forma O "Quarteto Sabá", com Sabá Oliveira (Baixo), Hamilton Pitorre (bateria), Theo de Barros (guitarra) e Cesar (piano) passa a ser, durante vários anos, a principal atração. Firma-se como importante arranjador e pianista da Bossa-Nova. Com Airto Moreira e Humberto Clayber forma o "Sambalanço Trio" e inauguram o novo clube de espetáculos em São Paulo, "João Sebastião Bar", que passa a ser o "Templo da Bossa-Nova".

Em 1966, apesar de não conhecer orquestração, sozinho ele pesquisa e começa escrever. Em seguida, grava o álbum instrumental "Octeto César Camargo Mariano" tendo na base o "Sambalanço Trio". Este que está aí em cima.

Em 1968, Eumir Deodato deixa de produzir e acompanhar Wilson Simonal e indica César Camargo. Foi uma tremedeira danada pois ele ainda não era um arranjador experiente. Mesmo assim segura a onda e passa a ser produtor, arranjador e diretor musical de seus shows. A carreira de Simonal decola de vez. Forma o "Som Três", com Toninho Pinheiro (bateria) e Sabá Oliveira (baixo), o grupo base do trabalho com Simonal, e assina um contrato de músico e arranjador com a TV Record.

Em 1971, é chamado por Elis Regina para dirigir, produzir e fazer os arranjos de seu novo show e álbum, "Elis". Para este trabalho, César monta um novo quarteto com Luisão Maia (baixo), Helio Delmiro (guitarra) e Paulinho Braga (bateria). Daí pra frente foram catorze álbuns com Elis Regina. Até a morte de Elis, com quem se casou, separou, foi, voltou, Cesar se dedicou basicamente ao trabalho de Elis. Um disco histórico de Elis (Elis & Tom) os arranjos são de César. Por exigência dela. Embora Tom Jobim tivesse outras intenções. Quase que esse disco não sai. Seria uma pena.

Em 1978, César produz e dirige o seu primeiro espetáculo de Música Instrumental, e o primeiro no gênero no Brasil: "São Paulo Brasil", com Nathan Marques (guitarra), Wilson Gomes (baixo), Crispin Del Cistia (guitarra), Dudu Portes (bateria e percussão).
Nesta mesma década, especializa-se em música para publicidade, cinema e teatro. Em 1980 compõe e grava a trilha sonora do filme “Eu Te Amo" de Arnaldo Jabor.

Em 1993 grava 2 discos: "Natural", com o quarteto formado pelos músicos Marcelo Mariano (baixo), Pantico Rocha, meu amigo (bateria) e Luis Carlos (percussão), e "Solo Brasileiro", piano-solo, gravado em Los Angeles.

Em 1994, César muda-se para os Estados Unidos. No mesmo ano, é convidado por Sadao Watanabe para produzir e fazer os arranjos de seu novo álbum "In Tempo", gravado em Nova York, com os músicos Marcelo Mariano, Pantico Rocha, Paulinho da Costa, e participação de Leila Pinheiro e Simoninha.

Em 1997 vai para o Rio para fazer os arranjos e a direção do álbum gravado ao vivo, "Casa da Bossa" (PolyGram), com o quarteto acústico formado por Romero Lubambo (violão), Nico Assumpção (baixo) e Theo Lima (bateria).

Em 2000, César co-produz e faz arranjos para o segundo album de seu filho, Pedro Mariano, que posteriormente e' nominado para o Grammy Latino na categoria pop contemporâneo brasileiro. Não gosto muito desse disco.

Em 2001, César faz arranjos para varios artistas como Johny Alf, Blossom Dearie, Carla Visi, Filo' Machado, Kevin Mahogany, Trio da Paz, entre outros.Com o show "Duo" Cesar e Romero Lubambo se apresentam nos Festivais "Punta del Este International Jazz Festival -Punta del Este - Uruguay, "Santa Fe Jazz Festival" -Santa Fe' e "Belleayre Jazz Festival"- New York - USA.

Bom, gente, como o cara nunca ficou parado, muita coisa ficou de fora. Muitos outros trabalhos foram feitos para grandes artistas da MPB e do cenário internacional neste período. E ainda continua a todo vapor. Tanto César Camargo como Eumir Deodato são 2 garotos-prodígio que nunca pararam de produzir. Aliás a carreira de ambos é muito parecida. Depois falo um pouco do Eumir.

* Esse disco já saiu pela Trama em 2006. Está no mercado. É difícil achar. 

Este disco já foi lançado em CD. É raro, mas, se procurar, acha.