sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Tom Jobim - Stone Flower - 1970



Para mim, é o melhor disco que já ouvi.
É o "Kind Of Blue" de Jobim.

Músicos
Antônio Carlos Jobim (piano, piano Hammond, vocal e apito)
Eumir Deodato (guitarra e piano Hammond)
Ron Carter (contrabaixo)
João Palma (bateria)
Airto Moreira e Everaldo Ferreira (percussão)
Hermeto Pascoal, Jerry Dodgion, Romero Penque (flauta)
Joe Farrell (flauta baixo)
Burt Collins, Marvim Stamm (trompete)
Garnett Brown (trombone)
Ray Alonge, Joe de Angelis (trompa)
Urbie Green (trombone)
Joe Farrell (sax soprano em "God and the Devil")
Hubert Laws (solo de flauta em "Amparo")
Harry Lookofsky (solo de violino em "Stone Flower")

* Arranjos e Regência: Eumir Deodato.

Músicas
01 - Tereza My Love (Tom Jobim)
02 - Children's Games (Tom Jobim)
03 - Choro (Tom Jobim)
04 - Brazil ("Aquarela do Brasil" - Ary Barroso)
05 - Stone Flower (Tom Jobim)
06 - Amparo (Tom Jobim)
07 - Andorinha (Tom Jobim)
08 - God And The Devil In The Land Of The Sun (Tomm Jobim)
09 - Sabiá (Tom Jobim de Chico B.H.)
10 - Brazil ("Aquarela do Brasil" - Ary Barroso)

* Só um músico de grande prestígio poderia arregimentar um time dessa categoria. Assim era Tom Jobim. Dois anos após a grande vaia de "Sabia",  no Maracanãzinho, Tom volta a Nova York para gravar dois grandes discos: "Stone Flower" e "Tide", ambos instrumentais, com arranjos e regências de Eumir Deodato. Deodato, para mim, é o maior arranjador da obra de Jobim.

É impressionante como esses dois grandes discos foram gravados em um mesmo ano. "Stone Flower" em 23, 24 e 29 de abril de 1970. "Tide", em 20 e 22 de maio (reparem: dois dias). É mole?

Em "Stone Flower", Jobim quebra toda ligação com a Bossa Nova, assim como, em 1959, Miles quebrara o vínculo com o Bebop em "Kind Of Blue".

"Garota de Ipanema" e "Desafinado" já eram um grande sucesso nos EUA, Jobim não precisava mais disso. Era figura obrigatória em diversos programas de TV. Mas, ele lançou "Children's Games", "Stone Flower", "Andorinha" e 'Amparo" no mesmo disco. Esqueci de "Tereza My Love".

Quando subo a Serra, vou pra Itaipava, coloco esse disco pra tocar e me sinto bem.

01 - "Tereza My Love". É um tema em 2/2, lento e gostoso. Uma singela homenagem a sua esposa.

02 -  "Children's Games" ("Chovendo Na Roseira"). O título da música também aparece como "Double Raimbow" em algumas versões americanas.  Uma introdução marota, meio jazzística (4/4), que se desenvolve numa valsinha 3/4. Um clássico. "Você é de ninguém"

03 - "Choro" ("Garoto"). Não é um choro convencional, com pandeiro, flauta e cavaquinho. É um choro de orquestra, meio Radamés, com andamento mais lento. Belíssimo tema. Compasso 2/2, mais uma vez.

04 - "Brazil" ("Aquarela do Brasil"). É uma das músicas mais famosas do mundo. Não gosto da letra "Ah, esse Brasil lindo e trigueiro, É o meu Brasil brasileiro, Terra de samba e pandeiro". Salve Ary Barroso! Tom não inventa muito, mantém o sacolejo das primeiras gravações dessa obra prima. Resolve até cantar. Não ficou ruim. Claro que é uma homenagem a Ary. Tom também presta homenagem a outro dos seus ídolos, em "Tide", com a música "Carinhoso" de Pixinguinha.

05 - "Stone Flower" ("Quebra Pedra"). Uma das maiores músicas de Tom Jobim. É de arrepiar. O arranjo de Deodato é algo de pura inspiração. Ele cria o clima perfeito para o tema. A introdução já começa com reco-reco, apito, bateria, agogô (Airto Moreira e Everaldo Ferreira), violão e a nota Dó segurando um baixo pedal para o trombone de Urbie Gree e Harry Lookofsky no violino. A música é um baião em 2/2 sofisticado. Carlos Santana, que esteve no Brasil em 1971, para tocar no "Montreux Jazz Festival", no teatro Municipal, levou muita coisa com ele. Em 1973, no LP "Caravanserai", grava "Stone Flower": Uma paulada. Recomendo.

06 - "Amparo" ("Olha Maria"). Tema criado por Tom para uma personagem do filme americano "The Adventurers" ("Os Aventureiros"), dirigido pelo inglês Lewis Gilbert ("Alfie"). Mais tarde Chico Buarque colocou letra e passou a se chamar "Olha Maria". É um tema longo, em 2/4. belíssimo, cheio de variações. Não tem nada com Bossa Nova nem com "Stone Flower". Tom Jobim estava criando uma obra prima atrás da outra.

07 - "Andorinha" ("Andorinha"). É uma música tão bonita que ninguém se atreveu a mexer nem no nome. Quando você abre a partitura e vê aqueles 5 bemóis na armadura (Re Bemol-Db) pensa logo em transpor para meio tom abaixo, Dó Maior (C). Esqueça. Não funciona. A simplicidade e a beleza da música é contagiante, só funciona assim. Só ouvindo.

08 - "God And The Devil In The Land Of The Sun" ("Entre A Cruz E a Caldeirinha"). Uma homenagem a Glauber Rocha ("Deus E O Diabo Na Terra do Sol"), com show de Joe Farrell no sax soprano. Mais um baião, só que agora em 4/4.

09 - "Sabiá" ("Sabia"). Assim como "Andorinha", não tem o que mexer. O mais difícil nesse tema é acompanhar o andamento e cantar a melodia sem "atravessar".  Introdução em 2/2 e 6/4, e melodia em 2/2. Também dá para tocar em 4/4. Essa é aquela musica da histórica vaia que Tom Jobim recebeu no III Festival Internacional da Canção, em 29/09/1968 (Fase Nacional) ao derrotar "Para Não Dizer Que Não Falei De Flores, de Geraldo Vandré. No mesmo local, Maracanãzinho, 06/10/1968, Tom Jobim, foi aplaudido de pé, com a mesma música, Sabiá, ao derrotar Paul Anka, representante do Canadá com a música "This Crazy World Is Comming Undone". 1968 não foi um ano normal.

Tom volta ao Brasil, com a sua bermuda esculhambada, seu carro velho e o seu chinelo Rider para beber alguns chopps gelados com seus amigos do Leblon. Tom Jobim ainda não sabia que ele era Tom Jobim.







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