quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jean Philippe Schroeder - Búzios


Jean Philippe Schroeder

Visitar o atelier do “suíço-buziano” Jean Philippe Schroeder é um passeio a uma Búzios que quase não existe mais. A primeira coisa que notamos é o modo de vida das pessoas que habitam a casa-atelier. Não existe um canto da casa que não seja charmoso e onde não seja evidente que alí a arte e a vida se encontram.

Localizado em um dos lugares mais bucólicos e desconhecidos de Búzios, a Vila de Pescadores da Praia Rasa, de onde surfistas partem bem cedo para a Laje da Rasa, pescadores locais para a pescaria matinal e kitesurtfista para o melhor velejo da região, o atelier fica na entrada ou saída (como queiram) de Búzios.

O cheiro da comida vindo do fogão à lenha, as sessões de jazz, blues e rock à noite extrapola os limites do atelier do artista em ação. No quintal, mesas e cavaletes aproveitam o espaço a beira mar. O luar intenso, a brisa matinal com seu vento úmido e fresco, abre uma paisagem para uma manhã orvalhada de um sol maravilhoso e quente. Velas ao vento.

“...Avistei no meio do mar uma luzinha humilde. Peguntei: É uma ilha? Não, falou o francês, é a península de Búzios...”

Como tudo começou (relato)

“Eu descobri Búzios num acaso quase mágico há quarenta anos, o que faz de mim um dinossauro da comunidade interrnacional de Búzios.

Minha ligação com o Brasil começa bem antes: em 1966 fui mandado para o nordeste brasileiro por uma multinacional de petróleo. Meu contrato terminado, fiz uma missão humanitária na África (Guerra do Biafra, na Nigéria), mas a saudade bateu e decidi voltar para o Brasil como imigrante.

Fiquei um ano em São Paulo numa firma suíça, uma chatice... Então, larguei a engenharia comercial e procurei um lugar à beira-mar a fim de montar um restaurante... Depois de testar Itacuruçá (muito borrachudo), passei um fim de semana em Rio das Ostras, onde um francês tinha um restaurante e alugava quartos na praia. Numa dessas noites estreladas, avistei no meio do mar uma luzinha humilde. Perguntei: É uma ilha? Não, falou o francês, é a península de Búzios, lá não tem nada...


E assim, no dia seguinte, cheguei num fim de tarde e tomei o meu primeiro pileque buziano no bar do Ramon Avellaneda, lá na Praia da Armação. Fiquei sócio do Ramon, depois comprei a parte dele e montei "O Pirata”. Tínhamos um piano. Nele tocou muita gente como João Donato e outras feras. O Pirata acabou em 1977 e voltei para a Suíça já casado e com um filho para nascer.

Em 1985, fiquei desempregado e sobrou tempo para me dedicar à arte (durante oito meses recebia 80% do último salário - um sonho de artista). Assim, no ano seguinte, desembarquei em Búzios com a família e continuei a pintar, tocar piano e cozinhar”



É fantástico falar ou divulgar tudo que tem de bom aqui.

* Esse texto eu adaptei ao meu sabor do Jornal Búzios Today de Out-Nov 2012.


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