A finalidade deste espaço é compartilhar com os amigos o interesse por Búzios e sua antiga relação com a Bossa Nova. Bossa Nova não é só música, é um Estilo de Vida. Um Estilo Buziano de Viver. Não vendo disco, só divulgo para os amigos que me pedem emprestado. Se você discorda de algum conteúdo divulgado neste blog, favor entrar em contato. Eu tenho todos os discos que recomendo aqui.
Sonzaço. Poderia até dizer: um som viril, típico do Sambajazz. Odeio esse nome. Mas, foi assim que ficou conhecido nos anos 50 e 60. Prefiro hard bossa, que também não é legal. Melhor dizer Bossa sem banquinho e violão.
Obrigado Leo Gandelman por esse disco. Parece um pouco com aqueles disquinhos do J.T. Meirelles, mas, tudo bem, está ótimo.
* Todas as músicas são de Leo Gandelman e David Feldman, exceto Reza, autoria de Edu Lobo e Ruy Guerra.
Sinopse
"Quando eu penso em saxofone brasileiro, penso em Leo Gandelman. Ao longo da carreira, este amigo, músico, arranjador, compositor e produtor posicionou sua parabólica na direção de inúmeras vertentes e elementos do jazz, mas nunca abriu mão de nossas raízes culturais e artísticas, construindo nota por nota, escala por escala, disco por disco, um vocabulário pátrio para seu instrumento e sua música. Sua marca é sua assinatura sonora, quem acompanha sabe. O projeto Vip Vop chega em um momento bastante oportuno. A bossa nova e o samba jazz, gêneros fundamentais na formação de Leo, desfrutam de um momento mais favorável do que anos atrás, época em que, para nosso espanto, mostravam-se abandonados. A pesquisa do cancioneiro bossanovístico e o relançamento de álbuns dos acervos das gravadoras são ações essenciais, e constituem um braço fundamental na preservação da identidade-memória da música brasileira. Porém, temos que fazer mais, muito mais! A bossa nova e o samba jazz precisam ser gravados, dando origem a novos discos e shows, onde as composições inéditas ganharão corpo, espaço e público. A bossa nova e o samba jazz precisam ser tocados ao vivo por aí, nos palcos da vida. Precisam de respeito e, acima de tudo, de cuidado. E é nessa hora,que Vip Vop ganha importância. O trabalho de Leo Gandelman e seu grupo retoma as diretrizes da obra de nossos grandes mestres que ali, no fim dos anos 50 e início dos anos 60, contribuíram, decisivamente, para que nossa música deixasse de serapenas regional para se tornar universal. É por isto que, quando ouvimos e assistimos Vip Vop, ouvimos e assistimos também a arte de Tom Jobim, João Gilberto, Moacir Santos, Luiz Eça, Roberto Menescal, J.T. Meirelles, Victor Assis Brasil, Edison Machado, Milton Banana, Johny Alf, João Donato, Paulo Moura e muitos outros. Sem eles nós não estaríamos aqui,não é?
Sou suspeito para falar sobre Marcos Valle, pois sou seu fã. Esse carioca da gema sempre compôs um tipo de música que gosto de ouvir. Desde seu primeiro disco “Samba Demais”, de 1963, ele já mostrava a sua personalidade nas composições e na escolha do repertório. Com apenas 20 anos, Marcos Valle, já era gravado pelos “Os Cariocas” e “Tamba Trio”, dois ícones da Bossa Nova na época.
Marcos Valle surgiu quando a Bossa Nova já estava consolidada no Brasil e no exterior. Com o golpe militar, em 1964, vários músicos de ponta migraram para os EUA. Surgia no Brasil o fenômeno dos festivais. Toda uma nova geração de compositores se firmou nesse período: Caetano, Chico, Milton, Gil, Edu, entre outros. A classe artística começa a tomar posição, a grande maioria contra o regime, as músicas de protestos, de cunho nacionalista, enfrentam a avalanche Beatles. Marcos Valle, embora consciente das injustiças sociais (“Viola Enluarada”), nunca foi um cara engajado. Algumas vezes criticou essa postura (“A Resposta”). Em 1965 participou do espetáculo “Bossa no Paramount”, em São Paulo, com as músicas “Preciso Aprender A Ser Só” e “Terra De Ninguém”.
Em 1965 Marcos Valle vai para os EUA a convite de Sérgio Mendes, que fazia enorme sucesso com a sua banda “Brasil 65”. Compõe o clássico “Samba de Verão”, mas é obrigado a sair do país. Diz a lenda, que ele fora convocado para o serviço militar.
Em 1966 “Samba de Verão” estoura nos EUA com uma versão arrasadora de Walter Wanderley. Foi um sucesso comparado a “Garota de Ipanema” de Tom e Vinícius. Marcos Valle volta para os EUA curtindo essa onda, agora sob a batuta de Eumir Deodato, que já tinha praticamente se radicado na terra do Tio Sam. Toca com grandes nomes da música americana, bares, clubes, rádio e televisão. Sucesso. Bom, até agora, nada de novo, tudo está no Google.
Qual o Marcos Valle que eu gosto? Ouçam o disco “Eumir Deodato E Os Catedráticos”, 1973, a segunda faixa, “Flap” e a sexta, “Puma Branco”. Esse é o Marcos Valle. Muito bonito. Marcos Valle, 1970, quarta faixa, “Pigmaleão 70”, Marcos Valle, “Garra”, 1971, quinta faixa, “Ao amigo Tom”. “Mustang Côr De Sangue”, 1969, faixa 5, “Azimuth”. É de arrepiar. Resumindo: esse é o Marcos Valle que eu gosto. Ainda tem aquela fase das novelas. Cada uma melhor que a outra. Vou abrir um parágrafo para falar sobre as suas músicas que arrasaram nas novelas da TV Globo.
Novelas.
Nesse disco temos a música tema da novela “Pigmalião 70”, da Rede Globo, levada ao ar nesse mesmo ano.
“Quarentão Simpático”, a primeira música do disco, apareceu na novela “Assim Na Terra Como No Céu”, também de 1970, da TV Globo.
1969 – Marcos Valle fez a sua primeira inserção em novelas em 1969 com a música "Azimuth (Mil Milhas)", dele e de Novelli. "Véu de Noiva", da TV Globo. Sonzão.
1972 – A dupla Paulo Sérgio e Marcos Valle, compõe e produz toda as músicas da trilha sonora da novela da TV Globo “Assim Na Terra Como No Céu”.
1972 – Marcos Valle compõe a trilha sonora da série infantil “Vila Sésamo”, da Rede Globo de Televisão.
1973 – “Os Ossos Do Barão” – tema de abertura da novela da TV Globo.
1973 – “O Fabuloso Fittipaldi” – trilha sonora do filme.
1975 – Novela “Cuca Legal” – música “Linha Do Horizonte”, com a banda Azimuth.
Em 2011 a música "Viola Enluarada" aparece na novela Amor e Revolução – SBT – 2011)
Se pegarmos apenas as músicas de Marcos Valle compostas exclusivamente para filmes e novelas, teríamos material suficiente para classificá-lo como um grande compositor de trilhas. Sem contar os inúmeros jingles publicitários compostos sob encomenda, alguns, até sem os devidos créditos, dos quais nunca reclamou participação. Acho que seu jingle mais famoso é “Um Novo Tempo (Hoje É Um Novo Dia)”, composto por Marcos, Paulo Sérgio Valle e Nelson Mota para a Rede Globo de Televisão. Foi uma encomenda prevista para ser um tema de final de ano (1971) e acabou se transformando em tremendo sucesso. Quase todas as mensagens de Natal e Final de Ano da TV Globo são vinculadas a essa música bastante simples, mas muito bem feita. A harmonia vai de Dó pra Mi com suavidade, sem que ninguém perceba a mudança. Coisa de gênio.
Uma curiosidade: em 1972, Marcos Valle, fugindo do patrulhamento ideológico, aluga uma casa no antigo vilarejo de Armação dos Búzios, se apaixona pelo local, e começa a dar uma guinada na carreira. Esse vínculo permanece até hoje. Seu filho, também surfista como o pai, sempre, quando pode, pega o ônibus da Viação 1001 e vem namorar uma gatinha aqui. Tom Jobim, não sei se são essas exatamente as suas as palavras, dizia:“que todo o garoto deveria ter o direito de ter uma namorada bonita”. Sábio esse Jobim. Acho que os irmãos Valle seguiram esse conselho a risca.