A finalidade deste espaço é compartilhar com os amigos o interesse por Búzios e sua antiga relação com a Bossa Nova. Bossa Nova não é só música, é um Estilo de Vida. Um Estilo Buziano de Viver. Não vendo disco, só divulgo para os amigos que me pedem emprestado. Se você discorda de algum conteúdo divulgado neste blog, favor entrar em contato. Eu tenho todos os discos que recomendo aqui.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
José Roberto Bertrami - biografia incompleta
José Roberto Bertrami nasceu em 21 de fevereiro de 1946 (signo de peixes), em Tatuí, interior de São Paulo e faleceu em 8 de julho de 2012 no Rio de Janeiro.
É muito difícil escrever sobre esse músico. Quanto mais se pesquisa mais coisa se descobre. Uma trilha puxa a outra, parece não ter fim. Afinal, quem foi realmente José Roberto Bertrami? Ele tocou de tudo e com todo mundo no mundo inteiro. É mais um daqueles músicos brasileiros que todos conhecem lá fora e aqui, muito pouco. Apenas uma citação no Wikipédia, naquela enciclopédia que todos falam o que vem a cabeça e você não pode acreditar em tudo. Já falo sobre isso. Acho que ele merecia coisa melhor. Vou tentar aqui mostrar um pouco mais.
Bertrami apareceu na cena musical em 1965 com o LP “Os Tatuís” (raríssimo, eu tenho, não empresto). Com apenas 19 anos, já chega com um sexteto da pesada e um som diferente do que rolava na época. A formação da banda era: José Roberto Bertrami no piano, Claudio Henrique Bertrami no baixo (seu irmão), Vasconcelos no sax tenor, Ivo Mendes no piston, Aresky Aratto no órgão e Elizeu Campos na bateria. Confesso que não conheço a turma toda. O primeiro disco do cara se torna um clássico, disputado nos sebos por colecionadores (japoneses à frente, sempre eles). O garoto promete.
Em 1966, lança o disco “José Roberto Trio”, com ele no piano, Claudio Henrique Bertrami no baixo e Jovito Coluna na bateria. É um discão. Se achar pode comprar. Se não achar, me avise. Já vi no “Mercado Livre”. Tá caro.
Mas, aí, já tinha passado a época dos Trios, a febre dos Trios. Acho que o Brasil foi o país que mais teve Trios no mundo: Tamba Trio, Zimbo Trio, Milton Banana Trio, Ginga Trio, Jongo Trio, Don Salvador Trio, Bossa Três e muitos outros. Fora aqueles que não tinha Trio no nome, mas eram trios, como o de Donato, Dick Farney, Pedrinho Mattar, etc. Posso ficar aqui a noite toda falando só dos Trios que proliferaram nessa época. Em 1966, tava todo mundo no México, Estados Unidos e Europa faturando uns trocados. Aliás, o México, sempre foi uma boa pedida, o pessoal era adorado na terra do sombreiro. Só me lembrei dos mais manjados. Tem ainda a galera de São Paulo, que formou um monte desses Trios. A noite de São Paulo foi o berço dos Trios. A Bossa Nova deveria agradecer a “Terra da Garoa”. Nesse ponto, acho que Vinícius de Moraes vacilou, ou estava meio “bebum” ouvindo o piano de Johnny Alf naquela tarde quando falou que São Paulo é o túmulo do samba (depois eu conto). Bobagem. Coisa de biriteiro.
Apesar dos sertanejos de sempre, na década de 60, São Paulo abraçou a Bossa Nova e a música instrumental com muita força. Desculpe-me os cariocas, mas São Paulo colocou muita gente boa na pista e garantiu a sobrevivência de muito músico que migrou para a metrópole oriunda de todo o Brasil (já falo sobre isso). Sem falar da época de ouro dos festivais. No Rio de Janeiro eram aqueles inferninhos e alguns restaurantes que tinham música ao vivo. A maioria quase amadora. Com a mudança da capital para Brasília, em 1960, o Rio de Janeiro levou um baque e tanto. E o músico sentiu. Quase todos foram trabalhar em São Paulo.
Em 1966, Bertrami, precisando “garantir o leite do caçula e o sapato da mulher", aceita participar da Orquestra Som Bateau (depois eu comento). Foram quase 20 discos de 1966 a 1978, ou seja, 2 ou 3 por ano. Façam aí as contas. Como dizia Tim Maia (meu guru): “Vale Tudo”. Nesse babado aí entrou Hyldon, Gérson King Combo, Cláudia Telles, Fevers, Golden Boys, Trio Esperança e outros malucos beleza. Tem até um tal de Raul Seixas. Deve ter sido muito divertido aquele som sem preconceito com o seu Fender Hodes e o Hammond. As músicas eram os sucessos da época ou clássicos americanos com uma roupagem nova. Música de festinha. Era aquele "tchu-tchu-ru-tchu...". E vamos nós.
Em 1966, era inaugurada a cervejaria Canecão (Rio de Janeiro), iniciativa do empresário Mário Priolli, instalada na esquina da Lauro Müller, em frente a um posto de gasolina e a Pensão Santa Terezinha ou Solar da Fossa para os íntimos (hoje Shopping Rio Sul) que já não existem mais. Além de uma banda alemã para animar a bebida a casa programa algumas atrações internacionais, como os cantores Chris Montez, Johnny Rivers e a banda Herman´s Hermints (só sucesso na época). No Rio, o rítmo do momento ainda era a Bossa Nova e Priolli, esperto, contrata um quarteto (Quarteto Bossa Nova) para dar conta do recado: os irmãos Bertrami (José Roberto e Cláudio), mais Mamão e Robertinho Silva. Um time da pesada. Essa galera morava logo alí ao lado no Solar da Fossa.
Em 1968, chega ao Solar da Fossa o carioca Frederico Mendonça de Oliveira, o Fredera, que vai morar no apartamento 73, de José Roberto Bertrami. Ele era guitarrista, mas para aproveitar uma vaga no trio de Bossa Nova do Canecão, com Robertinho Silva e Bertrami, transforma-se temporariamente em baixista. Bertrami forma trio, quarteto e o que mais vier. Ainda não era famoso e tinha que pagar o aluguel da pensão.
Já vou falar sobre esse endereço. Saiu até um livro: Solar da Fossa, de Toninho Vaz (Editora Casa da Palavra). Livrão.
1966 – Orquestra Som Bateu – Top Hits e Top Hits 2
1967 – Orquestra Som Bateau – Top Hits 3
1968 – Orquestra som Bateu – Top Hits 4
1970 – 1974 – Som Bateu Ataca Novamente
De 1975 a 1978, foi Ataque pros Namorados, Ataque pra Nostalgia, Ataque pras Festas e não lembro mais, chegando em 1978, atacando nas Discotecas. Doideira. Waltel Blanco também fez arranjos para alguns desses discos.
Essa atividade, digamos paralela, não impediu Bertrami de ter o seu próprio grupo e levar o som que ele realmente gostava. O nome inicial era Grupo Seleção que depois virou Azymuth (Ivan Conti – Mamão, na bateria e Alex Malheiros, no contrabaixo). A proposta era uma mistura muito particular de samba-jazz-funk-rock. Sabe lá o que é isso? O nome Azymuth surgiu de uma música de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, gravada em 1975 pelo grupo. Depois eu volto ao Azymuth.
Em 1968, em plena ditadura militar, pinta um “maluco beleza” querendo abater “umas lebres” e aparecer no cenário artístico. Um tal de Carlos Imperial, com uma proposta “nova”: o Samba em 4/4 (totalmente atrasado, porquê aquele garoto que veio de Niterói, meio manco, já estava detonando em Nova York com aquela musiquinha chata “Mas Que Nada” do Jorge Ben). Nascia a “Turma da Pilantragem”. A onda era levar um som meio de sacanagem, tipo “Meu Limão, Meu Limoeiro”, “Mamãe Passou Açúcar Em Mim". Era o samba misturado com iê-iê-iê e soul. Babado forte. Até as capas dos discos eram debochadas. Bertrami, precisando faturar algum, entra nessa paçoca.
O “Som da Pilantragem” era chamado “Samba Jovem”. Não sei o que é isso. Colocaram guitarra no samba e falaram que era jovem (Como dizia Nelson Rodrigues: “o jovem ou é um Proust ou é um idiota de babar na gravata”). Vou ser sincero, ouvi muito isso aí, tenho até saudade. Algum primo mais velho me alertou sobre os arranjos. Eu acho que passei a ouvir arranjo com a turma da Pilantragem. Tinha um balanço irresistível, alegre, bom de dançar. Era Bertrami ao fundo em mais uma empreitada. Tinha muita fera nesse meio. Vejamos alguns: Bertrami, Alexandre Malheiros, Vitor Manga, Fredera, Márcio Montarroyos, Raul de Souza, Cesar Camargo Mariano, Simonal, Nonato Buzar, Durval Ferreira, Severino Filho, Sérgio Barroso, Edmundo Maciel, Antônio Adolfo, e lógico, Carlos Imperial, que não era bobo nem nada. Tem gente aí que cortou essa fase da sua biografia. Bobagem era tudo garotada querendo tirar um sarro, como se dizia na época. Era o início da pílula e da minissaia, sem HIV, uma festa, ninguém tem nada que reclamar. Nem vem que não tem. Simbora, e vamos nós. O conjunto Blitz, do Evandro Mesquita, copiou um pouco disso aí. Acho a capa desses discos meio "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band", mas era o que tinha de bom.
Em 1969, o Azymuth aparece arrebentando com a música homônima na novela Véu de Noiva da Rede Globo. Tremenda composição de Marcos Valle é bom lembrar. Até hoje quando ouço essa música fico babando, queria ter feito uma assim. Não seria a última participação da banda em trilhas de filme e novelas.
Em 1970, Bertrami lança o disco José Roberto e Seu Conjunto - Organ Sound, Um Novo Estilo. Como só aparece José Roberto, pouca gente sabe que é o Bertrami, mas é ele mesmo.
Em 1974, emplaca a música Pela Cidade, com o Azymuth, na trilha sonora da novela O Espigão, da Rede Globo.
A partir de 1975 sua trajetória se confunde com a do Azymuth. No primeiro disco oficial do grupo a música Linha do Horizonte, dos irmãos Valle, se torna um tremendo sucesso e alavanca a carreira da banda. Tem um disco anterior com remixes, mas parece que não conta.
Nesse mesmo ano, a música Melô da Cuíca se torna trilha sonora obrigatória da novela Pecado Capital, da Rede Globo. Tremendo sucesso. Muito swing na veia. Espete aí na bolacha.
Em 1977, a música Voo Sobre o Horizonte, emplaca na novela As Locomotivas, da Rede Globo.
Ainda em 1977, Bertrami participa, com o seu Fender Hodes, do discão da Sara Vaughan I Love Brasil. Os arranjos são do grande maestro Edson Frederico que nos deixou prematuramente há pouco tempo. Se não tem, corra pra comprar, é imperdível. Aliás, a negona já namorava a música brasileira desde a época que cantou ao vivo na extinta TV Tupi, em 1970, com Simonal. Dizem que o Simona “jantou ela” nesse dia, besteira, coisa de subdesenvolvido. Bom, pelo menos ao vivo, é mentira. Tem no Youtube.
Resumindo, não sei de nenhum palco onde o Azymuth não tocou. Da Estônia, Holanda, Turquia, Japão, Grécia, Dinamarca, Suécia, Itália, USA, Inglaterra, Ibitipoca, Rio das Ostras, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, etc. Chega, cansei. O resto deixa com vocês.
Além desse trabalho estafante de shows ao redor do mundo com o Azymuth, Bertrami lança alguns discos solo: Blue Wave (1983), All My Songs (1990) e Blue Wave, Dreams Are Real (1999). O cara não para nunca.
Em 1990 e 1991, Bertrami dá um tempo com o Azymuth e é substituído por Jota Moraes, tremendo músico (depois eu conto). Logo voltam a tocar juntos até o fim. É uma grande amizade.
Bertrami também tocou e fez arranjo para muita gente boa do samba. Seu piano e outros teclados aparecem em diversos discos do grande amigo João Nogueira com o nome Zé Roberto, ou José Roberto. Em 1988, no disco “João”, o Azymuth aparece completo, com Laudir de Oliveira na percussão e Zé Bigorna no sax. Além de Mané do Cavaco, Neco no violão, Cuscus e Gordinho também na percussão. Bom disco.
www.azymuth.net/
Imagem do blog http://blog.propermusic.com/rip-jose-roberto-bertrami/
É muito difícil escrever sobre esse músico. Quanto mais se pesquisa mais coisa se descobre. Uma trilha puxa a outra, parece não ter fim. Afinal, quem foi realmente José Roberto Bertrami? Ele tocou de tudo e com todo mundo no mundo inteiro. É mais um daqueles músicos brasileiros que todos conhecem lá fora e aqui, muito pouco. Apenas uma citação no Wikipédia, naquela enciclopédia que todos falam o que vem a cabeça e você não pode acreditar em tudo. Já falo sobre isso. Acho que ele merecia coisa melhor. Vou tentar aqui mostrar um pouco mais.
Bertrami apareceu na cena musical em 1965 com o LP “Os Tatuís” (raríssimo, eu tenho, não empresto). Com apenas 19 anos, já chega com um sexteto da pesada e um som diferente do que rolava na época. A formação da banda era: José Roberto Bertrami no piano, Claudio Henrique Bertrami no baixo (seu irmão), Vasconcelos no sax tenor, Ivo Mendes no piston, Aresky Aratto no órgão e Elizeu Campos na bateria. Confesso que não conheço a turma toda. O primeiro disco do cara se torna um clássico, disputado nos sebos por colecionadores (japoneses à frente, sempre eles). O garoto promete.
Em 1966, lança o disco “José Roberto Trio”, com ele no piano, Claudio Henrique Bertrami no baixo e Jovito Coluna na bateria. É um discão. Se achar pode comprar. Se não achar, me avise. Já vi no “Mercado Livre”. Tá caro.
Mas, aí, já tinha passado a época dos Trios, a febre dos Trios. Acho que o Brasil foi o país que mais teve Trios no mundo: Tamba Trio, Zimbo Trio, Milton Banana Trio, Ginga Trio, Jongo Trio, Don Salvador Trio, Bossa Três e muitos outros. Fora aqueles que não tinha Trio no nome, mas eram trios, como o de Donato, Dick Farney, Pedrinho Mattar, etc. Posso ficar aqui a noite toda falando só dos Trios que proliferaram nessa época. Em 1966, tava todo mundo no México, Estados Unidos e Europa faturando uns trocados. Aliás, o México, sempre foi uma boa pedida, o pessoal era adorado na terra do sombreiro. Só me lembrei dos mais manjados. Tem ainda a galera de São Paulo, que formou um monte desses Trios. A noite de São Paulo foi o berço dos Trios. A Bossa Nova deveria agradecer a “Terra da Garoa”. Nesse ponto, acho que Vinícius de Moraes vacilou, ou estava meio “bebum” ouvindo o piano de Johnny Alf naquela tarde quando falou que São Paulo é o túmulo do samba (depois eu conto). Bobagem. Coisa de biriteiro.
Apesar dos sertanejos de sempre, na década de 60, São Paulo abraçou a Bossa Nova e a música instrumental com muita força. Desculpe-me os cariocas, mas São Paulo colocou muita gente boa na pista e garantiu a sobrevivência de muito músico que migrou para a metrópole oriunda de todo o Brasil (já falo sobre isso). Sem falar da época de ouro dos festivais. No Rio de Janeiro eram aqueles inferninhos e alguns restaurantes que tinham música ao vivo. A maioria quase amadora. Com a mudança da capital para Brasília, em 1960, o Rio de Janeiro levou um baque e tanto. E o músico sentiu. Quase todos foram trabalhar em São Paulo.
Em 1966, Bertrami, precisando “garantir o leite do caçula e o sapato da mulher", aceita participar da Orquestra Som Bateau (depois eu comento). Foram quase 20 discos de 1966 a 1978, ou seja, 2 ou 3 por ano. Façam aí as contas. Como dizia Tim Maia (meu guru): “Vale Tudo”. Nesse babado aí entrou Hyldon, Gérson King Combo, Cláudia Telles, Fevers, Golden Boys, Trio Esperança e outros malucos beleza. Tem até um tal de Raul Seixas. Deve ter sido muito divertido aquele som sem preconceito com o seu Fender Hodes e o Hammond. As músicas eram os sucessos da época ou clássicos americanos com uma roupagem nova. Música de festinha. Era aquele "tchu-tchu-ru-tchu...". E vamos nós.
Em 1966, era inaugurada a cervejaria Canecão (Rio de Janeiro), iniciativa do empresário Mário Priolli, instalada na esquina da Lauro Müller, em frente a um posto de gasolina e a Pensão Santa Terezinha ou Solar da Fossa para os íntimos (hoje Shopping Rio Sul) que já não existem mais. Além de uma banda alemã para animar a bebida a casa programa algumas atrações internacionais, como os cantores Chris Montez, Johnny Rivers e a banda Herman´s Hermints (só sucesso na época). No Rio, o rítmo do momento ainda era a Bossa Nova e Priolli, esperto, contrata um quarteto (Quarteto Bossa Nova) para dar conta do recado: os irmãos Bertrami (José Roberto e Cláudio), mais Mamão e Robertinho Silva. Um time da pesada. Essa galera morava logo alí ao lado no Solar da Fossa.
Em 1968, chega ao Solar da Fossa o carioca Frederico Mendonça de Oliveira, o Fredera, que vai morar no apartamento 73, de José Roberto Bertrami. Ele era guitarrista, mas para aproveitar uma vaga no trio de Bossa Nova do Canecão, com Robertinho Silva e Bertrami, transforma-se temporariamente em baixista. Bertrami forma trio, quarteto e o que mais vier. Ainda não era famoso e tinha que pagar o aluguel da pensão.
Já vou falar sobre esse endereço. Saiu até um livro: Solar da Fossa, de Toninho Vaz (Editora Casa da Palavra). Livrão.
1966 – Orquestra Som Bateu – Top Hits e Top Hits 2
1967 – Orquestra Som Bateau – Top Hits 3
1968 – Orquestra som Bateu – Top Hits 4
1970 – 1974 – Som Bateu Ataca Novamente
De 1975 a 1978, foi Ataque pros Namorados, Ataque pra Nostalgia, Ataque pras Festas e não lembro mais, chegando em 1978, atacando nas Discotecas. Doideira. Waltel Blanco também fez arranjos para alguns desses discos.
Essa atividade, digamos paralela, não impediu Bertrami de ter o seu próprio grupo e levar o som que ele realmente gostava. O nome inicial era Grupo Seleção que depois virou Azymuth (Ivan Conti – Mamão, na bateria e Alex Malheiros, no contrabaixo). A proposta era uma mistura muito particular de samba-jazz-funk-rock. Sabe lá o que é isso? O nome Azymuth surgiu de uma música de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, gravada em 1975 pelo grupo. Depois eu volto ao Azymuth.
Em 1968, em plena ditadura militar, pinta um “maluco beleza” querendo abater “umas lebres” e aparecer no cenário artístico. Um tal de Carlos Imperial, com uma proposta “nova”: o Samba em 4/4 (totalmente atrasado, porquê aquele garoto que veio de Niterói, meio manco, já estava detonando em Nova York com aquela musiquinha chata “Mas Que Nada” do Jorge Ben). Nascia a “Turma da Pilantragem”. A onda era levar um som meio de sacanagem, tipo “Meu Limão, Meu Limoeiro”, “Mamãe Passou Açúcar Em Mim". Era o samba misturado com iê-iê-iê e soul. Babado forte. Até as capas dos discos eram debochadas. Bertrami, precisando faturar algum, entra nessa paçoca.
Em 1969, o Azymuth aparece arrebentando com a música homônima na novela Véu de Noiva da Rede Globo. Tremenda composição de Marcos Valle é bom lembrar. Até hoje quando ouço essa música fico babando, queria ter feito uma assim. Não seria a última participação da banda em trilhas de filme e novelas.
Em 1973, participa como arranjador, já com o Azymuth, da trilha sonora do documentário “O Fabuloso Fittipaldi”, de Hector Babenco e Roberto Farias. Músicas de Marcos Valle e Paulo Sérgio Vallle. Tem o filme completo aqui no blog.
A partir de 1975 sua trajetória se confunde com a do Azymuth. No primeiro disco oficial do grupo a música Linha do Horizonte, dos irmãos Valle, se torna um tremendo sucesso e alavanca a carreira da banda. Tem um disco anterior com remixes, mas parece que não conta.
Ainda em 1977, Bertrami participa, com o seu Fender Hodes, do discão da Sara Vaughan I Love Brasil. Os arranjos são do grande maestro Edson Frederico que nos deixou prematuramente há pouco tempo. Se não tem, corra pra comprar, é imperdível. Aliás, a negona já namorava a música brasileira desde a época que cantou ao vivo na extinta TV Tupi, em 1970, com Simonal. Dizem que o Simona “jantou ela” nesse dia, besteira, coisa de subdesenvolvido. Bom, pelo menos ao vivo, é mentira. Tem no Youtube.
Ainda em 1977, são convidados a tocar no Festival de Montreaux, Suíça. É a primeira banda brasileira a participar desse festival. Depois muita gente tocou lá, nem todos no mesmo nível, diga-se de passagem.“Mas, aí é outra história”.
O mercado internacional estava aberto para o Azymuth. Vão para os EUA a convite de Flora Purim e Airto Moreira e tocam em todo lugar onde havia boa música. O disco Lights as Father, o primeiro gravado fora do Brasil, é a consagração definitiva da banda no cenário internacional. Todo mundo tem que ter esse disco. Não sei se entrou naquela lista dos “1001 Discos Que Você Deve Ouvir Antes De Morrer”. Se não está, não sei quem bolou, mas é um tremendo vacilão. Esqueci-me de dizer, os caras ficaram anos nas paradas de sucesso da Inglaterra. Tem muito músico brasileiro que retornou sua carreira tocando na terra do fog por causa do Aymuth. Toma nota.
Blue Wave - 1983
Hélio Demiro – guitarra
Cláudio Bertrami – baixo
Robertinho Silva – bateria
Aleuda – voz
José Carlos (Bigorna) – flauta
José (Bicão) Alves – baixo
Dreams are Real - 1984
Paulinho Oliveira – flugelhorn
Nico Assumpção – contrabaixo
Robertinho Silva – bateria
Zizinho, Laudir de Oliveira – percussão
Maurício Einhorn - gaita
Durval Ferreira - violão
Jota Moares – vibrafone
José Carlos (Bigorna) - flauta
Flora Purim – vocal
João Palma – bateria
Tavinho Bonfá – violão
É legal ver Jota Moraes e João Palma na pista novamente. Eles aparecem no comecinho da Bossa Nova.
Resumindo, não sei de nenhum palco onde o Azymuth não tocou. Da Estônia, Holanda, Turquia, Japão, Grécia, Dinamarca, Suécia, Itália, USA, Inglaterra, Ibitipoca, Rio das Ostras, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, etc. Chega, cansei. O resto deixa com vocês.
Além desse trabalho estafante de shows ao redor do mundo com o Azymuth, Bertrami lança alguns discos solo: Blue Wave (1983), All My Songs (1990) e Blue Wave, Dreams Are Real (1999). O cara não para nunca.
Em 1990 e 1991, Bertrami dá um tempo com o Azymuth e é substituído por Jota Moraes, tremendo músico (depois eu conto). Logo voltam a tocar juntos até o fim. É uma grande amizade.
Bertrami também tocou e fez arranjo para muita gente boa do samba. Seu piano e outros teclados aparecem em diversos discos do grande amigo João Nogueira com o nome Zé Roberto, ou José Roberto. Em 1988, no disco “João”, o Azymuth aparece completo, com Laudir de Oliveira na percussão e Zé Bigorna no sax. Além de Mané do Cavaco, Neco no violão, Cuscus e Gordinho também na percussão. Bom disco.
Seria impossível falar sobre Bertrami em um blog. Ele merece um só para ele. Ou um livro com sua biografia. Quem se habilita? O que falo aqui é só a ponta de um iceberg. Como disse acima, o nome José Roberto aparece em muitos discos. Como as gravadoras perderam o costume de colocar os créditos na contracapa dos discos, é muito difícil saber o que Bertrami realmente fez. Só realmente um biógrafo com dedicação exclusiva e muito fôlego. Eu tenho muito mais para escrever aqui, mas acho que não vai ter fim. Devo ter esquecido algo importante. No site oficial da banda tem muito mais. Vou dormir.
www.azymuth.net/
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Ipanema Pop Orchestra - Bossa Nova Meets USA - 1965
É a mesma turma novamente. Tem gente boa aí nessa bolacha. É só prestar atenção. Já vou falar sobre eles. Tem alguns aí que não querem aparecer, usam uns apelidos muito toscos, mas são eles mesmos, botando pra quebrar. Tem gente escondida como arranjador ou músico popular e se apresenta nessas bandas magníficas com um apelido. A maioria coloca um nome americano pra dar força. Bobagem das gravadoras da época. Mais tarde acabamos descobrindo quem são eles. Já vou contar.
Olha só a turma de arranjadores ditos piratas: alguns tocam na banda. É fácil identificar, piano, flauta, sax, etc.
Vou dar uma dica: Luiz Eça, Deodato, Cipó, Meirelles e um tal de K. Ximbinho (gatoto danado esse K. Ximbinho, está na minha mira. Já falo dele mais tarde)
Músicas
01 - Charade (Henry Mancini/Mercer) arranjo: Cipó
02 - Tonight (L. Bernstein/S. Sondheim) arranjo: J.T. Meirelles
03 - Witchcraft (C. Coleman/C. Leigh) arrangements: Cipó
04 - Tender Is The Night (S. Ain/Paul Francis Webster) arranjo: Cipó
05 - Call Me Irresponsible (S. Cahn/J. V. Heusen) arranjo: Cipó
06 - I Let My Heart In San Francisco (D. Cross/G. Cory) arranjo: Cipó
07 - I Could Have Danced All Night (F. Loewe/A. J. Lerner) arranjo: Cipó
08 - Moon River (Henry Mancini/Mercer) arranjo: Cipó
09 - All The Way (S. Cahn/J. V. Heusen) arranjo: Cipó
10 - It Had Better Be Tonight (Henry Mancini/Mercer) arranjo: J.T. Meirelles
11 - Days Of Wine And Roses (Henry Mancini / Mercer) arranjo: K-Ximbinho
12 - Hello Dolly (J. Herman) arranjo: K-Ximbinho
É um discão. Igual aquele que já coloquei aqui na pista. Bom pra dançar coladinho, "Check to Check". Rodopiando no salão. Pra quem gosta...
Os músicos ...já já
É um disco difícil. Se tiverem problemas, me escrevam, que dou uma dica.
Abraços.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Os Ipanemas - 1964
Músicos
Astor Silva (trombone)
Marinho (baixo)
Neco (violão)
Wilson das Neves (bateria)
Rubens Bassini (percussão)
Músicas
01 - Consolação (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
02 - Nanã (Moacir Santos/Clóvis Mello)
03 - Se Chegou Assim (Othon Russo/Newton Ramalho)
04 - Kenya (Astor Silva/Rubens Bassini)
05 - Zulu's (Astor Silva/Neco)
06 - Nuvens (Durval Ferreira/Maurício Einhorn)
07 - Adriana (Roberto Menescal/Luis Fernando Freire)
08 - Garota de Ipanema (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
09 - Jangal (Rubens Bassini/Orlandivo)
10 - Berimbau (Baden Powell/Vinicius de Moraes)
11 - Congo (Astor Silva/Wilson das Neves)
12 - Java (Astor Silva/Neco)
Único disco dessa banda. É uma hard-bossa-jazz-afro, se é que esse termo existe. Poderia chamar de som de gafieira ou bom pra dança de salão, mais moderno. É muito gostoso. Eu que não danço nada gostaria de ter uma morena nos braços rodopiando pelo salão ao som do competente trombone de Astor. Me amarro nesse disco. É um som meio afro, meio bossa. Enfim, é Astor no trombone e Neco no violão e a galera lá atrás segurando na cozinha, quebrando tudo. Sem esquecer a bateria de Wilson das Neves. Esqueci, é um disco muito bem gravado para 1964. É um som prá cima, alegre, muito bom de ouvir. Infelizmente, nem tudo que é bom está disponível, ou é difícil de achar. Mas se achar, pode comprar na hora, é "Pule de Dez", com diria nosso saudoso João Saldanha. Se não achar, falem comigo, pois posso dar umas dicas. Boa sorte.
A bossa afro dos Ipanemas
Eles lançaram um único álbum nos anos 1960.
Singular, pela mistura de ritmos africanos e a bossa nova, o disco atravessou
décadas seduzindo ouvintes e motivou uma nova formação do grupo nos anos 2000.
Quando em 1964 o percussionista carioca Rubens Bassini reuniu os amigos Astor Silva (trombone), Wilson das Neves (bateria e percussão), Luiz Marinho (contrabaixo acústico) e Neco (violão) para gravar um LP, sob o codinome Os Ipanemas, ele provavelmente não imaginava que estavam prestes a registrar uma pequena obra-prima da música instrumental brasileira.
Quando em 1964 o percussionista carioca Rubens Bassini reuniu os amigos Astor Silva (trombone), Wilson das Neves (bateria e percussão), Luiz Marinho (contrabaixo acústico) e Neco (violão) para gravar um LP, sob o codinome Os Ipanemas, ele provavelmente não imaginava que estavam prestes a registrar uma pequena obra-prima da música instrumental brasileira.
Músico
experimentado, atuando em estúdios, gafieiras, bares e inferninhos cariocas
desde a segunda metade dos anos 1950, Bassini integrou, em 1959, as sessões de
gravação de Chega de Saudade, a estreia luminar de João Gilberto.
Em 1961,
a convite do selo Pawal Records – que também lançou álbuns inaugurais dos
organistas Ed Lincoln e Celso Murilo, entre outros – Bassini gravou seu primeiro
e único disco autoral, de forte influência latina, intitulado Ritmo
Fantástico – Rubens Bassini e os 11 Magníficos (ouça o tema Canoinha). Na contracapa de Ritmo Fantástico
lê-se a recomendação “ouça para dançar, dance para se divertir”.
Se em 1961 o propósito autoral de Bassini era entreter ouvintes e provocar estímulos dançantes, três anos mais tarde, acompanhado de Wilson, Astor, Marinho e Neco, ele preferiu tirar o pé do acelerador e impregnar de cadências africanas a bossa dos Ipanemas. Inspirado, o quinteto criou texturas sonoras jamais ouvidas no repertório das dezenas de combos instrumentais que pululavam no Rio de Janeiro, naquele início de anos 1960. Lógico, havia nas “paisagens” musicais criadas pelos Ipanemas elementos perceptíveis de bossa nova, baião, côco, xote, batuques de umbanda e candomblé, mas a seção percussiva, a cargo de Bassini e Wilson (flagrado de berimbau em punho no retrato da contracapa), foi a distinção que fez do grupo um dos mais originais entre seus contemporâneos – além das expressões de origem africana entoadas pelos cinco, de forma econômica, como scats vocais, que replicam as melodias de algumas das músicas.
Se em 1961 o propósito autoral de Bassini era entreter ouvintes e provocar estímulos dançantes, três anos mais tarde, acompanhado de Wilson, Astor, Marinho e Neco, ele preferiu tirar o pé do acelerador e impregnar de cadências africanas a bossa dos Ipanemas. Inspirado, o quinteto criou texturas sonoras jamais ouvidas no repertório das dezenas de combos instrumentais que pululavam no Rio de Janeiro, naquele início de anos 1960. Lógico, havia nas “paisagens” musicais criadas pelos Ipanemas elementos perceptíveis de bossa nova, baião, côco, xote, batuques de umbanda e candomblé, mas a seção percussiva, a cargo de Bassini e Wilson (flagrado de berimbau em punho no retrato da contracapa), foi a distinção que fez do grupo um dos mais originais entre seus contemporâneos – além das expressões de origem africana entoadas pelos cinco, de forma econômica, como scats vocais, que replicam as melodias de algumas das músicas.
No
triênio 1963-1965 o samba-jazz viveu período de ouro. Fez surgir em diversas
capitais do País dezenas de trios, quartetos e quintetos, muitos deles chegando
a registrar ao menos um álbum. Mesmo tendo alguns deles envolvimento estreito
com o novo gênero instrumental – Neco e Wilson, por exemplo, integravam Os
Gatos e Os Catedráticos –, em busca de novas sonoridades, os músicos dos
Ipanemas ignoraram alguns dos estatutos do samba-jazz. Coube a Astor, discípulo
dos maestros César Guerra-Peixe e Moacir Santos, com quem teve aulas de
harmonia, assinar os arranjos do disco. O resultado instiga. Faz crer que a
bossa-nova atravessou o Atlântico, deu um breve passeio pela Mãe África e
voltou transformada. Impressão esta ainda mais reforçada quando se lê na contracapa
do disco o repertório escolhido pelos Ipanemas. Estão nele clássicos como Garota
de Ipanema (Tom e Vinícius), Adriana (Menescal e Lula Freire), Consolação
e Berimbau (Baden e Vinicius), e Nanã (Moacir Santos).
Outros sete temas, de autores diversos, integram o
disco e cabe aqui um parêntese para reverenciar Daudeth Azevedo, o Neco.
Co-autor, com Astor, dos temas Zulu’s e Java, ele foi um dos
maiores violonistas de sua geração – também exímio no cavaquinho,
bandolim, guitarra e violão de sete cordas. Neco gravou quatro álbuns autorais
(Coquetel Bossa Nova, Velvet Bossa Nova, Samba e Violão,
e Samba e Violão N° 2), mas, como a genial Rosinha de Valença, foi
eclipsado pela supremacia de dois gigantes: Luiz Bonfá e Baden Powell.
Em 2001, a convite do produtor Joe Davis, da gravadora Far Out Records, e do baterista Ivan “Mamão” Conti, do Azymuth (que gravava pelo selo britânico), Neco e Wilson reformularam o grupo, incluindo Mamão na nova composição. O encontro resultou em novo repertório e os discos The Return of The Ipanemas (2001), Afro Bossa (2003) e Samba is Our Gift (2006). Em 2008, um novo álbum, Call of The Gods, levou os músicos a excursionarem pela Europa e a imprensa local a dar a eles o equivocado apelido de “Buena Vista Social Clube brasileiro”.
Em 2001, a convite do produtor Joe Davis, da gravadora Far Out Records, e do baterista Ivan “Mamão” Conti, do Azymuth (que gravava pelo selo britânico), Neco e Wilson reformularam o grupo, incluindo Mamão na nova composição. O encontro resultou em novo repertório e os discos The Return of The Ipanemas (2001), Afro Bossa (2003) e Samba is Our Gift (2006). Em 2008, um novo álbum, Call of The Gods, levou os músicos a excursionarem pela Europa e a imprensa local a dar a eles o equivocado apelido de “Buena Vista Social Clube brasileiro”.
Com a morte de Neco, em agosto de 2009 (Astor
morreu em 1968, Bassini em 1985), Wilson decidiu lançar um tributo ao
violonista, o álbum Que Beleza, que contou com a participação de Mamão,
Jorge Helder (baixo), Vittor Santos (trombone), José Carlos (guitarra e
violão), Thiago Gim (percussão) e a cantora Áurea Martins.
Embalado em grande estilo com uma bela ilustração
de Sergio Malta, o álbum de 1964 traz na contracapa a frase “discos CBS
apresenta um novo som em samba, esses são Os Ipanemas”.
No rodapé, enaltecendo a qualidade técnica do registro, a gravadora insiste “vossa senhoria pode comprar este disco sem o mais leve receio de que ele venha a se tornar obsoleto no futuro”. Definitivamente, a CBS não cometeu exagero algum tampouco pregou peça marqueteira em seus clientes. Basta ouvir os 12 temas para concluir que Os Ipanemas é obra atemporal, com um frescor inesgotável.
No rodapé, enaltecendo a qualidade técnica do registro, a gravadora insiste “vossa senhoria pode comprar este disco sem o mais leve receio de que ele venha a se tornar obsoleto no futuro”. Definitivamente, a CBS não cometeu exagero algum tampouco pregou peça marqueteira em seus clientes. Basta ouvir os 12 temas para concluir que Os Ipanemas é obra atemporal, com um frescor inesgotável.
No dia 26 de setembro Wilson das Neves foi
destaque nesta coluna, com seu disco Samba-Tropi – Até aí morreu Neves.
Marcelo Pinheiro escreve para a Brasileiros desde
2009. Atualmente é editor da publicação. Pesquisador da rica produção musical
brasileira, escreve todas às quintas sobre álbuns obscuros, mas fundamentais.O texto não é meu, é de Marcelo Pinheiro.
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