quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ginga Trio - Plenitude - 1965



MúsicosBenê (Benedito Dantas Chiaradia) - Piano
Guilherme: (Antônio Guilherme de Souza Franco) - Bateria
Nelsinho (Nelson Rui Gonçalves Xavier de Aquino) - Contrabaixo

Músicas
01 - Plenitude (Benê)

02 - L Helena (Benê / Sergio Bussab)
03 - Carcará (João do Vale / José Cândido)
04 - Inútil Paisagem (Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira)
05 - Maria-Moita (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
06 - De Manhã (Caetano Veloso)
07 - Ginga (Benê / Nelson / Guilherme)
08 - Das Rosas (Dorival Caymmi)
09 - Blusão (Benê / Nelson / Guilherme)
10 - Preciso Aprender a Ser Só (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
11 - Yemanjá (Luis Roberto / Tuca)
12 - Jovem (Benê)

Esse é um daqueles grupos que apareceram e desapareceram repentinamente na década de 1960. Nunca mais ouvi falar deles. Eram talentosos mas não tinham como competir com o Tsunami que foi a Jovem Guarda e a invasão do Pop Inglês e Americano. A maioria desses discos ficaram guardados nos armários dos tios e primos mais velhos, quando estes partiram e foram arrumar os quartos esses discos foram vendidos para os sêbos mais próximos. Se não fossem os colecionadores como Caetano Rodrigues maioria teria se perdido. Caetano Rodrigues, o maior colecionador de vinil de Bossa Nova do Brasil, junto com Charles Gavin dos Titãs, começaram a colocar essas preciosidades na pista novamente. A partir das fitas originais remasterizaram algumas obras primas que estavam totalmente esquecidas. Esse disco é um bom exemplo disso. Agora podemos ouvi-lo no formato CD.

A ficha técnica tirei da capa original.

Benê
(Benedito Dantas Chiaradia) nasceu em São Bento do Sapucaí aos 7 de agosto de 1946. Estudou música e flauta com o maestro Zuza Barros em sua terra natal. É autodidata no piano, sendo que alguns exercícios foram-lhe ministrados por Pedrinho Mattar e Renato Mendes. Atualmente cursa o Terceiro Ano Clássico. Como flautista atuou nas peças teatrais "Arena Canta Bahia" e "Tempo de Guerra".

Guilherme
Guilherme (Antônio Guilherme de Souza Franco) nasceu aos 25 de novembro de 1946. Dedica-se inteiramente à bateria. Profundo conhecedor de seu instrumento e grande admirador dos clássicos, é membro da Orquestraa Filarmônica de São Paulo como percussionista.

Nelsinho
(Nelson Rui Gonçalves Xavier de Aquino) nasceu aos 5 de dezembro de 1945. Neto da famosa cantora lírica Eliza Gonçalves é sobrinho de exímios violonistas, tendo estudado música com esses parentes. É autodidata no contrabaixo, incentivado por Joana Aleman Moreira.

*Outras notícias serão bem-vindas.

* Esse disco já saiu em CD. É difícil achar. Procurar na WEB por Ginga Trio.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Tom Jobim_Stone Flower_1970



Este é o terceiro grande disco do Tom. Foi gravado junto com Tide, em 1970. Poderiam formar um album duplo. Os arranjos são do genial Eumir Deodato.

Músicos
Antonio Carlos Jobim (piano, violâo)
Eumir Deodato (violâo, piano)
Ron Carter (baixo)
João Palma (bateria)
Airto Moreira, Everaldo Ferreira (percussão)
Hermeto Pascoal, Jerry Dodgion, Romero Penque (flautas)
Joe Farrell (flauta baixo)
Burt Collins, Marvin Stamm (trumpetes)
Garnett Brown (trombone)
Ray Alonge, Joe de Angelis (French horns)
Urbie Green (trombone solo)
Joe Farrel (sax soprano)
Hubert Laws (flauta)
Harry Lookofsky (violino)
Cordas (violinos, violas, cellos)

Arranjo (Eumir Deodato)


Músicas
01 - Tereza My Love (Tom Jobim)
02 - Children’s Games (Tom Jobim)
03 - Choro (Tom Jobim)
04 - Brazil (Ary Barroso)
05 - Stone Flower (Tom Jobim)
06 - Amparo (Tom Jobim)
07 - Andorinha (Tom Jobim)
08 - God And The Devil In The Land Of The Sun (Tom Jobim)
09 - Sabia – (Chico Buarque e Tom Jobim)
10 - Brazil [de novo] (Ary Barroso)

Olha só a turma. Só cascudo. Esse Deodato !
Que discão. É um dos meus preferidos. Stone Flower (Quebra Pedra) aparece em grande versão do Santana no seu disco Caravanserai. A versão é incrível. Respeitou o arranjo original do Deodato com aquela cozinha latina. Vale a pena conferir. Santana sempre gostou do som brasileiro. O seu primeiro ídolo foi Bola Sete. Inclusive ele gravou um disco em sua homenagem. A partir daí foi Jobim, Caymmi, Nonato Buzar e outros

Vocês devem ouvir com carinho Tereza My Love. Essa composição Tom fez para sua mulher,

Tereza My Love
. Tem uma versão também fantástica para essa música com Edson Frederico. Vou colocar na pista mais tarde.

Children´s Games (Chovendo Na Roseira).
Essa é da Elis, não tem pra ninguém. Basta ouvir o disco Elis & Tom.

Choro
. É um choro moderno, estilo Radamés que Tom sempre gostou. Não respeita a métrica tradicional do choro mas é deslumbrante. Em toda roda de música instrumental sempre rola esse tema. Quem gosta muito de tocar essa música é a Daniela Spielmann sax-soprano do grupo Rabo de Lagartixa. Eu voltei a prestar atenção nesse tema quando a ouvi tocar no Bar Severina em Laranjeiras, Rio-Rj. Voltei pra casa naquela noite e toquei essa música sem parar.

Brazil
é aquele samba do Ary Barroso "Aquarela do Brasil". É uma das músicas mais executadas no mundo. O arranjo original é melhor que o desse disco. Perdeu um pouco do calor. Ary gostava de botar lenha na fervura. Por falar nisso, é bom lembrar que aquele arranjo que a gente conhece de Aquarela do Brasil não é do Ary e sim de Radamés. Acho que o Ary ficou devendo essa, embora nunca tenha negado.

Sabiá
é aquela do Festival da Canção de 1968 que causou grande confusão. Disputava o primeiro lugar com a música "Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores" do Vandré. Só um débil mental poderia colocar as duas músicas no mesmo nível. Mas foi o que se deu. Vaias para o vencedor, delírio dos perdedores. Os tempos eram outros.

Amparo
é aquela "Olha Maria". Linda letra de Chico. Também está no disco "Elis &Tom". Elis arrebenta, como sempre. Embora eu ache que ela estivesse meio amargurada. Não é o sentido da música em si. Se estivesse bem sairia melhor, tenho certeza.

Andorinha
é aquele tema praieiro. Ipanema antes da Garota, cheio de dunas e arpões. Cheira a Arpoador de manhã bem cedo quando chegam as Tainhas. Muito lindo. É só instrumental, nunca precisou colocar letra. A música já diz tudo: praia de manhã bem cedo, antes do sol das dez que faz mal a pele. Pesca de arrastão. Ainda tinha, acabou.

God And The Devil In the Land Of The Sun
(Deus E O Diabo Na Terra Do Sol). Trilha sonora do filme homônimo de 1964 de Glauber Rocha. Embora seja um ícone do Cinema Novo brasileiro, passou batido por aqui. É mais conhecida lá fora. A harmonia é deslumbrante, muito além do cinema novo. É minha opinião.

Esqueci alguma?

* Esse disco já saiu em CD no Brasil, mas é difícil achar. Só na Amazon, importado. Uma pena. Procurar no google por Tom Jobim - Stone Flower_1970. Por enquanto.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tom Jobim _ Wave_1967


Músicos
Tom Jobim (piano, violão e cravo)
Ron Carter (contrabaixo)
Dom Um Romão (bateria)
Bobby Rosengardarden (bateria)
Claudio Slon (bateria)
Joseph Singer (trompa)
Ray Beckenstein (flauta e flautim)
Romeo Penque (flauta e flautim)
Jerome Richardson (flauta e flautim)
Urbie Green (trombone)
Bernard Eichein (violino)
Paul Gershman (violino)
Emanuel Green (violino)
Louis Haber (violino)
Julius Held (violino)
Leo Kruczeck (violino)
Harry Lookofsky (violino)
Joseph Malignaggi (violino)
Gene Orloff (violino)
Raoul Poliakin (violino)
Irving Spice (violino)
Louis Stone (violino)
Abe Kessler (violoncelo)
Charles McCraken (violoncelo)
George Ricci (violoncelo)
Harvey Shapiro (violoncelo)

Arranjo: Claus Ogerman

Músicas
01 - Wave - (Tom Jobim)
02 - The Red Blouse (Tom Jobim)
03 - Look To The Sky (Tom Jobim)
04 - Batidinha (Tom Jobim)
05 - Triste (Tom Jobim)
06 - Mojave (Tom Jobim)
07 - Diálogo (Tom Jobim)
08 - Lamento (Tom Jobim e Vinícius)
09 - Antigua (Toms Jobim)
10 - Captain Bacardi (Tom Jobim)

* Todas as músicas são temas de Tom Jobim, exceto Lamento, com Vinícius de Moraes.

Outro discão de Tom com arranjos de Claus Ogerman. É um disco de saudades do Brasil. Tom estava vivendo nos EUA mas sentia muita falta de Ipanema. Ainda não tinha se acostumado, depois se ambientou, chegou até curtir a América. Comprou apartamento lá e perdeu aquele preconceito do subdesenvolvido esquerdista que odeia os Ianques. Nesse disco ele começa a dar importância ao improviso jazzístico mas sempre com um tempero brasileiro.

Não sei como esse disco não toca todos dias nas rádios aqui. É maravilhoso. É um bem estar, uma leveza, uma delicadeza. Sublime. Dá vontade de ouvir o dia inteiro. Se você se sente chateado com alguma coisa, alguma aporrinhação, ponha esse disco pra tocar, eu tenho certeza se sentirá mais leve.

Não vou falar sobre cada música, deixe apenas rolar. O time é muito forte, mas não tem a mínima importância. É só Tom, é o que basta. É praia, é sol, é mar, é manhã. Muito bom.

Já li em algum lugar que Tom toca cravo neste disco porque "derramaram" whiskey no piano. Tudo futrica. Vocês vão ver que isto não tem a mínima importância.

* Esse disco também você compra na Amazon, importado. Aliás, os melhores disco do Tom são importados. Procurar no Google por Tom_Jobim_Wave_1967. Por enquanto.





domingo, 2 de janeiro de 2011

Tom Jobim_Tide_1970



Músicos
Antonio Carlos Jobim (violão, piano, piano elétrico)
Urbie Green (trombone)
Garnett Brown (trombone)
Jerry Dodgion (flauta, sax alto)
Joe Farrell (flauta, flauta baixo, sax soprano)
Hubert Laws (flauta)
Romeo Penque (flauta)
Hermeto Pascoal (flauta)
Ray Alonge (trompa)
Joe De Angelis (trompa)
Burt Collins (trompete)
Marvin Stamm (trompete)
Ron Carter (baixo)
Airto Moreira (percussão)
Everaldo Ferreira (congas)
João Palma (bateria)
Eumir Deodato (piano)
Frederick Buldrini (violino)
Paul Gershman (violino)
Emanuel Green (violino)
Harry Katzman (violino)
David Nadien (violino)
Max Polikoff (violino)
Matthew Raimondi (violino)
Harry Lookofsky (violino tenor)
Al Brown (viola )
Harold Coletta (viola)
Charles McCracken (cello)
George Ricci (cello)

arranjos e regência: Eumir Deodato

Músicas
01 - The Girl From Ipanema (Antonio Carlos Jobim - Vinicius de Moraes)
02 - Carinhoso (Pixinguinha)
03 - Tema Jazz (Antonio Carlos Jobim)
04 - Sue Ann (Antonio Carlos Jobim)
05 - Remember (Antonio Carlos Jobim)
06 - Tide (Antonio Carlos Jobim)
07 - Takatanga (Antonio Carlos Jobim)
08 - Caribe (Antonio Carlos Jobim)
09 - Rockanalia (Antonio Carlos Jobim)


Este é um dos 3 melhores discos de Tom. Os outros são Wave e Stone Flower. Eumir Deodato se supera nos arranjos. Em Stone Flower também tudo é dele, Deodato. Vou colocar na pista já já. As músicas Caribe e Sue Ann me fazem lembrar minha infância a beira mar, o sol nascendo e caindo. Que coisa linda. É um puta arranjo. Quando ouvi esse disco a primeira vez fiquei chapado. Abbey Road dos Beatles rodava direto na minha vitrola (falei vitrola), achava o máximo. Mas esse disco me fez ouvir Tom novamente. Procurei Stone Flower e Wave que tinham passado apressados por mim. Por favor ouçam com cuidado, sem pressa esse disco, é um discão. Outro problema: como escolher o melhor arranjo entre Tide de Deodato e Wave de Claus Ogerman. Que parada indigesta. Mas eu fico com Deodato em Tide, as vezes eu mudo de opinião.

Ainda vou falar mais, esse disco merece.

*Esse disco você só acha em CD importado. Uma pena. 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Erlon Chaves - Sabadabada - 1965



Músicos
Erlon Chaves - piano e arranjo
José Lídio Cordeiro (Papudinho) - piston
João José Pereira de Souza (Raulzinho) - trombone
Hector Bisignani (Costita) – sax
Renato Augusto Menconi - sax
Kuntz Adalberto Naegele - sax
Carlos Castilho – violão
José Antônio Alves (Zezinho) – Baixo
Clineu Golçalves (Pirituba) – bateria
Apostolo Secco – barítono

Músicas
01 - Balanço Zona Sul (Tito Madi)
02 – Você (Menescal - Boscoli)
03 – Deixa isso pra lá (Alberto Paz – Edson Menezes)
04 – Reza (Edu Lobo – Ruy Guerra)
05 – Batucada (Murilo a. Pessoa)
06 – Deixa (Baden Powell – Vinícius de Moraes)
07 – Opinião (Zé Keti)
08 – Primavera (Carlos Lyra – Vinicius de Moares)
09 – Na Base do Improviso (Erlon chaves)
10 – Sabadabada (Erlon Chaves)
11 – Inútil Paisagem (Antonio C. Jobim e Aloysio de Oliveira)
12 – Bafafá (Alfredo Borba – Jota Costa)

Neste excelente disco (1965) o maestro Erlon Chaves tinha apenas 32 anos. Não foi seu primeiro disco como maestro e arranjador. O primeiro data de 1959, então com 26 anos (Em Tempo de Samba – Erlon Chaves e Sua Orquestra). Foi mais um menino prodígio, tal Eumir Deodato e Luizinho Eça, mas teve sua brilhante carreira abreviada por um infarto fulminante em 1974. Em 1968 Erlon já era arranjador, regente e pianista de Elis Regina em sua excursão a Paris, onde apresentam-se no Olympia.

Depois deste brilhante disco Erlon Chaves se dedicou a trilhas de novelas da “Globo” que estavam no auge na época. Em 1966 fez a música tema da novela o “Sheik de Agadir” e “Eu Compro Esta Mulher”. Em 1970 participou como arranjador e compositor da novela ”Pigmaleão 70”. Todo esse sucesso trouxe graves transtornos para Erlon. Em 1970, no auge da ditadura militar, no Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, a música “Eu Também Quero É Mocotó", de Jorge Bem, chegou a final. Era um som samba-black-porra-louca meio Motown, com 40 crioulos de batas vermelhas curtindo aquele batidão no palco. Passada a eliminatória, na final Erlon botou pra quebrar. Diríamos que baixou o nível. Na realidade era uma forma de provocação a tudo que rolava na época: ditadura, preconceito, racismo, amor livre, etc. Sem que ninguém soubesse, Erlon coloca duas louras lindíssimas de biquínis sumários exibindo uma coreografia erótica para apimentar o mocotó da música. Erlon sai do festival direto para a delegacia. Erlon Chaves ainda formaria a Banda Veneno com a maioria destes componentes do festival, mas os tempos eram outros. Assim como Simonal, seu grande amigo, o preconceito era grande nessa época. Os dois se ferraram, praticamente no mesmo ano. Erlon tinha outro agravante, era namorado de Vera Ficher, louraça, ex-miss Brasil. Aí era demais para as cabecinhas da época. Imagina.

* Uma curiosida. Algumas pessoas podem estar estranhando o nome João José Pereira de Souza (Raulzinho) – trombone. É isso mesmo, o nome está correto. O rebatismo ocorreu num programa de calouros do Ary Barroso. Raulzinho levou alguns prêmios e o Ary, na bucha, falou que ele tocava bem, mas trombonista com nome de João José não tinha nada a ver e o rebatizou de Raulito. Mais tarde Raulito passou pra Raulzinho. Depois escrevo mais sobre esse grande músico.

* Esse disco já saiu em CD pela Warner. É difícil achar. Como acho que vale a pena, vou dar uma dica. Procurar no google por Erlon_Chaves_Sabadabada - 1965. Por enquanto.